Enquanto praticavam as atividades de Educação Física, dois estudantes da EEEM Ponche Verde, em Gravataí (22º Núcleo), foram surpreendidos por um homem armado, nesta sexta-feira (30).

Ameaçados, os alunos tiveram que entregar seus celulares. O acesso do assaltante à escola ocorreu através de um buraco na tela que cerca o local.

A instituição, que atende a 730 alunos, não possui muro de proteção, apenas a cerca atual que está danificada e nem de longe traz alguma segurança para educadores(as) e educandos.

Segundo Letícia Coelho Gomes, diretora da Ponche Verde e também do 22° Núcleo, apenas um quarto do total do terreno da instituição está com cercamento de gradil, conquistado através da pressão realizada com a ocupação da escola pelos estudantes, organizada pelo Grêmio Estudantil e pela comunidade escolar, em 2016.

“Abrimos um processo no setor de obras da Secretaria de Educação em 2018, mas desde então está parado. Não consideraram como obra emergencial. Neste ano, espantosamente, a 28° CRE nos disse que não existe processo aberto e que poderíamos abrir um, mas apenas para a colocação de outra tela”, lamenta.

Os casos de insegurança não se restringem ao ocorrido nesta sexta-feira (30). Anteriormente, conforme Letícia, um homem invadiu a instituição e deu um soco em um aluno que estava no pátio. “Nossa escola está totalmente a mercê, sem a mínima segurança.”

Como forma de pressionar para que sejam tomadas providências que garantam a proteção de estudantes, professores(as) e funcionários(as), na próxima segunda-feira (3), será realizada uma assembleia com a comunidade escolar. “O ofício assinado pelo Conselho Escolar, pedindo o término da construção do muro, será levado pelas mães e pais até a Seduc”, garante a diretora.

Ainda na tarde desta sexta, a diretora foi até a 28ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) para solicitar um segurança para a escola e pedir a abertura do processo para o cercamento total da instituição.

“Até que a construção integral do muro seja realizada não sabemos quanto tempo irá demorar. Até lá precisamos que garantam a segurança de todos que frequentam a Ponche Verde”, ressaltou.

CPERS: governo precisa ter responsabilidade com a segurança das escolas

Diante de mais uma situação de descaso com a escola pública, a categoria e os estudantes, o presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt, evidencia que a realidade das escolas mostra que o discurso e a propaganda oficial não encontram correspondência com os fatos.

“Há muito tempo o CPERS vem denunciando que a política de contingenciamento de recursos traria prejuízos de toda ordem, colocaria a qualidade da educação em risco e, o que é pior, aconteceriam casos como esse da Ponche Verde. Esperamos providências imediatas para que essa situação não perdure por mais tempo. É preciso que o governo tenha responsabilidade e garanta uma escola com segurança para todos”

O CPERS seguirá acompanhando a situação e pressionando para que a Seduc tome todas as providências necessárias, o mais rápido possível, para garantir a segurança de educadores(as), alunos(as) e comunidade escolar.

 

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Nas vésperas das Eleições 2022, Carta elaborada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação e a Rede de Ativistas pela Educação do Fundo Malala já soma mais de 400 assinaturas de candidatas/os, incluindo a chapa do candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT, PV, PCdob, PSOL, REDE, PSB, Solidariedade, Avante, Agir e Pros) e o candidato Ciro Gomes (PDT). Documento propõe pacto com 40 pontos por financiamento adequado à educação e combate às desigualdades.

A Carta prevê a construção de sistemas de educação pública fortes e a superação das profundas desigualdades raciais, sociais, de gênero e regionais que afetam o acesso e a permanência de estudantes na escola – sobretudo as meninas. As centenas de candidaturas são de todo o espectro político, de todos os estados e o DF, compreendendo candidaturas coletivas, negras, quilombolas, indígenas e feministas. Confira a lista completa dos candidatos que assinaram a Carta em: campanha.org.br/cartacompromisso.

As adesões à Carta Compromisso se devem à articulação da Rede da Campanha que realiza, desde o lançamento do documento, ações de incidência política com apoio dos seus Comitês Regionais espalhados por todos os estados e o Distrito Federal, e também da Rede Malala. O intuito é mobilizar as/os candidatas/os locais a promoverem pautas educacionais e se comprometerem com a educação durante os seus mandatos, caso eleitas/os.

“A assinatura de candidatura à presidência que está à frente das pesquisas é uma conquista importantíssima para o direito à educação. Significa não só um compromisso de campanha, mas também transformações que têm um caminho concreto de não se tornarem letra morta, mas guia para ações nos próximos anos, que serão cruciais para podermos deixar de retroceder e retomar um processo de desenvolvimento das políticas educacionais com inclusão”, analisa Andressa Pellanda, coordenadora geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e integrante da Rede Malala.

Neste ano de eleições, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e a Rede Malala têm defendido que todas e todos candidatos priorizem o direito à educação de meninas nos planos de governo. Além da Carta Compromisso, a Rede de Ativistas elaborou junto com um comitê de 20 meninas o Manifesto #MeninasDecidem pelo Direito à Educação. O documento traz as prioridades de meninas negras, periféricas, indígenas, quilombolas, travestis, trans, do campo e com deficiência por uma educação pública de qualidade, antirracista, antissexista e que combata as desigualdades sociais e a discriminação baseada em gênero. Pelas redes sociais, a Rede Malala também mobilizou meninas entre 16 e 17 anos a tirarem o título de eleitora dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.

“O Manifesto #MeninasDecidem é um grito dessas meninas contra a destruição contra a destruição da nossa educação pública. É um grito não só de denúncia, mas que afirma a esperança na transformação”, diz Denise Carreira, coordenadora institucional da Ação Educativa e integrante da Rede Malala.

Leia a íntegra do Manifesto #MeninasDecidem pelo Direito à Educação aqui.

Sobre a Rede Malala:
Inspirado pelas raízes de Malala e Ziauddin Yousafzai como ativistas locais no Paquistão, o Fundo Malala estabeleceu em 2017 a Rede de Ativistas pela Educação (Education Champion Network) para investir, apoiar o desenvolvimento profissional e dar visibilidade ao trabalho de mais de 80 educadores de dez países (Afeganistão, Bangladesh, Brasil, Etiópia, Índia, Líbano, Nigéria, Paquistão, Tanzânia e Turquia) que trabalham a nível local, nacional e global em defesa de mais recursos e mudanças políticas necessárias para garantir o direito à educação das meninas. No Brasil, a Rede é formada por 11 ativistas e suas organizações e implementa projetos em diversas regiões do país para quebrar as barreiras que impedem meninas de acessar e permanecer na escola, com foco em meninas negras, indígenas e quilombolas. A Rede de Ativistas pela Educação do Fundo Malala no Brasil é formada pela seguintes ativistas e suas organizações:

Ana Paula Ferreira De Lima | Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAÍ)
Andréia Martins de Oliveira Santo | Redes da Maré
Andressa Pellanda | Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Benilda Regina Paiva De Brito | Projeto Mandacaru Malala
Cassia Jane Souza | Centro das Mulheres do Cabo (CMC)
Cleo Manhas | Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
Denise Carreira | Ação Educativa
Givânia Silva | Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ)
Paula Ferreira da Silva| Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social (CENDHEC)
Rogério José Barata | Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF)
Suelaine Carneiro | Geledés Instituto da Mulher Negra

Sobre o Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
A Campanha Nacional pelo Direito à Educação (Campanha) é considerada a articulação mais ampla e plural no campo da educação no Brasil, constituindo-se como uma rede que articula centenas de grupos e entidades distribuídas por todo o país, incluindo comunidades escolares; movimentos sociais; sindicatos; organizações não-governamentais nacionais e internacionais; grupos universitários, estudantis, juvenis e comunitários; além de milhares de cidadãos que acreditam na construção de um país justo, democrático e sustentável por meio da oferta de uma educação pública de qualidade. A missão da Campanha é atuar pela efetivação e ampliação das políticas educacionais para que todas as pessoas tenham garantido seu direito a uma educação pública, gratuita, inclusiva, laica, e de qualidade no Brasil. O Comitê Diretivo da Campanha é formado pelas seguintes organizações:

Ação Educativa
ActionAid Brasil
Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação – Fineduca
Centro de Cultura Luiz Freire – CCLF
Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará – CEDECA/CE
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE
Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil – Mieib
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Rede Escola Pública e Universidade – REPU
União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação – UNCME
União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME

Fonte: CNTE

Foto: Joyce Cury

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Na última semana, o CPERS recebeu uma série de preocupantes denúncias quanto à gestão da 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), de Porto Alegre. Segundo os relatos, a atual coordenadora, Elida Maria da Rosa Klamt, que exerce a função desde maio de 2022, não foi oficialmente nomeada para ocupar o cargo, o que tornaria seus atos administrativos inválidos.

Como não bastasse a questão administrativa, que atinge diversas escolas da capital, a coordenadora vem usufruindo de benefícios remuneratórios do cargo, incluindo diárias pela convocação, sem a respectiva portaria de nomeação.

Em pesquisa no Diário Oficial do Estado, constata-se que o último documento assinado por Alaor Baptista Chagas, ex-coordenador da 1ª CRE, data de 20 de abril de 2022. Em 18 de maio, registra-se o primeiro documento despachado por Elida, mas neste período não há registro do desligamento ou nomeação dos referidos acima.

Se a irregularidade for confirmada, inúmeras designações de portarias e atos assinados por Elida se tornarão inválidas.

1ª CRE não esclarece as dúvidas

Para buscar esclarecimentos sobre o tema, nesta quinta-feira (29), a Direção Central do CPERS e a assessoria jurídica do Sindicato, buscaram uma auto agenda na 1ª CRE. 

Na ocasião, após a entrega de um ofício cobrando explicações, a assessoria jurídica da Coordenadoria relatou não ter informações sobre o assunto e que daria retorno até o fim do dia com esclarecimentos, mas até a publicação desta matéria, não obtivemos respostas.

Confira abaixo o relato da secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann, sobre a reunião.

Denúncia no Ministério Público

Nesta quinta-feira (29), o gabinete da deputada estadual, Sofia Cavedon, protocolou uma denúncia formal no Ministério Público do Rio Grande do Sul para que seja instaurado um expediente investigativo e um inquérito civil e sejam tomadas as providências necessárias para que cessem as irregularidades. Confira aqui a íntegra da denúncia! 

O descaso da Seduc com a educação pública precisa parar

Este é mais um vergonhoso caso que escancara a total desordem que se instaurou na Secretaria Estadual de Educação (Seduc), com a gestão da atual secretária Raquel Teixeira, que envolve desde escândalos na contratação de empresas terceirizadas, viagens com dinheiro público, a terceirização do ensino no estado e o descaso com a educação pública e os educadores(as) gaúchos.

O presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt, ressalta que o Sindicato permanecerá vigilante sobre o tema e exigindo esclarecimentos: “Aguardamos um retorno oficial para que toda e qualquer dúvida seja dirimida e não paire dúvidas sobre as questões institucionais e legais de execício da função na 1ª ou em qualquer Coordenadoria Regional de Educação no Rio Grande do Sul”.

Confira abaixo a íntegra do ofício entregue à 1ª CRE nesta quinta (29):

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Na tarde desta quinta-feira (29), representantes da Direção Central e da assessoria jurídica do CPERS reuniram-se com procuradores da PGE para tratar sobre o reenquadramento dos professores(as) que tiveram suas aposentadorias de 40h transformadas em subsídios de 20h.

A mudança impacta diretamente os aposentados(as) mais antigos, que após uma vida dedicada à educação, sofrem com a falta de recursos para itens de necessidades básicas, como alimentos e remédios.

O presidente em exercício do Sindicato, Alex Saratt, ressalta que o tema já foi tratado em diversos encontros da entidade com o governo e que a categoria não pode mais esperar. “Retornamos aqui após uma reunião realizada ainda em junho, onde nos prometeram um retorno em até 15 dias. Já se passaram três meses e os nossos aposentados ainda não tiveram um retorno quanto ao tema”. 

A diretora do Departamento de Aposentados(as) do CPERS, Glaci Weber, que sente na pele a alteração, destacou que os aposentados(as), que já receberam o menor percentual no falso reajuste de 32%, agora enfrentam mais essa adversidade.

“Eu já não sei mais o que dizer para a nossa categoria. As pessoas que trabalharam a vida inteira como 40h, agora, com a idade mais avançada, são quem sofre com o descaso do governo. O que me parece é quanto mais velhos ficamos, mais prejudicados somos e isso não pode acontecer em um governo que se diz sério”.

Emocionada, a dirigente ainda desabafou: “É desumano que, no momento que a gente precisa de remédios, de médicos, somos obrigados a contar com a generosidade ou empréstimos para conseguir. Eu peço a sensibilidade e a seriedade de vocês para analisar estes casos”. 

O advogado Marcelo Fagundes, da assessoria jurídica do CPERS, representada pelo escritório Buchabqui e Pinheiro Machado, entregou uma série de documentos que comprovam que, assim como a diretora Glaci, diversos aposentados(as) têm direito ao enquadramento original e muitos outros mais, que ainda não contataram o jurídico.

O procurador-geral adjunto para Assuntos Jurídicos da PGE, Victor Herzer, garantiu que o governo está disposto a solucionar a questão e que estão debruçados sobre o tema.

“Pretendemos, em no máximo 10 dias, dar um retorno ao Sindicato. Estudaremos os novos casos apresentados e o que já está no PROA. Confirmado o erro, emitiremos uma orientação jurídica geral para os demais casos”.

Os presentes acordaram que até o dia 14 de outubro a PGE dará um retorno definitivo sobre os errôneos reenquadramentos.

Além deste tema, os representantes do CPERS reforçaram o apelo para que a PGE e o governo retomem com urgência o tema do pagamento dos dias recuperados da greve e as questões da insalubridade e penosidade.

Também participaram da reunião as procuradoras do Estado Marília Bueno, Anne Perrot (ambas agentes setoriais da Seduc na PGE) e Aline Frare (assessora junto ao gabinete da PGE).

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De acordo com análises da consultoria do Senado Federal, o projeto de Lei Orçamentária Anual – LOA do governo federal para 2023, enviado por Jair Bolsonaro ao Congresso, mantém mais de 50% das receitas de impostos destinadas ao pagamento de juros, encargos e amortização da dívida pública (prioridade total aos acionistas!). Por outro lado, a LOA traz cortes em despesas, investimentos e reajustes mínimos de benefícios e salários. Não há previsão de aumento real do salário mínimo e nem de atualização da tabela do imposto de renda, o que fará com que os trabalhadores assalariados paguem mais impostos com menos prestação de serviços públicos à sociedade. É a lógica perversa do Estado Mínimo operando com a máxima imprudência e crueldade no país.

No caso da educação, o governo vetou recentemente o reajuste da merenda escolar, estando os valores da cota-federal congelados desde 2017, num período de inflação galopante. O valor diário enviado pelo FNDE-MEC a estados e municípios para financiar a merenda é de R$ 1,07 na creche, R$ 0,53 na pré-escola e R$ 0,36 no ensino fundamental e médio. A justificativa para contenção dessa despesa é o Teto de Gastos imposto pela Emenda Constitucional nº 95 (PEC da Morte), que tem contribuído com a inanição de crianças, com maiores dificuldades na aprendizagem e até com o abandono escolar, pois muitos estudantes que tinham a merenda escolar como sua principal refeição diária, passaram a se alimentar apenas com suco em pó e bolachas.

Outras aberrações propostas pelo governo na LOA 2023 são os cortes de 97% na infraestrutura das escolas públicas e de 95% no Programa Nacional de Transporte Escolar. Também outras políticas educacionais continuarão sendo severamente atingidas, como a formação dos profissionais da educação e a aquisição de livros didáticos. Os recursos que já vinham sofrendo sucessivos cortes ao longo dos últimos anos – tanto nas LOAs como em forma de contingenciamentos e cortes orçamentários – agora minguaram de vez. No caso da infraestrutura, os valores despencarão de R$ 119,1 em 2022 para R$ 3,45 milhões em 2023. E isso é o suficiente para atender apenas 4 projetos nas quase 100 mil escolas do país, segundo informações do jornal O Globo, do último dia 28! O PNAT receberá apenas R$ 425 mil em 2023, permitindo a compra de um único ônibus escolar no país! Verdadeiro estado de calamidade!

Parte da aposta do governo para amenizar os cortes na LOA se concentra nas emendas do orçamento secreto destinadas à educação, e outra parte na imposição de mais despesas aos estados e municípios, que recentemente sofreram perda substancial de receita tributária com a redução do ICMS para energia, combustíveis, entre outros produtos e serviços. Ocorre, no entanto, que o orçamento secreto distribui recursos de maneira extremamente desproporcional, priorizando redutos eleitorais de poucos parlamentares, sobretudo do Centrão. Para além dessa discrepância, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal já verbalizaram a intenção de pautar o julgamento da ação judicial que prevê o fim do orçamento secreto, ainda este ano, devendo esse contrassenso no sistema presidencialista e que fragiliza o regime democrático ser extirpado em definitivo para 2023. Com isso, a previsão governamental de auxílio à LOA para contemplar parte das políticas educacionais cairá por terra!

A intenção do governo em destruir a educação pública – pauta central em todo o mandato de Jair Bolsonaro – precisa ser combatida, novamente, em especial na tramitação da LOA no Congresso Nacional. Os exemplos acima não esgotam as maldades impostas às escolas públicas, aos estudantes e aos/às trabalhadores/as em educação. Há várias outras medidas contenciosas que solapam o financiamento da educação e que precisam ser revertidas.

A CNTE se manterá vigilante e atuante, junto com seus sindicatos filiados e outras organizações educacionais, para que mais essa medida do governo Bolsonaro contra a educação pública não se concretize.

Brasília, 29 de setembro de 2022
Diretoria da CNTE

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É chegada a hora de a sociedade brasileira imbuir-se da potência do nosso espírito democrático e garantir a realização de eleições livres, íntegras e pacíficas em todo o território nacional.

Neste domingo, diante do aumento da violência política e do avanço autoritário em curso, exercer a democracia transcenderá o exercício do direito ao voto. Entre os mais importantes deveres da população deste país estará o compromisso individual e coletivo de zelar para que o processo eleitoral transcorra como se deve em democracia: em um ambiente em que todo o eleitorado e todas as candidaturas em disputa gozem de seus direitos e liberdades em máxima segurança; que missões de observação, mesários, mesárias e todos os agentes da Justiça Eleitoral possam realizar seu trabalho em plena tranquilidade; e que todos os brasileiros e todas as brasileiras, sem exceção, respeitem o sufrágio popular e legitimem, sem hesitação, o resultado da escolha da maioria da população expresso nas urnas.

Em 2 de outubro, é preciso celebrar a democracia e ir às urnas. É vital que a participação eleitoral seja a mais ampla e diversa possível, fortalecendo a legitimidade do pleito e qualificando a representatividade política nacional. É necessário desarmar-se do ódio e lembrar que divergências políticas não nos tornam inimigos, mas adversários na arena pública, e que a tolerância, o diálogo e a convivência pacífica devem prevalecer em todas as esferas da nossa construção coletiva. Ao nos encontrarmos nos colégios eleitorais, a multiplicidade de cores das nossas bandeiras políticas não pode ser motivo para hostilidades, mas deve ser compreendida como evidência da pluralidade intrínseca a qualquer sociedade de fato democrática.

À medida que nos aproximamos do pleito, o anseio pelo sucesso eleitoral de quem representa as nossas escolhas políticas não pode, em hipótese alguma, se sobrepor ao compromisso com o estrito cumprimento das regras do jogo democrático. A autoridade da Justiça Eleitoral e as determinações da legislação que regulamenta este processo primordial à vida democrática requerem absoluto respeito, de forma que a disputa se dê com equidade e isonomia.

Conclamamos toda a sociedade brasileira a declarar compromisso incondicional com o respeito ao resultado das urnas. A vontade popular expressa por meio de um sistema eleitoral mundialmente reputado por sua qualidade e credibilidade, sem indícios de fraude em toda a sua história, precisa ser reconhecido, legitimado e implementado sem quaisquer contestações.

Que as eleições de 2022 no Brasil sejam a expressão de uma sociedade verdadeira e profundamente comprometida com a construção, o aprofundamento e o fortalecimento de sua democracia.

Assinam este manifesto:

Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Grupo MOL
Instituto Igarapé
WWF Brasil
CLP – Centro de Liderança Pública
TRANSPARÊNCIA PARTIDÁRIA
Politica Viva
4daddy
Mulheres Negras Decidem
Seja Democracia/IMJA
Washington Brazil Office
PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais
Rede Justiça Criminal
Instituto Brasil-Israel
Instituto Terra, Trabalho e Cidadania
RAC – Rede de Advocacy Colaborativo | Pela Cidadania
Aliança Nacional Lgbti+
Associação Brasileira de ONGs (Abong)
CENTRO POPULAR DE DIREITOS HUMANOS
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)
Casa Fluminense
Rede Brasileira de Conselhos -RBdC
A Tenda da Candidatas
LAUT – Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo
Habitat para a Humanidade Brasil
Cenpec
PLAN INTERNATIONAL BRASIL
Data Privacy Brasil
CTI – Centro de Trabalho Indigenista
Instituto Update
Transparência Brasil
Instituto Arueras
Coalizão Brasil por Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia
Instituto Alziras
ponteAponte
Fundação Tide Setubal
Atados
Conectas Direitos Humanos
Observatório Politico e Eleitoral
Transparência Capixaba
Movimento Político pela Unidade
TETO Brasil
Agência Ambiental Pick-upau
Instituto Clima de Eleição
Cenpec
Agência Diadorim
Instituto Ethos de empresas e responsabilidade social
Kurytiba Metropole
Hivos
Instituto Humanista para Cooperação e Desenvolvimento
GESTOS– Soropositividade, Comunicação e Gênero
Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
Brasil 350.org
Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Nucleo de Preservação da Memória Política Sefras
Ação Social Franciscana
Instituto Vamos Juntas
Cidade Escola Aprendiz
Instituto Sou da Paz
FAOR – Fórum da Amazônia Oriental
Instituto Paul Singer
AGANIM-RJ – Associação de Gays e Amigos de Nova Iguaçu, Mesquita e Rio de Janeiro
Ação Educativa
Instituto Physis – Cultura & Ambiente
Rede Conhecimento Social
Instituto Piracicabano de Estudos e Defesa da Democracia
Observatório do Clima
Diplomacia para Democracia
GELEDES-INSTITUTO DA MULHER NEGRA MARIA SYLVIA DE OLIVEIRA
Observatório para Qualidade da Lei e LegisLab UFMG
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Oxfam BrasilI
CTP.Br – Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro
Instituto Sedes Sapientiae
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Transparência Internacional – Brasil
Mapa Educação
Instituto de Defesa do Direito de Defesa – IDDD
Instituto Vero
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
Laboratório Brasileiro de Cultura DIgital – LabHacker
SBPC
Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB)
Instituto Búzios
Projeto Saúde e Alegria
Instituto de Desenvolvimento Sustentável Baiano – IDSB
Grupo de incentivo à vida
RenovaBR
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)
Confederação dos Servidores Públicos do Brasil – CSPB
Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
CEDAPS
Coalizão pela Socioeducação
Uma Gota no Oceano
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)
Instituto Vladimir Herzog
Instituto Socioambiental- ISA
Greenpeace Brasil
Observatório Nacional de Candidaturas Femininas
Climate Reality Project Brasil
Educafro
Girl Up Brasil
Movimento Urbano de Agroecologia – MUDA
Climate Reality Project Brasil
Engajamundo
Elas no Poder
Instituto de Estudos Socioeconômicos
INESC
Instituto Catitu
Instituto Cidades Sustentáveis
Instituto Terroá
Instituto silvia lane
Coding Rights
Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico
Open Knowledge Brasil

Fonte: CNTE

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Nesta quarta-feira (28), foi a vez dos educadores(as) dos núcleos de Porto Alegre (38° e 39°) e Gravataí (22º) participarem do Encontro Regional de Funcionários(as) da Educação. A atividade, aprovada pelo Coletivo de Funcionários(as) da Educação do CPERS, objetiva debater a justa valorização deste segmento tão importante da categoria.

“É o funcionário que atende o telefone, que faz as matrículas, que abre o portão, que orienta e escuta os alunos. São os primeiros que os estudantes e a comunidade encontram ao chegarem à escola. Somos educadores e precisamos nos enxergar assim. Temos um papel essencial na rotina escolar”, destacou a diretora do Departamento de Funcionários(as) da Educação, Sônia Solange Viana.

A diretora lembrou ainda da miserabilidade desta parcela tão significativa da categoria: “Estamos vivendo o período de maior empobrecimento que já passamos. Por isso, no dia 2, temos que votar naqueles que nos valorizam. Merecemos e temos que lutar por um salário digno e respeito”, afirmou.

“Sem vocês a escola não funciona. Este momento é muito importante, pois traz informações essenciais para a vida funcional e o dia a dia de vocês nas escolas”, expôs a secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann.

Michele Catani, secretária na EE Infante Dom Henrique, de Porto Alegre, ressaltou a importância do trabalho dos funcionários(as).

“Geralmente, os alunos têm mais contato conosco do que com os próprios professores. A importância do funcionário não é só na estrutura, é na escuta e no apoio aos estudantes”, avaliou.

Jorge Adão Miranda, funcionário de escola aposentado, relatou as dificuldades diante do desconto da Previdência orquestrado por Eduardo Leite (PSDB). “Nós estamos pagando novamente a aposentadoria, isso é um absurdo. Esse valor faz falta, por exemplo, para eu comprar meus remédios”, desabafou.

Voto consciente para mudar o cenário de descaso

O presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt, fez uma análise da conjuntura política e iniciou ressaltando a histórica luta dos educadores(as) para a garantia de seus direitos.

“O Piso do Magistério demorou 20 anos para virar Lei. Entre os funcionários, a luta foi mais dura ainda, pois foram necessários 30 anos para a garantia da insalubridade”.

Saratt pontuou ainda que o Brasil voltou ao mapa da fome, fruto das políticas neoliberais e antidemocráticas do atual governo federal. “Contabilizamos a triste marca de mais de 33 milhões de pessoas passando fome. Enquanto isso, até o final do ano passado, existiam 266 mil milionários no país. É preciso mudar essa realidade.”

“O que está em jogo hoje é a vida versus a morte, o amor versus o ódio, a verdade versus a mentira. Nós temos condições de firmar as pautas da classe trabalhadora, das mulheres, da população LGBT, dos povos originários, dos negros. Precisamos, até o último minuto, construir a vitória de todos aqueles que realmente nos defendem. Chega das pessoas fazerem fila para comprar osso”, asseverou.

O representante do CPERS no Conselho de Administração do IPE, Antônio Andreazza, ressaltou a importância da luta para garantir um IPE público e solidário, atendendo com qualidade a todos os segurados(as).

Edson Garcia, vice-presidente do Sindicato e Conselheiro do IPE Prev, abordou questões relativas ao IPE Previdência. “O governo Sartori fragilizou todo o Instituto fazendo a divisão da autarquia. É imprescindível salientar que temos dentro do CPERS a representação tanto do IPE Prev quanto do IPE Saúde para orientar a categoria”, salientou.

Garcia também considerou fundamental não deixar cair no esquecimento os ataques do governo Eduardo Leite. “Temos que pensar nesse Encontro como a plantação de uma semente de consciência. O governo Leite foi o primeiro a não conceder reajuste aos funcionários. Não podemos esquecer disso nunca.”

A diretora do Departamento de Funcionários(as) do CPERS, Juçara Borges, alertou sobre a importância dos agentes educacionais atentarem para o direito à insalubridade. “Têm colegas que já recebem, só que ganham 20% e o que está sendo concedido agora é 40%. É preciso que solicitem à direção da sua escola o formulário para fazer o requerimento administrativo. Nosso jurídico está orientando a todos que tiverem dúvidas”, explicou.

Para falar sobre a atuação do Sindicato junto ao Conselho Estadual de Alimentação Escolar, a iniciativa contou com a participação da representante da entidade no Conselho Estadual de Alimentação Escolar, Raquel De Los Santos Fidelis.

Também participaram do Encontro a diretora do 22º Núcleo (Gravataí), Leticia Coelho Gomes, a diretora do 38º Núcleo (Porto Alegre), Terezinha Bulle da Silva e a tesoureira do 39º Núcleo (Porto Alegre), Klymeia Mendonça Nobre.

Informe jurídico: direitos e esclarecimento de dúvidas

O confisco da Previdência, o reajuste de 6% aos servidores(as), o qual não impactou na remuneração dos funcionários(as) de escola, o reenquadramento do Local de Exercício, os percentuais de insalubridade e as ações judiciais na defesa dos direitos da categoria foram alguns dos assuntos abordados pelos advogados Tatiane Feitas e Marcelo Fagundes, da assessoria jurídica do CPERS, representada pelo escritório Buchabqui e Pinheiro Machado.

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Foto: Joana Berwanger/Sul21

A eleição do próximo domingo, dia 2 de outubro, será a primeira, em mais de 30 anos, sem passe livre nos ônibus do transporte coletivo de Porto Alegre.

Em dezembro de 2021, o prefeito da capital, Sebastião Melo (MDB), sancionou uma lei, de autoria do próprio governo municipal, que alterou as regras para o dia de isenção tarifária, o que impossibilitará o direito de voto para milhares de cidadãos e cidadãs, especialmente os mais pobres.

A legislação revogou o parágrafo que definia, dentre outras datas, “os dias de eleições em qualquer nível” como dias que a população poderia utilizar os ônibus sem pagar a tarifa.

Com isso, a isenção está restrita a somente o dia de Nossa Senhora dos Navegantes (2 de fevereiro) e em campanhas de vacinação de grande relevância e alcance, conhecidas como “Dia D”.

Para o presidente em exercício do CPERS, Alex Saratt, a não concessão do passe livre é uma afronta ao apelo democrático que a sociedade tem feito e o desejo de mudança nas urnas.

“O retrocesso das mudanças sobre o transporte público em Porto Alegre tornou a vida de estudantes e professores mais difícil. Mas alguns aspectos nefastos só foram percebidos em momentos decisivos, como o dia das eleições. O fim do passe livre, além de excludente, mostra-se antidemocrático”.

O Sindicato lutará para garantir o acesso de todos às urnas e ao voto pela mudança, não podemos permitir tamanho retrocesso.

Informações: CUT RS

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Foto: André Ávila / Agencia RBS

É preciso aprender com os erros!

O Rio Grande do Sul corre o grande risco de um segundo turno em que os gaúchos e gaúchas terão que optar, novamente, entre dois desastrosos projetos: do neoliberalismo ou da radicalização autoritária do já visto na esfera federal. Não podemos permitir!

O último debate com os candidatos ao governo do Estado, realizado nesta terça-feira (27), deixou bem claro que é possível fazer diferente e escolher quem está ao lado dos trabalhadores(as) gaúchos.

➡️ Um que defende políticas públicas de valorização profissional, condições de trabalho, saúde e aposentadoria, que defende investimentos para financiar a escola pública e pretende governar com inclusão e bem-estar social.

➡️ Outro que representa a velha política, que preza pelos direitos dos patrões em prejuízo da classe trabalhadora e pretende seguir a linha fascista do atual governo federal. Como deputado, votou a favor da reforma trabalhista e da Emenda à Constituição n.º 55 – a PEC do Teto de Gastos. Enquanto Ministro, foi um dos articuladores da reforma da Previdência. Além de ser pró-armas e a favor das privatizações e o desmonte do serviço público; 

➡️ E um candidato deixou um legado de destruição, autoritarismo e aprofundamento da miséria da categoria. Mentiu que concedeu 32% de reajuste para toda a categoria e concedeu aumento de 6%, mesmo com uma defasagem de mais de 50%. Vendeu o patrimônio público do estado a preço de banana, exterminou direitos, promoveu o desmonte da escola pública e se vangloria por fazer o que está na lei como pagar salário e o 13° em dia.

Deixamos o alerta: não se enganem! Os dois últimos projetos são faces da mesma política de morte, com lucro acima da vida, ataques à escola pública, destruição de direitos, confisco de aposentados(as), desmonte, precarização e privatização.

Neste domingo, 2 de outubro, lembre-se que atrasar salários, isentar impostos dos ricos, atacar aposentados(as) e não pagar o piso na sua integralidade são agendas políticas. 

Lembre-se: o teu voto fará a diferença na eleição para assegurar um projeto a serviço do povo gaúcho(a) e brasileiro(a), com a defesa da democracia e de uma escola pública laica, democrática, gratuita e de qualidade social.

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Foto: Álvaro Henrique/ Secretaria de Educação do DF

A oferta do ensino remoto desigual, que aconteceu na pandemia da Covid-19 no Brasil, provou que o ensino presencial é insubstituível para quem precisa superar as lacunas da alfabetização. A afirmação é do sociólogo e professor na Universidade Federal do ABC (UFABC), Sérgio Amadeu, em relação à notícia de que redes estaduais e municipais no Brasil estão adquirindo uma plataforma americana para diminuir os números negativos sobre aprendizagem no país, publicada na Folha de São Paulo no último dia 22 de setembro. Este déficit é comprovado com os resultados de avaliação federal realizada em todo o país em 2021, que foram divulgados recentemente, e que mostram em números a defasagem do aprendizado e a desigualdade do acesso às aulas remotas.

Amadeu destacou também a ampliação dos problemas sócio-técnicos gerados no período da pandemia e que precisam ser relevantes nas tomadas de decisões sobre o processo educacional digital. “A plataforma pode funcionar para estudantes que possuam condições adequadas de acessá-la. Entretanto, o atraso escolar dos jovens brasileiros vem exatamente por falta de condições apropriadas de aprendizagem. Como uma criança vai aprender matemática no celular, se ela não tem um aparelho adequado, se a casa dela é pequena e não permite concentrar a atenção?”, questionou o professor que também é membro do Comitê Científico Deliberativo da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber), foi um dos implementadores dos Telecentros na América Latina e presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.

Para a secretária de formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marta Vanelli, qualquer plataforma digital de aprendizagem que não vier em conjunto com uma política para universalizar a internet não vai funcionar. Segundo ela, é preciso que o Estado garanta estrutura e alfabetização digital.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são cerca de 28,2 milhões de brasileiros de 10 anos ou mais de idade que não usavam a internet em 2021, sendo que 3,6 milhões deles eram estudantes. Os excluídos digitais representam 15,3% da população nessa faixa etária. Os dois motivos mais mencionados para a exclusão digital foram: não saber usar a internet (42,2%) e falta de interesse (27,7%). Já 20% apontaram motivos financeiros para a falta de acesso, 14% disseram que o acesso à rede era caro e 6,2%, que o equipamento eletrônico necessário era caro.

“Se não tiver uma política de internet em todas as escolas do nosso país e em todas as casas dos nossos estudantes não teremos plataforma que dê conta do processo de ensino aprendizagem. Sem internet não tem como usar a plataforma, então é balela colocar dinheiro público nas instituições de tecnologia que a gente já sabe que não vai ter efeito nenhum e a pandemia mostrou isso pra gente”, afirmou a dirigente.

Não se pode negar que as plataformas virtuais podem ser um bom recurso pedagógico para ajudar as/os professoras/es e os/as nossos/as estudantes no país. A CNTE chegou a fazer campanha para distribuir tablets e chips para que mais alunos pudessem ser incluídos no mundo digital.

“A CNTE sempre reivindicou que era necessário distribuir, além de tabletes, chips para os estudantes terem acesso à internet, isso pra mim é fundamental. Se a gente não consegue ampliar e universalizar a internet do nosso país, como é que vamos garantir a melhora da aprendizagem de forma mais igual? Por isso a aula presencial é mais do que importante, é necessário”, ressalta Marta.

A entidade foi protagonista do tuitaço ”Essencial É A vida”, em defesa da conectividade nas escolas públicas e contra o retorno às aulas presenciais sem a devida segurança sanitária em tempos de pandemia. A hashtag da campanha #EssencialÉAVida fez parte da 22ª Semana em Defesa e Promoção da Educação Pública e foi para pressionar o Congresso Nacional para que derrubasse o veto de Bolsonaro ao Projeto de Lei 3.477/20 que previa a garantia de acesso à internet, com fins educacionais, a alunos e a professores da educação básica pública.

Entre os vetos cassados estavam os de número 48 e 56, que restabeleceram na Lei 14.057 a possibilidade de os profissionais do magistério e às escolas de todo país acesso à internet em banda larga, até 2024, por meio da utilização de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações – Fust, previstos na Lei 14.109.

>> Saiba mais: Luta social garante derrubada de vetos do governo Bolsonaro na educação

O papel da plataforma digital e seus riscos

A plataforma de educação, que se refere a reportagem, se baseia no conceito de “mastery learning”, ou aprendizado de domínio, em que o aluno recebe apoio para dominar cada etapa do conteúdo antes de seguir para a próxima.

Para Sérgio Amadeu, entregar dados do desempenho escolar de estudantes brasileiros para uma plataforma norte-americana não parece correto, já que os EUA não tem uma legislação que seja compatível com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo ele, as Big Techs que financiam soluções online têm interesse na coleta de dados massivos para criarem produtos e serviços e os sindicatos têm a responsabilidade com o tema em cada canto deste país.

“O ensino e aprendizado podem melhorar muito com recursos digitais, com o aprendizado de máquina, mas não consigo ver como melhorar o aprendizado fora dos contextos em que os jovens vivem. O problema é que as pessoas podem ter sua carreira e suas notas prejudicadas por projeções e predições sobre elas que nunca serão confirmadas. A tecnologia não é neutra, ela traz a cultura e a cosmovisão de quem a criou. Os sindicatos precisam aprofundar sua visão sobre esses processos para lutar por seus direitos e evitar injustiças tecnológicas”, ressaltou.

Amadeu afirmou que o processo de ensino e aprendizado precisa ser contextualizado e sugere que é preciso recursos educacionais abertos que envolvam os educadores na produção do processo de conteúdo educacional com ajuda das universidades brasileiras.

“Isso geraria uma mobilização positiva e avançada no processo educacional. Imagine o quanto podemos melhorar nossos processos se tivermos bolsas para educadoras e educadores criarem seus materiais com o apoio das universidades brasileiras que possuem um grau elevado de excelência tecno-científica”.

Posicionamento CNTE
A entidade já se posicionou sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e a educação digital e disse que elas não constituem um fim em si mesmo e precisam ser adotadas como apoio aos conteúdos presenciais. Para a CNTE, a escola básica pública precisa primar pela oferta presencial, a fim de garantir todos os elementos socioeducacionais e culturais que permeiam a educação de crianças, jovens e adultos.

“A convivência social é fator primordial para a formação da cidadania, especialmente para o respeito às diferenças. As TICs e a educação digital não devem jamais estimular
a oferta escolar à distância, pois esta não atende aos preceitos constitucionais da educação e à realidade da maioria dos estudantes brasileiros.O Estado precisa garantir a formação dos profissionais da educação e fornecer todos os equipamentos e condições para o desenvolvimento das TICs e da educação digital nas escolas públicas brasileiras”, diz trecho da avaliação da CNTE sobre o PL 4513/2020, de autoria da Deputada ngela Amin (PP/SC), que prevê instituir a Política Nacional de Educação Digital.

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