A tragédia ronda o Rio Grande do Sul. Cabe a Eduardo Leite evitá-la


Há poucos dias, o Rio Grande do Sul registrou a primeira morte por Covid-19 de uma educadora da rede estadual. Preservando a identidade da colega em respeito à sua memória e à dor da família, externamos nosso profundo pesar e preocupação.

Apesar do contágio ter ocorrido fora do ambiente escolar, é impensável que o Estado tenha capacidade de retomar as aulas presenciais em junho com segurança. Como se sabe, o governo mal consegue oferecer equipamentos de proteção em quantidade adequada para os profissionais da saúde.

Expor a comunidade escolar – milhões de gaúchos entre jovens, familiares e trabalhadores(as) – acabaria com todo o esforço de contenção realizado até aqui. Esforço já ameaçado pela política vacilante de Eduardo Leite (PSDB) na condução da quarentena.

Mesmo abastecido de dados científicos robustos, incluindo a pesquisa da UFPel, o governador joga contra a própria estratégia ao ceder à pressão de federações comerciais e apologistas da morte inspirados no presidente da República.

A proposta de “distanciamento controlado” atua como uma chave para a flexibilização do isolamento, especialmente no interior, onde a correlação de forças é mais favorável aos interesses econômicos imediatos.

Trata-se de um conjunto vago de recomendações, que na prática resultará no aumento da circulação de pessoas e numa escalada de mortes incontornável, fazendo coincidir o pico da doença com o início do inverno.

O colapso que hoje testemunhamos horrorizados no norte do país deve se consolidar no Sudeste em breve. Rio de Janeiro e São Paulo já estão nos limites das suas capacidades de atendimento.

Um olhar atento às redes sociais de sindicatos e entidades da educação daqueles estados revela a multiplicação de notas de pesar entre a categoria. O ritmo é assustador.

Os próximos dias serão determinantes na crônica de como o Rio Grande do Sul enfrentou uma das piores pandemias da história. Cabe a Eduardo Leite (PSDB) honrar o cargo que possui e mostrar firmeza, apontando claramente para a necessidade de medidas mais restritivas.

A tragédia se aproxima. Nós queremos viver.

Departamento de Saúde do Trabalhador do CPERS/Sindicato

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Foto de capa: Fernando Crispim / Amazonia Real

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