por Débora Raymundo Melecchi*

Dia 28 de fevereiro foi a data escolhida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a conscientização sobre lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, a segunda maior causa de adoecimento no trabalho.

As lesões por esforços repetitivos (LER) e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) são provocados por atividades relacionadas à organização do trabalho, como a repetição de movimentos, fatores psicológicos e sobrecarga física.

São consideradas LER/DORT a tendinite, tenossinovite, bursite, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, dedo em gatilho, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do pronador redondo, mialgias, dentre outros.

A alta prevalência de LER/DORT tem sido explicada por transformações do trabalho e das empresas cuja organização tem se caracterizado pelo estabelecimento de metas e produtividade, considerando suas necessidades, particularmente de qualidade dos produtos e serviços, e aumento da competitividade de mercado, sem levar em conta os trabalhadores(as) e seus limites físicos e psicossociais.

Exige-se a adequação dos trabalhadores às características organizacionais das empresas, pautadas por intensificação do trabalho, aumento real das jornadas e prescrição rígida de procedimentos, impossibilitando manifestações de criatividade e flexibilidade.

Ou seja, a ocorrência dos LER/DORT está relacionada à exposição dos trabalhadores(as) aos fatores de risco ocupacionais presentes nas condições de trabalho. Esses fatores de risco podem ser físicos (movimentos repetitivos; força excessiva; postura inadequada, estática e/ou prolongada, vibração, e, compressão tecidual), organizacionais (excesso de jornada de trabalho; ausência de intervalos e pausas) e/ou cognitivos (complexidade da tarefa, decisões complexas, altas demandas psicológicas, concentração, atenção)

E com a pandemia da Covid-19, a necessidade do deslocamento do trabalho presencial para o teletrabalho, é infelizmente esperado um aumento no aparecimento de mais trabalhadores(as) com notificação do LER/DORT, devido às condições não adequadas de mesa, cadeira e mesmo de iluminação.

A ergonomia entra como fator imprescindível, e se faz necessário que o trabalho se adapte ao trabalhador(a), e não o inverso, para reduzir o indicador de adoecimento.

A respeito da ergonomia, o Brasil adotou medidas preventivas às doenças ocupacionais somente na década de 1990. Com a regulamentação, os trabalhadores(as) e as empresas possuem aparatos legais para a promoção da saúde no ambiente de trabalho. Dentre estes, a Norma Regulamentadora (NR) 17 que visa orientar os procedimentos obrigatórios para preservar a saúde e segurança de seus colaboradores(as).

Vale lembrar que no Brasil, as LER/DORT são equiparadas ao acidente de trabalho por se caracterizarem como doenças desenvolvidas ou agravadas pelas condições do trabalho realizado. Para isso, é necessário obter o reconhecimento do nexo de causalidade entre a condição clínica das LER/DORT e a atividade laboral realizada pelo trabalhador(a). Esse reconhecimento é feito por meio da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) ou do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP)

Se faz necessário entender que cuidar de um trabalhador(a) é um investimento que deve ter um olhar diferenciado. As normas de saúde, de higiene e de segurança no trabalho não devem ser criadas apenas para satisfazer o empregador, mas sim como forma de melhoria das condições de trabalho. Não basta publicar leis. É necessário que as mesmas sejam funcionais e proporcionem a erradicação das práticas laborais inseguras.

Mas, infelizmente, a atuação do governo federal vem na contramão do cuidado com as trabalhadoras e os trabalhadores, propondo alterações nas normas regulamentadoras para atender os interesses do patronato.

E não poderíamos deixar de citar a Vigilância em Saúde do Trabalhador (Visat) a qual deve ocupar papel central na intervenção sobre os determinantes dos agravos à saúde dos trabalhadores(as) sob a égide do campo da Saúde do Trabalhador(a). Configura-se como uma estratégica do Sistema Único de Saúde (SUS) para o enfrentamento das situações que colocam em risco a saúde da população trabalhadora, sendo composta pela intervenção articulada em três dimensões: a promoção da saúde, a prevenção das enfermidades e acidentes e a atenção curativa.

Por fim, neste 28de fevereiro, reafirmamos nosso compromisso com a classe trabalhadora na luta pela proteção dos seus direitos e saúde. E convidamos a todas, todos e todes que unamos força social e política para transformarmos esta realidade atual em dias melhores.

*Débora Raymundo Melecchi é farmacêutica, presidenta do SINDIFARS e Dirigente Estadual da CTB/RS.

Texto via CTB/RS. 

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Neste sábado de Carnaval, a população gaúcha foi surpreendida por um decreto do Governador Eduardo Leite suspendendo a obrigatoriedade do uso de máscaras para crianças com até 12 anos de idade.

Entidades e organizações representativas da saúde, da educação e em defesa das vítimas da Covid-19 se perguntam o porquê de tal medida, que contraria os organismos internacionais e nacionais de saúde.

Desde janeiro de 2022 a Academia Americana de Pediatria (AAP), o Centro Americano de Controle de Doenças e o National Health Service (NHS) recomendam o uso de máscaras por crianças acima de dois anos de idade, posição também defendida pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Além do que, em razão da regra federal, o governo estadual não poderia flexibilizar o uso de máscaras, poderia tão somente ampliar o uso para mais faixas etárias.

Com uma semana de aulas presenciais, os registros de casos positivos para a Covid-19 já extrapolam as projeções mais negativas – consequência da baixa cobertura vacinal para a faixa etária de 5 a 11 anos (43,9%), aliada à alta taxa de transmissão da variante Ômicron. A esses casos se somarão aqueles resultantes das aglomerações do feriado de Carnaval. A taxa de óbitos também cresceu, sendo o estado com a segunda maior taxa do país: 3,31 óbitos/100 mil habitantes enquanto a média nacional é 2,39.

Para enfrentar com responsabilidade este cenário, largamente previsto por especialistas e até mesmo óbvio, o Governador deveria providenciar distribuição gratuita de máscaras PFF2/N95, organizar equipes de vacinação para percorrer as escolas públicas e promover campanha pública efetiva pela vacinação de todas as pessoas.

Por tudo isso, o decreto do Governador é inaceitável. Ainda mais que tal decisão foi tomada sem ouvir os órgãos e autoridades de saúde e de educação públicas do Estado, muito menos as representações de trabalhadores e do controle social.

O Comitê Estadual em Defesa das Vítimas da Covid-19 e as entidades abaixo-assinadas solicitam a imediata alteração do decreto, para que assegure a obrigatoriedade do uso de máscaras para todas as pessoas com idade acima de dois anos.

Conselho Estadual de Saúde – CES/RS
CPERS Sindicato
Associação Mães e Pais pela Democracia
Associação Vida e Justiça em Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19
Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 – Avico
Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul – Coren-RS
Conselho Municipal de Saúde/ Porto Alegre
Sindicato dos Enfermeiros no RS – SERGS
Sindisaúde-RS

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A Direção Central do CPERS informa que durante o recesso de Carnaval, entre os dias 26 de fevereiro e 1° de março, o funcionamento do alojamento e da portaria do Sindicato segue em horário normal na sede da entidade (Av. Alberto Bins, 480), em Porto Alegre. Os demais atendimentos estarão suspensos e retornarão no dia 2 de março, no expediente normal.

O funcionamento dos núcleos do Sindicato fica a critério de suas respectivas direções.

A cantina também estará fechada neste período, voltando as suas atividades na quarta-feira (2).

Desejamos a todos um excelente feriado!

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Nesta quinta-feira (24), no encerramento da primeira semana da #CaravanaDaVerdade, o CPERS percorreu as regiões de Santana do Livramento (23° Núcleo) e Cerro Largo (36° Núcleo).

Durante as visitas às escolas, a direção central do Sindicato e representantes dos núcleos, tiveram a oportunidade de recolher informações sobre a atual situação das instituições estaduais  e construir a resistência contra o desmonte da educação pública e as mentiras de Eduardo Leite (PSDB).

Uma das principais dúvidas da categoria é referente à parcela de irredutibilidade, onde é possível se comprovar a perversidade da matemática de Leite.

“O governo Leite mente descaradamente que os educadores ganharam 32% de reajuste. É de uma cara de pau sem tamanho. Vejam o meu caso, eu ganhei 7%. Ele foi nos avanços que conquistei durante a carreira e retirou os 25% que precisa para completar os 32% do meu contracheque. Ou seja: ele tirou da parcela de irredutibilidade e colocou no subsídio. Quem paga o reajuste somos nós”, explicou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Unificou, é estudante junto com o educador!

Durante visita à escola EEEB Eugênio Frantz, em Cerro Largo, o CPERS promoveu um encontro com alunos e alunas para tratar de temas que impactam no ensino e no futuro dos jovens que necessitam da educação pública.

Novo Ensino Médio, militarização e os prejuízos dessas medidas foram alguns dos temas que pautaram o debate.

“As mudanças no Novo Ensino Médio, que começam a valer esse ano, trazem enormes prejuízos para a educação pública, aprofundando o desmonte e ampliando as desigualdades educacionais entre escolas públicas e privadas”, expôs o diretor do CPERS, Cássio Ritter.

A diretora Sandra Régio também participou da atividade e deixou um alerta aos estudantes: “Vocês, estudantes da rede pública estadual, terão acesso ao que é estritamente necessário para ingressar em um mercado de trabalho cada vez mais precarizado”.

Mobilização para a luta 

Um dos objetivos da caravana é a mobilização e a preparação da categoria para um ano árduo e de extrema importância para o futuro da educação pública no Rio Grande do Sul.

“Temos que eleger quem defende a educação e os educadores. Esse ano de 2022 é um ano eleitoral; a escolha está em nossas mãos”, asseverou a secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann.

Durante essa primeira semana, diversos educadores(as), funcionários(as) e professores(as) filiaram-se ao Sindicato para fortalecer a luta por valorização e salário digno.

“A #CaravanaDaVerdade é mais um momento para mobilizarmos todos os educadores para que se sindicalizem. A nossa entidade é de luta e está desmascarando as mentiras do governador Eduardo Leite e do governo Bolsonaro. A categoria está farta de tanta mentira”, declarou o diretor Leonardo Preto Echevarria.

Na próxima semana, a #CaravanaDaVerdade desembarca nos núcleos da região metropolitana. Vamos desmascarar as mentiras de Eduardo Leite (PSDB) em escolas de Porto Alegre (38° e 39° Núcleos), Gravataí (22°), Guaíba (34°), Taquara (32°) e Osório (13°).

Até o fim de março, o Sindicato estará na estrada mobilizando e desmascarando as mentiras do governador. Clique aqui para conferir o roteiro completo e acompanhe as nossas redes para mais informações!

Escolas visitadas nesta quinta (24):

>> Região de Santana do Livramento (23° Núcleo)

  • EEEM Dr. Hector Acosta, em Santana do Livramento
  • CE Alceu Wamosy, em Santana do Livramento
  • EEEF Nossa Senhora do Rosário, em Rosário do Sul
  • IEE Dep. Ruy Ramos, em Rosário do Sul

>> Região de Cerro Largo (36° Núcleo)

  • EEEB Eugênio Frantz (CERRO LARGO)
  • CE Prof.º Pedro José Scher (SÃO PEDRO DO BUTIÁ)
  • EEEB Érico Veríssimo (ROQUE GONZALES)
  • CE Athayde Pacheco Martins (UBIRETEMA)
  • EEEB Profº Francisco José Damke (SÃO PAULO DAS MISSÕES)
  • IEE São Francisco Xavier (PORTO XAVIER)
  • EEEM Coronel Antonio Fioravante (PORTO XAVIER)
  • EEEF Carlos Bratz (PORTO XAVIER)
  • EE João de Castilho (SALVADOR DAS MISSÕES)
  • EEEF Padre Traezel (CERRO LARGO)
  • EEEF Sargento Silvio Delmar Hollenbach (CERRO LARGO)
  • EEEF João Manoel Corrêa, Porto Xavier

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A EEEB Eugênio Frantz, de Cerro Largo, é mais um retrato do autoritarismo do governo Eduardo Leite (PSDB) com a educação. Durante a #CaravanaDaVerdade, ao visitar a instituição, o CPERS recebeu a denúncia do fechamento do turno da tarde – sem qualquer diálogo com a comunidade escolar.

Atendendo somente no turno da manhã, as aulas começam às 7h30 e terminam até 12h30, o que prejudica o transporte escolar, que é feito em parceria com o município.

A desorganização do Estado é tanta que os horários entre o transporte conveniado com o município e as aulas não batem, já que este não chega até o local às 7h da manhã.

A medida autoritária também prejudica os educadores(as) que lecionam em outras escolas e não têm tempo hábil para chegar até outras instituições pelo horário imposto.

“Somos obrigados a fazer esse horário e não temos possibilidade de fazer o contraturno. Qual o professor que consegue sair às 12h30 e chegar na outra escola às 13h?”, questionou o vice-diretor substituto da EEEB Eugênio Frantz, Moacir Thiele.

O vice-diretor Moacir também explica, com preocupação, que quando o governo fecha um turno, é muito difícil abri-lo novamente. Por isso, clama por ajuda. “Nossa escola precisa de uma orientação para que possamos resistir”, frisou.

Para a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, é importante a escola mobilizar a comunidade e preparar um documento para que o CPERS cobre explicações do governo.

“É essencial que se tenha qualquer documento para resistir a mais esse ataque de Eduardo Leite. A corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. Vamos cobrar explicações”, asseverou Helenir.

“A escola precisa fazer um dossiê para contar a história no papel, assinada por todo o quadro e juntar todo o material em um único documento”, completou a diretora do 36⁰ Núcleo, Romi Gertz.

O CPERS solicitou uma audiência com a Seduc e irá cobrar a reabertura do turno.

“O governo do Estado é de uma desorganização total. Vamos levar isso para a Seduc, cobrar um posicionamento. Também precisamos do apoio dos pais para resistirmos” afirmou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Para o CPERS, o sucateamento das escolas estaduais – comprovado pela Caravana do CPERS – aliado à política de enxugamento de matrículas, turnos e escolas, evidencia a intenção do governo: precarizar para abrir mercado ao ensino privado, priorizando interesses do empresariado, e não da comunidade.

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Na surdina, sem nenhum aviso ou sinalização, o governo Eduardo Leite (PSDB) investe contra o direito de jovens e adultos em obter sua instrução e certificação escolar completa.

Através da redução da carga horária, sob a justificativa de oferta de ensino não mais por disciplina, mas por área de conhecimento (exceção feita em Português/Inglês), coloca em risco o futuro dessa modalidade de ensino.

O ardil pedagógico e laboral acontece após o início do ano letivo, sem nenhuma discussão com os atores envolvidos e interessados, e repercute na realocação de pessoal com riscos à manutenção do emprego de professores(as).

Se trata de política geral, em âmbito estadual, não de ajuste localizado e pontual, reforçando aquilo que o CPERS vem denunciando: Leite mente e é inimigo da educação!

A continuidade e o aprofundamento das políticas de destruição da educação, marca maior dos governos Leite e Bolsonaro – que cortou 802 milhões do orçamento educacional para 2022- devem ser enfrentadas com unidade, mobilização e luta.

Construir oposição e resistência a mais esse ataque é tarefa urgente do qual o Sindicato, a categoria, os estudantes e todos aqueles que defendem o direito à educação e a escola pública deverão empenhar esforços.

O CPERS, por meio de suas direções estadual e de núcleos, repudia essa ação e conclama todos para um movimento que garanta o direito à educação e ao emprego dos educadores(as). Exigimos a imediata suspensão da orientação encaminhada e o reestabelecimento das condições anteriores.

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Conteúdo inclui decisões recentes do STF que reforçam a inconstitucionalidade de leis inspiradas no movimento Escola sem Partido e o dever do Estado em abordar gênero e sexualidade nas escolas.

São Paulo, 22 de fevereiro de 2022 – Em resposta às intimidações, ameaças e notificações dirigidas a docentes e escolas e à escalada do autoritarismo no país, um grupo de mais de 80 entidades de educação e direitos humanos lança, nesta quarta-feira, 23 de fevereiro, uma nova versão do Manual de Defesa Contra a Censura nas Escolas. A publicação apresenta orientações jurídicas e estratégias político-pedagógicas em defesa da liberdade de aprender e de ensinar, baseadas em normas nacionais e internacionais e na jurisprudência brasileira.

>> BAIXE AQUI O MANUAL

“O Manual de Defesa Contra a Censura nas Escolas articula duas estratégias complementares: por um lado, fornece subsídios para que as comunidades escolares possam, em seu cotidiano, enfrentar as ameaças concretas ou anunciadas. Por outro, valoriza o debate público sobre essas situações como forma de enfrentamento de um conflito social gerado pela manipulação das ideias”, explica a apresentação do material.

Lançada em 2018, a primeira versão do documento contou com mais de 150 mil downloads. Na nova versão, foram incluídas decisões recentes do Supremo Tribunal Federal que reforçam a inconstitucionalidade de leis inspiradas no movimento Escola sem Partido e o dever do Estado em abordar gênero e sexualidade nas escolas como forma de prevenir a violência doméstica e o abuso sexual contra crianças e adolescentes.

A nova versão também apresenta estratégias de como responder a novos tipos de ameaças que têm sido promovidas por movimentos e grupos ultraconservadores contra comunidades escolares. Além disso, são esmiuçadas as alterações recentes de normativas nacionais e internacionais de direitos humanos, além de novas possibilidades no campo das estratégias jurídicas, políticas e pedagógicas de enfrentamento ao acirramento do autoritarismo na educação.

O lançamento ocorre na mesma semana em que microdados do Censo Escolar foram descartados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com base na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Em nota de posicionamento, entidades, redes de pesquisa e movimentos sociais afirmam que o descarte é inadmissível, carece de fundamento legal e, como resultado, impede a avaliação e elaboração de políticas públicas que respondam às necessidades da população.
O Manual também está sendo lançado como forma de prevenção e enfrentamento de possíveis ataques às escolas, educadores, estudantes e famílias em um ano eleitoral dramático, marcado por ameaças diversas à democracia, desinformação e disputas acirradas.

Casos-modelo, seus desdobramentos e estratégias de defesa

O Manual, que pode ser baixado gratuitamente clicando aqui, descreve 19 casos-modelo baseados em situações reais, seus desdobramentos e estratégias jurídicas e político-pedagógicas que podem ser usadas por profissionais de educação.

Entre os casos, são apresentadas situações de ameaças pelo Poder Público, como a aprovação de legislações antigênero; a interferência do Legislativo ou Executivo nas instituições educacionais; o constrangimento de docentes por diretorias de ensino e a militarização de escolas públicas. São também abordados casos de ameaças por membros da própria comunidade escolar e de seu entorno, como a perseguição por meio de notificações extrajudiciais, a ocorrência de constrangimentos ao uso de nome social, a censura ao uso de linguagem neutra, a violação da laicidade e o cerceamento das discussões sobre racismo e do ensino – previsto em lei – das histórias e culturas indígena, africana e afro-brasileira em escolas públicas e privadas.

O Manual trata ainda do tema fortemente recorrente, mas pouco comentado, da autocensura, isto é, da interrupção da abordagem de gênero, raça e sexualidade nas escolas pelos próprios docentes em decorrência do pânico moral e do medo de perseguição decorrentes da atuação autoritária de movimentos ultraconservadores contra professores.

Marcos legais nacionais, internacionais e decisões do Supremo Tribunal Federal

A primeira versão do Manual foi lançada no final de 2018 como parte de uma estratégia de incidência junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte julgasse um conjunto de ações que questionavam a constitucionalidade de leis de censura na educação.

Ao longo do ano de 2020, dez ações foram julgadas positivamente, reafirmando a inconstitucionalidade da censura e o dever do Estado em abordar as questões de gênero e sexualidade na Educação Básica como forma de prevenir o abuso sexual de crianças e adolescentes. As decisões reforçaram também que a ideia de neutralidade ideológica é antagônica ao pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, pilar constitucional da legislação educacional brasileira.

Outro aspecto importante referendado pelo STF foi a interpretação a respeito do lugar das famílias na gestão democrática da educação. Na compreensão da Corte, a participação das famílias na vida escolar de crianças e adolescentes é fundamental, mas não pode ser usada como artifício para limitar o direito constitucional de crianças e adolescentes a uma educação que contemple várias visões de mundo, estimule a capacidade de refletir e de pesquisar a realidade e que prepare os e as estudantes para uma sociedade sempre mais complexa e desafiante.

“Muitas vezes, mobilizadas pelo desejo de proteção de suas filhas e filhos, algumas famílias acabam contribuindo para que crianças e adolescentes cresçam despreparados e vulneráveis para enfrentar o mundo e atuar conscientemente pela superação das desigualdades, discriminações e violências nas suas vidas e na sociedade brasileira”, destaca o Manual.

Articulação contra o Ultraconservadorismo na Educação

Com apoio do Fundo Malala, do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e da Defensoria Pública da União (DPU), a publicação é resultado do trabalho de uma ampla articulação de sociedade civil, que inclui organizações não governamentais e redes que atuam pelo direito humano à educação, entidades sindicais, associações científicas, redes de pesquisa, organizações vinculadas ao movimento feminista, negro e LGBTQI+, setores religiosos progressistas defensores da laicidade do Estado, coletivos políticos e órgãos públicos comprometidos com a defesa dos direitos humanos.

Via CNTE

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O livro “Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério: dois séculos de atraso”, da Professora Juçara Dutra Vieira, mostra que a primeira vez que se determinou no Brasil o valor mínimo para o salário da professora e do professor foi em um Decreto Imperial de 1827. Na ocasião, as províncias não aplicaram a determinação do Imperador, alegando não haver recursos suficientes para arcar com o valor, já que boa parte dos impostos arrecadados eram encaminhados à Coroa Real, no Rio de Janeiro e em Lisboa, à época ainda de Dom Pedro I como Imperador do Brasil.

A Conferência Nacional de Educação para Todos, realizada por etapas governamentais nos anos de 1993 e 1994, culminou com a assinatura de um pacto pela valorização dos Profissionais do Magistério e pela qualidade social da educação. Esse pacto indicou a criação do FUNDEB, um fundo para financiar todas as etapas e modalidades da educação básica e a valorização dos profissionais da educação, com aplicação do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público a partir de outubro de 1995.

Mas o Presidente Fernando Henrique Cardoso – FHC (PSDB) ao tomar posse em 1995, desconsiderou o pacto assinado pelo Ministério da Educação durante o governo do Presidente Itamar Franco. Esse documento foi assinado à época pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação (CONSED), pela União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), pelo Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação (FCEE), pelo Clube de Reitores das Universidades do Brasil (CRUB) e pela União Brasileira dos Estudantes (UBES).

FHC e o então Ministro da Educação Paulo Renato criaram um outro modelo de financiamento para a educação, reduzindo o alcance desse fundo e o destinando apenas para o ensino fundamental (FUNDEF). Essa opção política, à época, abandonou a educação infantil, o ensino médio e as outras modalidades da educação básica. Aplicou a valorização apenas aos profissionais do magistério atuando no ensino fundamental e transformou o valor do piso salarial em salário médio, no valor de R$ 300,00 para a professora e professor dessa etapa de ensino com formação normal médio e com carga de trabalho semanal de 40 horas.

A CNTE nunca desistiu de conquistar o piso salarial profissional nacional para os/as profissionais da educação. Durante o período do governo do Presidente Lula, reabrimos o debate sobre o FUNDEB e conquistamos o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino e a Valorização dos/as Profissionais da Educação no ano 2007. Por meio da Emenda Constitucional nº 53/2006, conquistamos o direito dos/as trabalhadores/as administrativos da educação, após curso na área educacional, tornarem-se profissionais da educação e, após muita pressão/mobilizações, conquistamos o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da educação básica, que se tornou Lei no segundo mandato do presidente Lula (Lei 11.738/2008).

Desde janeiro de 2010 que a atualização do valor do piso salarial da/o professora/or acontece ano a ano, seguindo os critérios definidos nas leis do FUNDEB e na lei do piso salarial do magistério. Logo, sempre é importante lembrar, o piso salarial foi e é uma conquista nossa, não é dádiva nem presente de nenhum presidente da República. Quem determina o percentual de atualização do piso são as leis que foram criadas depois de muita luta do movimento educacional brasileiro e, em especial, da CNTE.

Logo, não é o Genocida que está concedendo esse aumento em 2022. Na verdade, o atual Presidente da República queria rebaixar o percentual da atualização do piso para ser referenciado apenas pela inflação de 2021, sem qualquer ganho real. Mas a nossa mobilização, mais uma vez, foi vitoriosa e impedimos, assim, mais um ataque do governo federal à nossa categoria.

O piso é lei e, sendo assim, nenhum Prefeito ou Governador podem, a partir de janeiro de 2022, pagar abaixo do valor de R$ 3.845,63 a uma professora ou a um professor com formação normal médio e com uma carga horária semanal de trabalho de 40 horas.

Fique ligado, lute pelo seu direito ao piso e carreira! Esses são critérios fundamentais em qualquer política de valorização profissional!

(Brasil de Fato Pernambuco, artigo de Heleno Araújo com edição de Vanessa Gonzaga, 23/02/2022)

Via CNTE

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Pela verdade e contra as mentiras de Eduardo Leite (PSDB), a caravana do CPERS percorreu as regiões de Alegrete (19° Núcleo) e São Luiz Gonzaga (33° Núcleo), nesta quarta-feira (23).

O falso reajuste de 32% – que não contemplou toda a categoria e roubou adicionais por tempo de serviço dos educadores(as) – e o sucateamento da educação pública no Rio Grande do Sul, foram alguns dos temas debatidos nas visitas às rádios e às escolas de cada região.

“Queremos salário, comida na mesa e valorização. Leite faz marketing anunciando um superávit de R$ 2,55 bilhões, mas a verdade é que fez caixa em cima de nós, que damos o sangue pela educação. Conquistamos com muita luta o piso em 2008. Lutamos 10 anos para conseguir essa Lei. O Leite não nos pagou!”, declarou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, durante visita ao IE Rui Barbosa, em São Luiz Gonzaga.

Desvalorização causa redução no número de educadores da rede

A #CaravanaDaVerdade escancara o que o CPERS já vem denunciando há anos, uma queda drástica no número de docentes em sala de aula. De 2016 a 2021, já são quase 11 mil docentes a menos em regência de classe na rede, o que representa uma redução de 22,4%.

“Temos visto a diminuição da procura aos cursos do magistério, porque não há valorização. As pessoas estão perdendo o interesse. Qual é a perspectiva e incentivo que teremos para o futuro?”, questionou a diretora Rosane Zan.

A queda drástica é consequência também dos mais de sete anos sem reposição salarial e da diminuição do poder de compra da categoria, reduzido em mais de 50%.

Escola do campo de Santo Antônio das Missões sofre com a estiagem 

A ETE Achilino de Santis, de Santo Antônio das Missões, pede socorro!

A escola do campo, que oferece o Curso Técnico em Agropecuária, está sofrendo com a estiagem. Assim como em grande parte do Rio Grande do Sul, há perdas na lavoura de milho e soja, que davam o suporte financeiro para a manutenção da escola.

O governo faz marketing pelo estado anunciando um investimento milionário para a educação, mas, na prática, o dinheiro não chega e nem atende as reais necessidades das instituições de ensino.

Durante a passagem da caravana pela escola, a diretora Andréia Lucero Balbé e o vice-diretor Clairton Folk Robalo, conversaram com o CPERS sobre a situação. Confira o relato no vídeo!

Educadores aposentados pagando a conta para o governador se promover

Durante a #CaravanaDaVerdade, o CPERS promove plenárias diárias com educadores(as) aposentados(as) para expor o desfalque nos contracheques dessa parcela da categoria.

A professora aposentada Olga Gonçalves de Farias, de São Luiz Gonzaga (33⁰ Núcleo), queria ter uma velhice tranquila, mas após uma vida se dedicando à educação, teve seus direitos roubados.

“Eu fiz cursos, me especializei, fiz tudo o que precisava para subir na profissão e agora, com quase 80 anos, quando não posso mais trabalhar, recebo essa notícia horrível que o meu salário foi diminuído, que eu fui roubada!”

Assim como Olga, cerca de 45 mil aposentados(as) amargaram o mesmo sofrimento e receberam somente 5,53% de reajuste. Leite tirou 26,47% dos adicionais por tempo de serviço que esses professores(as) já tinham no seu contracheque, o que fez com que o reajuste fosse pago com o dinheiro do próprio educador(a).

“A nossa caravana tem o objetivo de trazer essa verdade sobre a falsa reposição de 32%, onde apenas 14% da categoria recebeu acima de 30% e os demais custearam com suas vantagens temporais o seu próprio reajuste”, declarou a diretora Vera Lessês durante o encontro no IEE Oswaldo Aranha, em Alegrete.

Nesta quinta-feira (24), a caravana do CPERS estará em Santana do Livramento (23° Núcleo) e Cerro Largo (36° Núcleo).  Clique aqui para conferir o roteiro completo e acompanhe as nossas redes para mais informações!

Escolas visitadas nesta quarta (23):

>> Região de Alegrete (19° Núcleo) 

– Marquês d’ Alegrete, em Alegrete
– Eduardo Vargas, em Alegrete
– Dr. Romário Araújo de Oliveira, em Alegrete
– Ecilda Paim, em Alegrete
– Farroupilha, em Alegrete
– Lauro Dornelles, em Alegrete
– Oswaldo Aranha, em Alegrete
– Salgado Filho, em São Francisco de Assis
– Laerte Jobim, em São Francisco de Assis

>> Região de São Luiz Gonzaga (33° Núcleo)

– Rui Barbosa, em São Luiz Gonzaga
– Maria Seggiaro Hoffman, em São Nicolau
– Jose Adolfo Meister, em Caibaté
– Achilino De Santis, em Santo Antônio Das Missões
– Tolentina Barcelos Gonçalves, em Santo Antônio das Missões
– São Luiz, em São Luiz Gonzaga
– Dr. Mario Vieira Marques, em São Luiz Gonzaga

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O CPERS Sindicato presta completo e irrestrito apoio à luta dos trabalhadores(as) em educação da rede pública municipal de Pelotas, representados pelo SIMP, na defesa da aplicação justa, correta e legal do Piso Salarial Profissional Nacional e na manutenção de seus direitos e conquistas assegurados pelo Plano de Carreira.

Repudiamos com veemência a iniciativa da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), que, a exemplo de seu correligionário partidário e mentor político Eduardo Leite (PSDB), tenta driblar a legalidade e a constitucionalidade do Piso, apresentando projeto de lei que o descaracteriza, transformando-o em teto salarial e destruindo as carreiras dos educadores(as).

A fórmula – já aplicada em âmbito estadual e em outros Estados – faz parte de uma ofensiva generalizada dos gestores públicos, alinhados com o garrote fiscal, ocasionando precarização do serviço público e das condições de trabalho e com consequências prejudiciais e negativas à população assistida pelas políticas públicas, favorecendo somente o setor privado, seja através de terceirizações, parcerias público-privadas e mesmo a privatização.

É imprescindível registrar que a política apresentada em Pelotas está na linha dos governos Bolsonaro (PL) e Leite (PSDB) e da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), todos responsáveis pela tentativa de inviabilizar o Piso, destruir as carreiras profissionais da educação e atacar o financiamento educacional através de cortes e mudanças legislativas.

Estendemos nossa solidariedade não apenas na forma de manifesto, mas exortando a categoria, o movimento sindical, estudantil e social a somar-se na luta dos colegas pelotenses e propondo uma ampla frente em defesa da educação em todos os níveis, de acordo com os movimentos feitos pela CNTE e as Centrais Sindicais.

Em defesa do Piso e da Carreira, por valorização profissional, dignidade e direitos dos trabalhadores(as) e do povo, nós dizemos não ao PL de Paula Mascarenhas, inimiga da educação, que a exemplo de seu padrinho político, esconde a verdade com mentiras e manobras.

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