Nesta quinta-feira (31), o Departamento das Mulheres do CPERS promoveu a Conferência Livre das Educadoras do Rio Grande do Sul, etapa preparatória para a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, promovida pelo Ministério das Mulheres e pelo Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres, em parceria com os entes federativos e a sociedade civil, que ocorre entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro de 2025, em Brasília.
A Conferência Livre, realizada de forma virtual, reuniu educadoras, dirigentes sindicais e lideranças femininas para debater propostas e encaminhar delegadas que representarão a categoria na etapa nacional.
Com o tema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, a Conferência Nacional marca a retomada da participação popular na formulação de políticas públicas voltadas às mulheres, após quase uma década sem realização do encontro.
O CPERS, com sua trajetória de luta em defesa da educação pública e dos direitos das trabalhadoras, reforçou seu compromisso com a escuta ativa, o protagonismo feminino e a construção coletiva de pautas que respondam às realidades das mulheres, especialmente no contexto educacional.

A presidente do Sindicato, Rosane Zan, participou do encontro e reforçou a importância de espaços como este para a reflexão, construção e valorização das mulheres.
“Estar aqui hoje é fundamental para que possamos nos ouvir e construir juntas. Como mulheres, enfrentamos múltiplas jornadas: em casa, no trabalho e também dentro do nosso Sindicato, onde a maioria da base é composta por mulheres. Ainda assim, temos enfrentado governos que não priorizam, nem valorizam as pautas das mulheres. A duras penas, conseguimos conquistar a criação da Secretaria da Mulher no governo Leite. No último período, vimos o aumento alarmante dos casos de feminicídio no estado e a forma cruel como as mulheres seguem sendo tratadas. Precisamos romper com essa desigualdade estrutural que nos atravessa diariamente”, afirmou.

Durante a Conferência, Joara Dutra, coordenadora do Departamento das Mulheres do CPERS, agradeceu às colegas pelo empenho e destacou a relevância do espaço como instrumento de democratização.
“A Conferência tem como objetivo fortalecer a democracia e garantir igualdade, voz e representatividade às mulheres brasileiras, respeitando a diversidade de gênero, raça e território. Somos maioria em diversos espaços, inclusive na educação, mas ainda não somos reconhecidas como merecemos. Digo sempre que somos mal remuneradas porque integramos uma categoria majoritariamente composta por mulheres – e isso é reflexo do machismo estrutural. Temos um longo caminho a percorrer, mas acredito que, com organização e luta, podemos abrir caminhos melhores para as próximas gerações, para nossas filhas e netas”, destacou Joara.

A atividade contou ainda com a contribuição especial de Simone Cruz, psicóloga, pesquisadora, ativista do movimento de mulheres negras e referência na articulação de políticas antirracistas e feministas no estado.
Integrante da Articulação Nacional de Psicólogas Negras e Pesquisadoras (ANPSINEP), Simone também atua na coordenação da Marcha Nacional de Mulheres Negras no Rio Grande do Sul e é cofundadora do Coletivo Feminista de Autocuidado e Cuidado entre Defensoras de Direitos Humanos.
Em sua fala, ela enfatizou que o cuidado deve ser entendido como prática política e que não há democracia possível sem enfrentar o racismo estrutural. “Gênero e raça estruturam nossa sociedade, e as mulheres negras estão na base dessa pirâmide. Precisamos pensar em políticas que realmente protejam as mulheres”, explanou.
Simone também destacou a importância do monitoramento do Estado no combate à violência contra as mulheres. “Uma medida protetiva, sem monitoramento, é só um pedaço de papel. Atendemos diariamente mulheres vítimas de violência, muitas sem sequer compreender como funciona o sistema de justiça”.
Ela ressaltou ainda que a luta vai além da dimensão pessoal – é um compromisso coletivo com uma sociedade mais justa. “Se não enfrentarmos as interfaces do racismo e do patriarcado, continuaremos estagnadas. A luta das mulheres é a luta por toda a sociedade. Precisamos escutar essas vozes diversas, essa escuta é essencial para avançarmos”, frisou Simone.

Durante o evento, foram eleitas as delegadas Joara Dutra e Sandra Santos, diretoras do CPERS e integrantes do Departamento das Mulheres do Sindicato, que representarão a entidade na Conferência Nacional. Também estiveram presentes na reunião a secretária-geral e integrante do Departamento, Suzana Lauermann, Vivian Zamboni, também integrante do Departamento, além das diretoras do CPERS, Vera Lessês, Andreia da Rosa e Dani Peretti.
Ao longo da Conferência, as participantes construíram propostas voltadas à melhoria das condições de vida e trabalho das mulheres, entre elas a inclusão do debate sobre a violência contra as mulheres nos currículos escolares; a valorização da economia solidária como ferramenta de qualificação e autonomia econômica; a revisão da Lei da Alienação Parental em casos em que a violência é perpetuada por filhos contra mães; a criação de políticas para mulheres que exercem funções de cuidado; a valorização profissional das mulheres; o combate ao etarismo e a regulação das big techs diante das novas formas de violência digital.

Ao final da atividade, a coordenadora do Departamento, Joara Dutra, também reafirmou a importância de fortalecer o trabalho de base, propondo a criação de coletivos de mulheres com atuação em cada núcleo do Sindicato.
O CPERS reafirma o seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, diversa e democrática. A entidade seguirá atuando ativamente neste processo nacional, contribuindo com propostas que respondam às necessidades reais das mulheres trabalhadoras da educação e da sociedade como um todo. Porque é por meio da participação política e da organização popular que se constroem conquistas estruturais e duradouras.
>> Confira o conjunto de propostas aprovadas na reunião desta quinta (31):
- Apontar a inclusão do tema da violência contra as mulheres nos currículos escolares, assim como as questões de gênero, raça e etarismo;
- Criação de mais Núcleos nos Municípios para a qualificação das Mulheres, tendo como referência a economia solidária, dando oportunidade para as mulheres de renda que propicie condições financeiras de sobrevivência;
- Reforçar a urgente necessidade da redução da jornada de trabalho das Mulheres, referendando o debate do Plebiscito Popular, com o fim da escala 6 X1;
- Regulamentação das Big Techs, a nível nacional, pois são ferramentas que incitam a violência contra as mulheres, principalmente entre os jovens;
- Maior valorização profissional para as mulheres, principalmente para categorias formadas majoritariamente por mulheres;
- Fortalecer a campanha “Cuidar de quem cuida”, com criação de políticas públicas para dar condições financeiras para quem precisar cuidar e não consegue exercer outro trabalho ou profissão.
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