Nesta quinta (08), o CPERS participou do debate “Pactuando o enfrentamento ao Feminicídio no RS”, dentro da programação dos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, promovido pela campanha nacional Levante Feminista Contra o Feminicídio no RS.

“É importante trazermos esta pauta aqui hoje. 90% da nossa categoria é formada por mulheres. Temos um sério compromisso na luta contra o feminicídio e a violência contra a mulher”, destacou a presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer.
Durante o encontro, que contou com a participação de quase 70 mulheres e alguns homens, foram apresentados dados do “Dossiê: Feminicídios no Rio Grande Do Sul”, da Lupa Feminista, que demonstram a realidade do Estado quanto à violência contra mulheres.
>> Confira os dados completos do Dossiê aqui
De acordo com o documento, em 2022, o RS já registrou 95 feminicídios. Além disso, o estado tem 41.621 situações de agressão doméstica, incluindo ameaça, lesão corporal e estupro.
De 2012 até o dia 31 de outubro deste ano, 1.022 mulheres foram assassinadas (SSP/RS). A cada 3,17 dias, uma mulher é vítima fatal por razões de gênero. Em 2021, computados os transfeminicídios, foram 99 mortes.
Conforme a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do RS, após iniciar 2022 com um caso a menos em janeiro, na comparação com o primeiro mês de 2021, os feminicídios voltaram a subir em fevereiro. Nos três primeiros meses do ano ocorreram 28 feminicídios com as seguintes características, de acordo com a Polícia Civil.
Os dados também apontam que 21 das 27 vítimas eram mães, 14 delas tinham filhos com o autor do feminicídio; 66 pessoas perderam suas mães em decorrência do feminicídio, 30 delas, crianças e adolescentes.

Para a jornalista e pesquisadora Niara de Oliveira, integrante da Campanha e finalista do Prêmio Jabuti pelo livro “Histórias de mortes matadas contadas feito morte morrida” (Drops Editora), é preciso unidade para fazer a luta por políticas de combate ao feminicídio.
“É preciso fazer a articulação entre coletivos, movimentos e sociedade; falta vontade política para este combate. Por isso, o mapeamento que fizemos, junto a uma série de iniciativas, é fundamental para a luta contra o feminicídio e a defesa da vida e a dignidade de milhares de mulheres”, destacou.
A doutoranda em Sociologia, Suelen Aires Gonçalves, apresentou questões relacionadas à sua pesquisa sobre políticas públicas e a violência contra mulheres negras junto à PUC-RS.
“No meu trabalho, queria falar sobre violência contra a mulher e a questão de raça. Eu, como mulher negra, sei bem o que é a invisibilidade. Por isso, ao longo da minha trajetória acadêmica, fui guardando inquietações até este último trabalho. Pesquisei o impacto das políticas públicas no enfrentamento do feminicídio. Quem são estas mulheres e suas trajetórias de vida interrompidas sempre foi algo que me gerou inquietações”, explicou.

O Departamento de Gênero e Diversidade do CPERS defende que é preciso lutar contra todas as formas de opressão, pois o machismo, o racismo, o capacitismo, a LGBTfobia são responsabilidades de todas(os). É preciso apoiar os que sofrem as agressões, discutir, informar e promover ações que fortaleçam a luta contra a opressão.
Também participaram do evento a influencer digital Elisandra Carolina dos Santos (Movimento Inclusivas de Mulheres com Deficiência), integrante da coordenação nacional ao lado da jornalista Telia Negrão, e a Promotora Legal Popular, Fabiane Lara dos Santos (Themis).
>> Confira os DEZ PONTOS que compõem a pauta de luta, debatidos durante o encontro:
1) Uma política efetiva de enfrentamento, com políticas públicas de prevenção e atendimento, em rede. Orçamentos para financiar as políticas públicas. Capacitação dos serviços.
2) Aplicação das Diretrizes para Investigar, Processar e Julgar os Crimes Violentos de Mulheres com Perspectiva de Gênero.
3) Maior transparência e publicidade dos julgamentos dos feminicídios tentados e consumados.
4) Aplicação dos indicadores de deficiência, raça e etnia, identidade de gênero e outros em todos os atendimentos.
5) Adoção de medidas para a acessibilidade universal a todos os serviços.
6) Restabelecimento da linha telefônica gratuita.
7) Capacitação com perspectiva de gênero e interseccional para profissionais da rede.
8) Campanhas de informação, comunicação e educativas.
9) Rechaço à tentativa de permanente mascaramento dos feminicídios.
10) Restituição do papel do Centro de Referência Vânia Araújo Machado. FIM DAS ARMAS!!!!
O Levante feminista contra o feminicídio conta com todas as pessoas que consideram o assassinato de uma mulher uma violação aos Direitos Humanos.
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