A cidade de Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná, receberá a Jornada Latino-Americana e Caribenha de Integração dos Povos, entre os dias 22 e 24 de março. O evento reunirá lideranças políticas e sociais de 15 nações, com o objetivo de discutir soluções e caminhos para ampliar a aproximação entre os países do continente.

Representantes da direção estadual do CPERS estarão presentes no encontro ao lado de integrantes de movimentos populares, de mulheres, estudantis, sindicatos, lideranças políticas, intelectuais, comunidades acadêmicas e representantes governamentais. A vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, e o ex-presidente uruguaio, José Pepe Mujica, também marcam presença na Jornada.

“Vamos nos reunir com todas as organizações sociais, sindicatos, movimentos estudantis e partidos políticos possíveis para conversar e intercambiar sobre os problemas comuns da ‘Nuestra América’ e dos caminhos para o futuro. Por cima das diferenças que possamos ter, temos um conjunto de interesses comuns. Em Foz do Iguaçu, onde se juntam as fronteiras, vamos juntar a esperança”, declara Pepe Mujica sobre o encontro.

O evento acontecerá no Centro de Convenções de Foz do Iguaçu e terá mesas de debates com temas relacionados à crise sistêmica do capitalismo, ameaças à paz e à soberania dos povos, manifestações culturais e, claro, os desafios da integração da América Latina e do Caribe.

Mais informações sobre a Jornada Latino-Americana e Caribenha de Integração dos Povos estão disponíveis no site jornadadelospueblos.org.br

Confira a programação completa:

22 de fevereiro (quinta-feira) 

9h – Ato de abertura e mística
10h – Conferência: “Crise sistêmica do capitalismo e as ameaças à paz e à soberania dos povos”
12h – Almoço
14h às 17h30 – Mesas de trabalho simultâneas
19h – Jantar
20h às 23h – Ato político-cultural: “Cuba Vive e Resiste!”

23 de fevereiro (sexta-feira)

9h – Mística
8h30 – Conferência: “Desafios da integração da América Latina e do Caribe (diálogo com partidos políticos, parlamentos, governos e movimentos)”
12h – Almoço
14h às 16h – Mesas de trabalho simultâneas
16h às 18h – Plenária final e leitura do documento final
18h – Jantar
19h30 – Ato político com autoridades de governos e dirigentes das organizações populares
21h30 às 23h – Festival Cultural e de Resistência da América Latina e do Caribe

24 de fevereiro (sábado)

Retorno das delegações
Local do evento: Centro de Convenções de Foz do Iguaçu (Rua Jardim Alegre, esquina com a Avenida das Cataratas)

Fonte: CUT-PR

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Teto com infiltração, muro caindo, problemas elétricos, obras atrasadas ou inacabadas. Ao contrário do propagandeado pelo governo Eduardo Leite (PSDB) e pela grande mídia, 2024 marca mais um início de ano letivo com diversas escolas estaduais apresentando problemas estruturais graves, que prejudicam o trabalho de funcionárias(os), professoras(es) e equipes diretivas e o acesso de estudantes a uma educação de qualidade.

Devido à falta de transparência sobre a real situação das instituições estaduais de ensino, o CPERS, que há anos denuncia a incapacidade da atual gestão em iniciar o ano com as escolas em ordem, vem novamente solicitar o apoio da comunidade escolar para identificar as reais necessidades das escolas. 

Para além das questões estruturais, o Sindicato também busca fazer um levantamento de desafios enfrentados, como a falta de RH, municipalização, enturmação, pressão constante por parte dos órgãos do governo, falta de biblioteca ou até questões de assédio no ambiente escolar.

▶️ Preencha o formulário abaixo e ajude o CPERS a defender a educação pública.
É rápido, fácil e seguro!

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Na manhã desta terça-feira (20), o presidente do IPE Saúde, Paulo Afonso Oppermann, realizou a assinatura do documento de credenciamento do Hospital Montenegro para atendimentos na região. Os segurados do IPE Saúde do 5º Núcleo do CPERS (Montenegro) poderão realizar exames e consultas a partir de 5 de março.

A oficialização ocorre após intensa pressão do Sindicato, que vem cobrando da gestão do Instituto a melhoria na qualidade dos atendimentos em todo o Rio Grande do Sul.

“Desde início de outubro, os segurados do IPE Saúde de Montenegro estavam sem atendimento. O CPERS foi uma das entidades que pressionou para que esse credenciamento se efetivasse. Mobilizamos os representantes das diferentes categorias e também representantes do Conselho de Administração do Instituto”, ressalta a diretora do Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do CPERS e representante do Sindicato no Conselho de Administração do IPE Saúde, Vera Lessês.

A diretora do 5º Núcleo, Elisabete Pereira, esteve presente no evento de assinatura representando o Sindicato. Com o credenciamento do Hospital, cerca de 1.600 usuários(as) do IPE Saúde devem ser atendidos pelo estabelecimento.

O CPERS seguirá pressionando por melhorias e qualidade no atendimento médico. Não é possível que, após o aumento das cotas de participação, os serviços do Instituto estejam cada vez mais precarizados. No dia 22 de março, a partir das 9h, realizaremos um ato em frente à sede do IPE Saúde, em Porto Alegre. Contate seu núcleo e saiba como participar!

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Com o objetivo de compartilhar experiências e boas práticas entre as entidades filiadas, a CNTE promoveu, nesta segunda (19) e terça-feira (20), em Brasília, o encontro do Coletivo de Comunicação da Confederação. Os desafios e o planejamento das ações de comunicação dos sindicatos para 2024 estiveram no centro do debate.

Representando a Comissão de Comunicação do CPERS, participaram da reunião os diretores, Leonardo Preto Echevarria e Sandra Régio. 

“Esse encontro do Coletivo da Comunicação da CNTE foi muito importante no que tange às experiências vividas na comunicação por vários sindicatos do Brasil. Também tivemos a oportunidade de apresentar as nossas experiências e o que estamos fazendo no CPERS e o que a gente pode estar levando para o nosso associado”, destaca a diretora Sandra.

“Debatemos vários assuntos referentes à comunicação, como a regulamentação das mídias, a participação efetiva das entidades no Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, iniciativas de reunião com a Abraço Brasil, que é a associação das rádios comunitárias. Também tiramos uma propositiva de um grande seminário sobre a Palestina e a organização de um encontro da comunicação em outras capitais”, analisa o diretor Leonardo.

Coordenada pelo secretário de Imprensa e Divulgação da CNTE, Luiz Vieira, a primeira parte da programação contou como uma análise histórica da conjuntura da educação e da política internacional. Além disso, também foi dado destaque às ações que precisam da mobilização e fortalecimento vindo dos trabalhadores(as). Um dos exemplos, foi a necessidade de defesa da Conae 2024, que tem sofrido ameaças e tem sido alvo de desinformação por parte da mídia e de membros políticos da direita.

Painel sobre os meios de comunicações

Ainda no primeiro dia, o encontro contou com as contribuições do jornalista e representante do Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações (FNDC/DF), Marcos Urupá, no panorama sobre os meios de comunicação. Em sua fala, o jornalista trouxe uma análise sobre a relevância e a influência que os meios tradicionais, como rádio e TV, e a diferença de alcance e trabalho nestes, comparada às novas mídias digitais.

“Um serviço público e gratuito”, afirmou ao explicar a importância dos meios de radiodifusão na comunicação com a sociedade. “As redes sociais são importantes, mas elas por si só não dão conta do debate público como um todo. Isso acontece, pois elas exigem muito das instituições. Tem a necessidade de ter um corpo que crie alguma interação e engajamento. Você precisa de alguém profissional para trabalhar com isso”, relatou.

“Então, eu faço esse panorama para dizer como é necessária a comunicação estratégica, e isso é constituído a médio e longo prazo, sendo bom para diversos departamentos, não só para aquele que é profissional da comunicação”, finalizou.

Entidades compartilham experiências na comunicação com trabalhadores

No segundo dia de reunião, em breves apresentações, cada um dos representantes das entidades teve a oportunidade de compartilhar as estratégias de comunicação investidas por suas entidades no diálogo com a base. 

Entre as exposições, uma questão levantada pela secretária-Geral da CNTE, Fátima Silva, destacou a necessidade de não deixar a comunicação dos sindicatos ter uma personificação. “Muitas vezes, as nossas entidades carregam também uma personificação na comunicação que não é a sua identidade. Pode parecer que é voltada para promoção de determinados dirigentes”, explicou.

Para Ana Paula Messeder, assessora de Comunicação para a CNTE, outro fator importante é que os sindicatos mantenham seus websites atualizados como um repositório de informação. 

“(Os sites) não podem ser religados em detrimento das redes sociais. É pelo site que as entidades, as pessoas e a população conhecem o sindicato. Lá está a posição política, a linha editorial, todo o conteúdo e histórico”, reforçou.

“O conteúdo do site precisa estar sempre atualizado, porque eles são fontes de informação para a mídia, jornalistas e também para pesquisadores. Então esse material tem que ser de fácil acesso. Essa é uma preocupação a se ter”, finalizou.

Ana também reconheceu o benefício das pílulas de informações trabalhadas nas mídias sociais de algumas entidades. Entretanto, alertou a necessidade de pensar em estratégias de diálogo com a parcela do público da base que não utiliza redes sociais para se informar. 

“Quais são os instrumentos que nós temos que usar para engajar mais essas pessoas, né? Então, não podemos perder de vista que é importante ter um jornal impresso, por exemplo, para as pessoas que gostam do papel”, disse.

Ato contra o genocídio na Palestina e homenagem à Raquel Ghizone

Durante o encontro, os dirigentes também se manifestaram em solidariedade ao povo palestino. Com placas e dizeres de “Palestina: Pare o genocídio já”, e “salve as crianças palestinas”, o momento foi registrado em vídeos e fotos para reprodução nas redes sociais.

Já para o fim, outra homenagem foi feita, desta vez à educadora, sindicalista e militante, Raquel Ghizone. Em nome desta, essa edição do encontro foi rebatizado para “Coletivo de Comunicação Raquel Ghizone”.

Encaminhamentos

Como resultado dos debates realizados nos dois dias de Coletivo, foram apontados os seguintes encaminhamentos:

1) Apoiar todas as iniciativas que combatam políticas conservadoras no campo educacional;
2) Engajar entidades do meio educacional/sindical na pauta legislativa de interesse da classe trabalhadora;
3) Fomentar atividades culturais com grupos locais como eixo de mobilização e formação;
4) Fomentar nas redes sociais a política da cultura de paz nas escolas;
5) Fomentar a produção de matérias jornalísticas que pautem a democracia ou a falta dela nas escolas;
6) Dar destaque a candidaturas progressistas comprometidas com a defesa da educação pública nos estado e municípios;
7) Fazer um mapeamento para identificar os políticos que são inimigos da educação, para ser usado como instrumento no período eleitoral;
8) Engajar a luta para a regulamentação das plataformas digitais;
9) Levantamento local das rádios e TVs comunitárias para parceria com as redes de comunicação das entidades;
10) Buscar forjar parceria nos estados e municípios com os jornais Brasil de Fato e Brasil Popular;
11) Fomentar o envio de informações das entidades para o “Giro nos Estado” da CNTE;
12) Engajamento nas redes da CNTE pelas direções sindicais; e
13) Fomentar a realização de encontros, seminários e oficinas sobre comunicação sindical.

Com informações da CNTE

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ATENÇÃO, CATEGORIA: NO DIA 22 DE MARÇO, O SEU COMPROMISSO É COM A LUTA!

A partir das 13h30, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre, vamos realizar uma grande Assembleia Geral para definir os próximos passos da mobilização pela valorização salarial das(os) funcionárias(os) e professoras(es), nomeadas(os) e contratadas(os), ativas(os) e aposentadas(os), com e sem paridade, e contra os ataques do governo Eduardo Leite (PSDB), que têm devastado a educação gaúcha.

Somente a nossa união fará com que avancemos na reivindicação por um reajuste justo para todas(os) as(os) trabalhadoras(es) das escolas estaduais do RS.

Neste mesmo dia, a partir das 9h, estaremos em frente à sede do IPE Saúde na capital para cobrar qualidade no atendimento médico. Não é possível que, após o aumento das cotas de participação, os serviços do Instituto estejam cada vez mais precarizados.

Clique aqui para contatar o seu núcleo! A luta pela educação é de todas(os) nós!

#MarçoDeLutas #CPERS

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O governo Eduardo Leite (PSDB) anunciou, nesta terça-feira (20), que encaminhará à Assembleia Legislativa, ainda nesta semana, um projeto de lei para reajustar os salários das professoras(es) da rede estadual, conforme o índice proposto pelo MEC, de 3,62%.

Em mais um exemplo claro de como a valorização dos profissionais da educação ainda está longe de ser uma prioridade genuína para a atual gestão, o governo novamente fará com que aposentadas(os) paguem o seu próprio reajuste através da parcela de irredutibilidade, demonstrando a sua total falta de sensibilidade e respeito para com aquelas(es) que dedicaram anos de suas vidas ao ensino e que agora enfrentam dificuldades para suprir suas necessidades básicas.

Além disso, é inaceitável que o governo ignore completamente a situação das(os) funcionárias(os) de escola, que amargam um vergonhoso salário básico de R$ 657,97 e precisam escolher entre comer e pagar as contas. Essas(es) profissionais desempenham um papel fundamental no funcionamento das instituições de ensino, e sua remuneração não condiz com a importância de seu trabalho. Ao deixar de incluí-las(os) no debate sobre o reajuste salarial, o governo mostra um completo desprezo por essa parcela essencial da comunidade escolar.

É também preocupante notar que o anúncio foi feito sem qualquer diálogo com o CPERS, apesar das promessas anteriores do governador de envolver a categoria nas discussões sobre o tema.

É importante registrar ainda que prefeitos e governadores não são impedidos legalmente de conceder reajuste superior ao anunciado pelo MEC e devem observar que não conceder a inflação do período fere a previsão constitucional de irredutibilidade salarial. Em 2023, o Brasil fechou o ano com uma inflação (IPCA/IBGE) acumulada de 4,62%. Vale ressaltar também que as perdas inflacionárias da categoria, até dezembro de 2023, somam 59,31%.

O CPERS não aceita esse descaso e reafirma a sua luta intransigente por respeito e valorização salarial para TODA a categoria: professoras(es) e funcionárias(os) de escola, da ativa e aposentadas(os), com e sem paridade, em sua integralidade. Acompanhe nossas redes para saber como participar das mobilizações do #MarçoDeLutas por valorização!

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Nesta segunda-feira (19), o CPERS e a comunidade escolar do Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Neeja) Paulo Freire, representada pela equipe diretiva, professores(as) e estudantes, se reuniram com a secretária de educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira, na sede do órgão, em Porto Alegre. A discussão tratou de encaminhar o destino da escola, que pode mudar de endereço por conta de problemas estruturais no prédio. 

A reunião ocorre poucos dias depois do 2º vice-presidente do Sindicato, Edson Garcia, e da tesoureira, Rosane Zan, visitarem a escola e dialogarem com as educadoras(es) e alunas(os)

Desde 2019, o Neeja, localizado na rua Coronel Bordini, solicita reformas ao governo estadual, já que a instituição necessita de obras no telhado e requer melhorias no Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios (PPCI). No entanto, a sugestão de transferência da escola para a rua Felipe de Oliveira, durante o período de revitalização, impediria que diversas alunas e alunos seguissem estudando. 

“Quem conhece a Felipe de Oliveira, sabe que não é um local de fácil acesso. Sabe que ali não passa ônibus para todas as regiões da cidade. A rua fica em um lugar ermo à noite e distante do centro da cidade, onde os alunos trabalham”, enfatizou o professor Edson. 

Durante a reunião, a garantia da segurança dos estudantes foi definida como prioridade das decisões que serão tomadas. Na tarde desta terça-feira (20), Raquel Teixeira se reunirá com a secretária de obras públicas, Izabel Matte, para discutir a elaboração de um laudo técnico a respeito da situação da escola. 

Cuidado com o educando dentro e fora da sala de aula

A proteção dos estudantes passa pela qualidade da infraestrutura do Neeja, mas passa também por sua  segurança ao se deslocarem pela cidade e pela manutenção do seu acesso à educação.

As turmas da EJA possibilitam outro futuro aos jovens e adultos gaúchos, mas têm sido encerradas por todo estado. Em 2020, a EEEF Estado do Rio Grande do Sul, que ficava no centro da capital e guardava cinco décadas de história, foi fechada pelo governo Leite (PSDB). “Esse fechamento faz com que a população carcerária cresça, assim como a população negra sem acesso”, explica Edson. 

De acordo com a tesoureira do CPERS, Rosane Zan, estudantes das EJAs precisam ter seus direitos assegurados. “Não podemos deixar que o estudante caia na marginalidade, a gente precisa oferecer o acesso à educação para esse alunado”, destaca a educadora. 

O CPERS segue na luta pela manutenção do único Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos que restou na área central da capital: o Neeja Paulo Freire. A questão geográfica é imprescindível para o acesso à educação das alunas e dos alunos que enxergam uma perspectiva de formação na escola. O compromisso do Sindicato é com a defesa das EJAs e do direito de todas(os) que não conseguiram estudar no tempo certo, mas que desejam concluir seu processo de ensino-aprendizagem. 

 

Fotos: Joana Berwanger

 

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Foto destaque: Luis Fortes/MEC

Nesta segunda-feira (19), a CNTE lançou uma nota pública criticando a posição dos três principais jornais de circulação no Brasil e uma revista semanal, que publicaram editoriais e matérias acusando a Conae 2024 de promover disputa ideológica e metas inviáveis para a educação brasileira na próxima década.

No documento, a Confederação ressalta que as principais críticas dos veículos às deliberações da Conferência se pautam em contraposições aos projetos de educação domiciliar, das escolas Cívico-Militar e Sem Partido e a revogação da reforma do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), pautas que colocam em risco a democracia e a garantia do direito à educação para todos(as).

A CNTE reitera sua defesa às deliberações da Conae e exige que o documento final da Conferência seja inteiramente absorvido pelo Executivo em seu projeto de lei e nas votações do Congresso Nacional. Confira a nota completa abaixo:

Imprensa nacional ataca resultados da Conae 2024 na tentativa de impor pautas neoliberais e conservadoras à educação. No fundo, é luta de classes!

Logo após o encerramento da Conferência Nacional de Educação (Conae 2024), marcado pelo grito de “FORA LEMANN”, entoado na plenária final pelos mais de 2.000 delegados(as) presentes na Universidade de Brasília, os três principais jornais de circulação no Brasil e uma revista semanal publicaram editoriais e matérias em que, resumidamente, acusam a Conae de (1) promover disputa ideológica com setores conservadores da sociedade, (2) equivocar-se no diagnóstico e nas prioridades para a educação e (3) propor metas inviáveis para a educação na próxima década. Um deles chegou a cobrar um “plano consistente e habilidade política” ao Ministro da Educação, Camilo Santana, tanto para mediar as necessidades urgentes da educação no Congresso Nacional como para lidar com pressões da base sindical ligada ao PT.

Esse último argumento foi requentado por Veja, que cita, em matéria publicada no último sábado (17), a amizade do presidente da CNTE e coordenador do Fórum Nacional de Educação, Prof. Heleno Araújo, com o presidente Lula (PT), como fator de sobreposição do debate ideológico (de esquerda) aos supostos interesses genuínos e de neutralidade que devem embasar o futuro Plano Nacional de Educação (PNE). Contudo, para Veja, o essencial é manter a reforma do Ensino Médio (NEM) ancorada na ideologia neoliberal, e a revista atua claramente para influenciar a aprovação do desastroso substitutivo do deputado Mendonça Filho (União/PE) – ex-ministro da Educação de Michel Temer (MDB) e coautor do NEM – na Câmara dos Deputados.

Para além da contradição supramencionada, os editoriais publicados no dia 1º/02/24, pela Folha de São Paulo, e nos dias 13 e 14/02/24, pelo O Globo e O Estado de São Paulo, respectivamente, contêm incoerências metodológicas e se alicerçam, assim como a matéria de Veja, em pautas neoliberais que perfazem a ideologia política, social e econômica desses veículos de comunicação voltada para a educação e o conjunto das políticas públicas.

As principais críticas da Folha de São Paulo às deliberações da Conae se pautam nas contraposições apresentadas no texto da Conferência aos projetos de educação domiciliar (homeschooling), das escolas Cívico-Militar e Sem Partido (mordaça aos educadores) e de revogação da reforma do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O periódico e os demais veículos que se posicionaram sobre esses temas não veem riscos à democracia e à garantia do direito à educação – para todos(as) -, nas proposições que fundamentam o ultraliberalismo e o projeto golpista do bolsonarismo, responsáveis por verdadeiros apartheids socioeducacionais e pelo recrudescimento das pautas de costumes no país.

Outro tema destacado pelo lobby midiático refere-se à proposta da Conae 2024 de reeditar a meta 20 do atual Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê alcançar o investimento equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação, ao longo da próxima década. Os periódicos argumentam que o atual investimento na educação brasileira (5,2% do PIB em 2022) é similar ao de países desenvolvidos e em desenvolvimento, a exemplo da França (5,5%), da OCDE e seus parceiros (5,1%), entre outros. Ocorre, no entanto, que o PIB americano em 2023, país integrante da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento – OCDE, foi de US$ 26,9 trilhões, o chinês US$ 17,7 trilhões, o alemão e o japonês US$ 4,4 trilhões, o francês US$ 3,05 trilhões, tendo o Brasil alcançado US$ 2,1 trilhões. Além da gritante diferença de valores nominais e do impacto de 5% investidos na educação em cada um deles – sobretudo à luz das desigualdades de acesso, permanência e aprendizagem ainda gritantes no Brasil –, a maltrapilha comparação desconsidera a paridade do poder de compra em cada nação.

Nesse quesito, o Brasil ocupa a 51ª posição entre 105 países pesquisados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ou seja, mesmo sendo a 9ª economia mundial, nossa riqueza pelo poder de compra (câmbio efetivo) equivale potencialmente a 51ª economia. Dito isso, e no afã de desqualificar os encaminhamentos da Conae 2024, a grande mídia comparou alhos com bugalhos.

Não obstante as incoerências metodológicas, é preciso destacar que o investimento público em educação no Brasil (recursos disponibilizados para instituições públicas e privadas) nunca superou o patamar de 5,4% do PIB ao longo da última década – em flagrante descumprimento da Lei 13.005 (PNE) –, tendo decrescido em 2020 e 2021 para 4,8% e 4,5%, respectivamente. Em contrapartida, os gastos com a dívida pública alcançaram a média de 10% do PIB no período do golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff (2015 a 2018) e fechou o ano de 2022 em 7,9% do PIB. Esse patamar (que sufoca os investimentos sociais) supera em larga medida os níveis de rolagem da dívida pública em outros países, conforme mostra o relatório de Despesas por Função do Governo Geral1 . Em 2021, a média desses gastos frente ao PIB foi de 4,1% na América Latina, 2,9% nos países do G-20, 2,2% nos países emergentes e de 1,37% nas economias desenvolvidas.

O Documento-Referência da Conae e as emendas a ele aprovadas demonstram a necessidade de se elevar os investimentos públicos na educação pública ao patamar de 10% do PIB, até que o país quite as dívidas socioeducacionais e alcance padrões de qualidade e equidade em todos os níveis, etapas e modalidades da educação. Somente com novos investimentos será possível ampliar definitivamente as matrículas em tempo integral, ofertar mais vagas em universidades públicas e em escolas técnicas, melhorar a qualidade da formação docente e dos demais trabalhadores(as) em educação, valorizar os profissionais da educação básica com piso salarial e planos de carreira dignos, além de melhorar a infraestrutura das escolas e a qualidade da educação em todo o país. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB é um importante instrumento de equidade na oferta educacional, mas falta dinheiro novo para promover a qualidade da educação.

A Conae também identificou com segurança as fontes de recursos para se alcançar o investimento equivalente a 10% do PIB na educação, sendo que parte desse compromisso está condicionada à regulamentação da Reforma Tributária, em especial à taxação das grandes fortunas, uma experiência jamais vivenciada no Brasil! Apenas a criação do imposto sobre lucros e dividendos de pessoas físicas (ricas) – aprovado na Câmara e pendente de votação no Senado desde 2021 – tem capacidade de arrecadar cerca de R$ 200 bilhões ao ano, com previsões de repasses de mais de R$ 40 bilhões ao MEC e às secretarias estaduais, distrital e municipais de educação. Outras fontes significativas perpassam pela reoneração de tributos isentados às petrolíferas que exploram a camada Pré-sal (mais de R$ 1 trilhão até 2040, conforme a Lei 13.586/2017) e pela recomposição da participação da Petrobras em todos os poços de exploração no Présal (Lei 13.365/16).

Essas duas medidas pós-golpe de 2016 retiraram vultosas quantias do Fundo Social, que destina 50% de suas receitas à educação. Ademais, uma redução de 50% nos gastos de rolagem da dívida, além de posicionar o Brasil num patamar mais coerente ao de outras nações de mesmo porte, abriria margem de mais de R$ 500 bilhões ao ano para se investir em educação e outras políticas sociais. Lembrando, ainda, que a cada 1% a menos na taxa Selic o país economiza cerca de R$ 40 bilhões ao ano com juros da dívida. Portanto, tudo perpassa por vontade e prioridade políticas e pela condução responsável da economia, sem privilégios e com justiça tributária.

O relatório Education at a Glance 2023 – citado em alguns editoriais em comento – corrobora a tese de escassez de recursos na educação brasileira ao revelar que o investimento per capita no nível básico equivale a 1/3 (um terço) da média anual da OCDE – US$ 3.583 contra US$ 10.949. E os professores brasileiros da escola básica continuam entre os que recebem as piores remunerações entre as 46 nações pesquisadas. Alías, o piso salarial profissional nacional do magistério – importante conquista da categoria – não é cumprido em muitos municípios do Brasil, sendo, inclusive, motivo para o achatamento das remunerações em diversos entes que alegam não possuírem recursos para pagar o piso nas estruturas de planos de carreira.

Como alternativa ao subfinanciamento da educação básica – escancarado em relatórios internacionais –, o editorial do Estadão propôs transferir parte dos investimentos da educação superior para a educação básica, já que o primeiro encontra-se próximo a patamares de nações desenvolvidas. Ocorre que, além de não resolver o problema, essa condição promoveria o desmonte da ciência e da pesquisa nacionais, estratégia essa, diga-se de passagem, levada a cabo nos governos de Temer e Bolsonaro sob o manto da recém revogada Emenda Constitucional 95/2016. Ademais, trata-se de subjugar a soberania nacional e os interesses de uma nação que se pretende desenvolvida, para todos/as, diante do histórico complexo de vira-lata inerente às elites nacionais.

A eleição de Lula para seu 3º mandato presidencial – embora tenha contado com a adesão de outros setores que não admitiam mais a presença de um fascista e golpista no poder – representou, acima de tudo, a retomada de pautas sociais e estratégicas, que foram represadas pelas políticas ultraliberais implementadas nos seis anos que sucederam o golpe institucional de 2016. Sendo que a Conae significou a expressão das pautas progressistas em âmbito da educação, o que, dado o conteúdo dos três editoriais em questão e da matéria de Veja, colidem frontalmente com o projeto de sociedade defendido por quem financia a opinião pública brasileira.

Na condição de entidade representativa dos(as) trabalhadores(as) da educação básica pública no Brasil, a CNTE reitera sua defesa às deliberações da Conae 2024 e lutará para que o documento final da Conferência seja inteiramente absorvido pelo Executivo em seu projeto de lei e nas votações do Congresso Nacional.

A educação democrática e emancipadora é condição para o desenvolvimento soberano e para a igualdade social. O Brasil precisa superar os ciclos de pobreza gerados, em grande parte, pela baixa escolaridade e formação acadêmica de seu povo. Por um PNE inclusivo e transformador!

Brasília, 19 de fevereiro de 2024
Diretoria da CNTE

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As imagens de uma ação racista da Brigada Militar, que circularam nas redes sociais em todo país no último final de semana, denunciam um fato que muitos governantes tentam manter debaixo dos panos: o racismo é o modus operandi da segurança pública no Rio Grande do Sul. 

O CPERS, por meio do seu Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo, manifesta imenso apoio e solidariedade ao entregador Everton da Silva, que durante seu turno de trabalho foi duplamente agredido pela violência racial. 

Vítima de lesão corporal por um indivíduo branco que o perfurou com uma faca, o trabalhador recorreu à Brigada Militar por socorro, mas ao invés de ser protegido, foi abordado com truculência pelos agentes da BM. O verdadeiro criminoso, no entanto, foi tratado cordialmente. Esse episódio revoltante ocorreu em uma das localidades mais conhecidas da capital gaúcha, o bairro Rio Branco. 

Falta de compromisso político 

Não é a primeira vez que a Brigada Militar violenta pessoas negras no estado. De acordo com uma pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU), três características tornam um cidadão alvo de abordagens policiais no Rio Grande do Sul: ser jovem, ser preto e ter tatuagens, imagine a dificuldade de quem possui as três características. O Coletivo do Sindicato continuará denunciando crimes como este e cobrando que a polícia militar trabalhe a partir de protocolos de abordagem, para que fatos lamentáveis como este não voltem a acontecer. O que se nota, diante de situações similares a do último sábado (17), é que a instituição trabalha e funciona sob a égide do racismo.

Por isso, são absurdas as recentes declarações do governador Eduardo Leite (PSDB) sobre a responsabilização da Brigada Militar. É no mínimo ingênuo, ou perverso, que o chefe do executivo estadual manifeste confiança na Corregedoria da BM para avaliar a atuação dos agentes, sabendo que os profissionais se protegem.  

É preciso uma política contundente de combate ao racismo estrutural dentro dos órgãos públicos, sobretudo dos que possuem licença do Estado para o uso da força armada, para que haja, finalmente, alguma mudança de conjuntura. A população negra gaúcha quer sair para trabalhar com a tranquilidade de que voltará para casa em segurança. Apenas um governo comprometido com a superação do racismo é capaz de assegurar isso à comunidade. Infelizmente, Leite não demonstra o menor interesse em garantir a dignidade de pretos e pardos. Basta de racismo! Justiça para Everton Já! 

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Parlamentares da Comissão de Defesa e da Democracia (CDD) do Senado têm analisado uma proposta que busca incluir a educação política e o aprendizado sobre cidadania no currículo de alunos da educação básica. Apresentado pela deputada Renata Abreu (Podemos-SP), o PL 4.088/2023 obteve parecer favorável da relatora Senadora Teresa Leitão (PT-PE). Segundo a senadora, a iniciativa carrega grande relevância ao trabalhar a formação política da juventude, auxiliando também no amadurecimento dos estudantes.

“Eu falo de um entendimento mais amplo da realidade social política do nosso país. As pessoas pensam que participação política se dá apenas na hora de votar, e a gente precisa ampliar isso. Votar é uma das dimensões, mas tem outros aspectos que pressupõem uma leitura crítica de como se move a realidade brasileira”, reforçou Teresa.

A relatora ainda apontou a possibilidade do estudo da política e cidadania contribuir para mudar aspectos presentes na sociedade brasileira, tais como a criminalização da política e a valorização do individualismo.

Rosilene Corrêa, Secretária de Finanças da CNTE, destaca a proposta como uma importante possibilidade para que trabalhadores(as) em educação possam tratar do conteúdo, sem sofrer tantas distorções e criminalizações.

Atualmente, movimentos endossados por grupos de extrema-direita, como o da “Escola sem Partido”, são tidos como sérias ameaças à liberdade de educadoras(es) em sala de aula. Crítico a discussões de temas como combate ao preconceito, crimes de ódio, religião e gênero dentro das escolas, o resultado de desinformações sobre atuação de docentes tem colocado muitos sob perseguição.

“A formação cidadã precisa estar presente em nossa prática pedagógica curricular, para termos uma sociedade mais consciente e justa”, enfatiza.

Em alteração no texto original da política, a relatora defendeu que os temas sejam trabalhados em disciplinas já existentes, de maneira transversal. Ao invés da criação de uma disciplina exclusiva no assunto.

Tramitação

A análise do projeto seguirá para a Comissão de Educação (CE) antes da votação no plenário.

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