Ampliação da oferta de Ensino Médio na Lomba do Pinheiro é tema de audiência da Comissão de Educação


Na manhã desta terça-feira (28), a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa realizou audiência pública para debater a implantação do Ensino Médio na EEEF Maria Cristina Chika, no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre.

A reunião foi organizada a pedido da comunidade por meio do vereador Aldacir Olibone (PT), que levou a demanda à casa.

“A abertura do ensino médio é importante para que os jovens da comunidade possam ter a oportunidade de ao menos concluir essa etapa da educação. A escola está equipada e preparada para receber o ensino médio, com essa iniciativa 2.923 jovens da região poderão concluir o ensino médio”, afirmou Olibone.

O coordenador do Conselho Popular da Lomba do Pinheiro, Frei Luciano Bruxel, destacou que 34% dos moradores são crianças e jovens que dependem da escola pública.

“A Chika é uma escola estadual que fica no coração da Lomba do Pinheiro, a maioria dos jovens não teria nem que depender de ônibus para acessar a instituição. Mas também temos que pensar bem na estrutura para receber esses estudantes e oferecer uma educação de qualidade”, apontou.

A Lomba já conta com uma escola de Ensino Médio, a Rafaela Remião. O espaço já não comporta, entretanto, a demanda regional, o que leva jovens a se deslocarem longas distâncias para ter acesso a educação.

O diretor da EMEF Saint Hilaire, Ângelo Barbosa, destacou que gostaria que o Ensino Médio fosse aberto em sua escola, mas como não é possível apoia que seja aberto na Chika.

“Há 20 anos fui estudante nesse bairro, e é lamentável que os estudantes ainda precisem sair da Lomba do Pinheiro. Isso faz com que muitos desistam. O colégio fica no coração da Lomba, o que ajuda na segurança e no transporte dos estudantes.”

Barbosa ainda lembrou que muitas mães querem seguir os estudos, mas não o fazem por não ter uma escola por perto. “É urgente a implementação do ensino médio nessa escola, em nossa comunidade”, concluiu.

A diretora do Departamento Pedagógico da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Leticia Grigoletto, acompanhou a reunião e disse que a pasta vai “acolher as demandas” e estudar sua viabilidade.

O 1º vice-presidente, do Conselho Estadual de Educação, Gabriel Grabowski, lembrou que a construção de uma escola que oferte ensino médio para a comunidade é velha.

“O Conselho Estadual de Educação avaliou o pleito em 2014 e transmitiu o parecer nº37 – favorável a construção do ensino médio em  outra escola da região. O conselho já é unanime a favor dessa solicitação e quando chegar ao CEEd vamos dar encaminhamento o mais breve possível”, declarou.

Para a professora Tavama Santos, ex-diretora da Escola Afonso Guerreiro Lima, membro da Comissão de Educação do Conselho Popular e coordenadora do Cursinho Pré-Vestibular Kilomba, a criação do ensino médio na Chika seria uma forma de assegurar a conclusão dos estudos de muitas famílias que, hoje, são interditadas pela oferta distante.

“Temos na Lomba do Pinheiro uma das mais baixas escolaridades e renda da cidade. Em vista da exclusão social é um dos bairros mais violentos da capital. Não estamos tendo acesso à educação”, ressaltou.

“Essa é uma luta antiga do Conselho Popular da Lomba do Pinheiro. E espero que essa audiência seja a semente para conseguirmos o ensino médio para a nossa comunidade”, afirmou Tavama.

O ex-conselheiro tutelar e membro da Comissão de Educação do Conselho Popular, Acir Luís Paloschi falou da realidade enfrentada pelos alunos(as) da região.

“Os estudantes que acabam o ensino fundamental têm que trabalhar para ajudar suas famílias. Precisamos qualificar e dar oportunidades para esses jovens. Estudos comprovam que quem não tem ensino médio ganha 30% menos”, avaliou.

“A educação é um direito, e está bem claro no estatuto da criança e do adolescente que os estudantes precisam ter acesso à educação perto de casa. Esperamos que a Seduc ajude para que esse direito seja assegurado”, concluiu Paloschi.

“Quero pedir, como educadora, mãe, moradora e vó, que a Seduc pense com carinho. A escola Chika tem estrutura, tem um prédio novo. Peço que todas as autoridades que olharem o projeto tenham um olhar diferente para nós, para a nossa comunidade”, afirmou a professora aposentada e ex-diretora da EEEF Maria Cristina Chika, Gleci Medeiros.

A presidente do CPERS Helenir Aguiar Schürer frisou que o CPERS está à disposição da escola e preparado para entrar na luta junto com a instituição.

“Estava atenta em tudo que foi dito e nos colocamos à disposição para lutar junto com a escola. Sabemos que muitos jovens entre 15 a 17 anos estão fora da escola. É nossa responsabilidade trazer esses estudantes para escola e oferecer o melhor para eles”, ressaltou a presidente.

Descaso do Estado com as escolas públicas

A atual diretora da EEEF Maria Cristina Chika, Ivelise Camboim trouxe uma visão completamente diferente do esperado.

Ivelise relatou que a escola hoje não oferece o que deveria para os estudantes do ensino fundamental. A instituição está sem funcionamento do laboratório de informática por não ter internet, elevador queimado, evasão dos alunos e o quadro de professores incompleto.

“O que me preocupa é criar uma expectativa e não atender. Nós não temos o mínimo que é uma internet para as crianças. Olhando de fora é linda a estrutura, mas convido a todos a olharem de dentro para fora. Nós temos que oferecer o mínimo para os estudantes, e eles merecem o melhor. Boa estrutura não são salas vazias”, destacou.

No final de sua fala a diretora ainda convidou a todos presentes para visitar a instituição. “A escola está aberta para vocês visitarem e terem a visão que eu tenho. Eu não sou contra, mas não quero criar falsas expectativas”, concluiu.

A presidente da CECDCT, Sofia Cavedon falou que assim que for possível a comissão agendará uma visita à escola.

“Não dá para oferecer ensino médio sem ter laboratório, internet, quadro de professores. Mas isso faz parte dos processos de abertura, e vamos lutar para suprir essas demandas”, destacou.

A representante da Seduc, Letícia, falou sobre como o pedido deve ser encaminhado a destacou apoio à abertura do Ensino Médio.

“Entendemos a relevância do ensino médio no bairro. Temos que fazer o encaminhamento em cada departamento, mas estamos imbuídos em dizer sim ao ensino médio na escola”, frisou.

Também participaram da reunião as diretoras do CPERS, Alda Souza Bastos, Rosane Zan e Vera Maria Lessês.


Imagem: Marta Resing/Assessoria Sofia Cavedon

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