A greve se agiganta com derrotas de Eduardo Leite nas ruas e na Justiça


A luta heroica dos educadores(as) e servidores(as) gaúchos registrou mais um capítulo inesquecível nesta terça-feira (17), na capital, após um mês de mobilização massiva e crescente em todo o Rio Grande do Sul.

No início da manhã, milhares de professores(as) e funcionários(as) de escola de todo o estado praticamente inviabilizaram o trânsito no Centro da cidade, realizando três marchas distintas partindo de pontos estratégicos: a sede do CPERS, na Av. Alberto Bins, o Colégio Julinho, próximo à João Pessoa, e a sede do IPERGS, na Borges.

As caminhadas convergiram na Praça da Matriz somando forças com trabalhadores(as) de diversas categorias: técnicos administrativos e científicos, saúde, obras, planejamento, Brigada Militar, Polícia Civil, Susepe e outras. Todos unidos pela derrubada do pacote de Eduardo Leite.

O recuo do governo no fim da tarde de segunda-feira não desmobilizou os atos agendados para a Matriz, tampouco a Assembleia Geral do CPERS, marcada para as 13h.

Restava a votação do PLC 503, que eleva alíquotas previdenciárias e é especialmente cruel com os aposentados(as) que recebem menos, atingindo em cheio professores(as) e funcionários(as).

Mal começou a sessão no Plenário, no entanto, o desembargador Rui Portanova, do Tribunal de Justiça do RS, deferiu liminar impetrada pela deputada Luciana Genro (PSOL), suspendendo a votação.

“Não se pode votar um projeto de lei complementar que depende uma PEC que ainda não foi votada para ser efetivamente constitucional. É flagrante a inconstitucionalidade desse processo legislativo”, declarou a deputada ao informar os manifestantes.

A derrota imposta a Eduardo Leite na sequência do recuo é humilhante e deixa às claras a desorganização do Executivo e suas dificuldades de articulação com o Legislativo, mas a vitória dos servidores(as) é parcial.

A base governista já anunciou que pretende retomar a votação nesta quarta, na expectativa de derrubar a liminar com o recurso da Procuradoria da casa.

Educadores(as) não arredarão pé da Praça. Centenas devem dormir acampados(as) ou pernoitar na sede do CPERS. Após o término da Assembleia, dezenas de barracas foram instaladas nas áreas internas da Matriz.

“Estamos bem apreensivas quanto à votação desse projeto absurdo do governo. O ideal seria que o governo retirasse. Gostaríamos de estar na sala de aula e não tendo que protestar por algo que é nosso direito. Todo trabalhador tem direito de receber seu salário e décimo terceiro em dia”, relatou a professora da escola Àlvaro Moreira, Elvira Swarowski.

O professor de História e Geografia da escola Cone Valente, em São Luiz Gonzaga, Décio Schnorrenderger, viajou oito horas, junto com seus colegas, para fortalecer a luta na capital. “Não está nada fácil. De cinco anos para cá piorou muito, tudo sobe e os nossos salários são pagos de forma parcelada e atrasados, fazendo com que nossas dificuldades aumentem. Cada vez mais é preciso termos consciência de luta”, observou.

Assembleia decide pela manutenção da greve

A greve da educação continua. “Amanhã, ninguém volta para a sala de aula”, afirmou Helenir Aguiar Schürer, presidente do CPERS. “Se a categoria retornar, estará ajudando Eduardo Leite a manter o corte de ponto. A continuidade da mobilização é essencial para a negociação do ponto. Quem não receber não vai trabalhar, e o ano letivo não será concluído”, explicou.

Outra liminar, obtida pelo Sintergs, Sindicato que representa os técnicos-científicos do Estado, também sacudiu a praça. A Justiça impediu o corte de ponto de grevistas da categoria. O despacho utiliza os mesmos argumentos que justificaram mandado de segurança semelhante do CPERS, indeferido pela mesma Justiça.

A liminar não vale para os educadores(as), mas aumenta a confiança de que o Pleno do TJ julgará favoravelmente o recurso do CPERS.

Helenir também anunciou a realização de nova Assembleia Geral da categoria para definir os próximos passo da luta após a mobilização e considerando o indicativo de votação dos demais projetos do pacote em convocação extraordinária no final de janeiro.

A Assembleia será no dia 20, sexta-feira à tarde, em local a ser definido.

“Governador, o senhor ainda era um bebê quando nós estávamos ajudando a derrotar a ditadura em nosso país. Somos de guerra, de luta. Estamos firmes, fortes e coesos. Essa categoria não permitirá que o governo acabe com nossos direitos. Querem deixar para votar os projetos em janeiro apostando na nossa desmobilização, mas estaremos aqui lotando esta praça novamente”, afirmou.

O ato desta terça foi a quinta grande mobilização da categoria desde o dia 14 de novembro. A greve reivindica o cumprimento das promessas de campanha de Eduardo Leite, que assumiu o compromisso de pagar em dia no primeiro ano de governo, e a retirada do pacote da pauta da Assembleia Legislativa.

O movimento também recebeu solidariedade nacional, com a presença de Heleno Araújo, presidente da CNTE. “O Acampamento da Resistência, do CPERS, já sinalizava que se o projeto fosse enviado à Assembleia Legislativa, a categoria ia fazer uma forte greve. Então, ele foi avisado com antecedência. Só que pensou que poderia passar por cima dos servidores e do povo do Rio Grande do Sul. Aqui, nesta praça, está a resposta”, disse.

Aposentadas são homenageadas

Após os ataques de Eduardo Leite, que classificou o segmento como “gasto” e “passado”, as professoras e funcionárias de escola aposentadas presentes no ato foram homenageadas. Uma jovem estudante e educadores(as) na ativa entregaram ramalhetes de flores a cada uma, simbolizando o respeito e a reverência por quem trabalhou a vida toda para construir o presente e o futuro do Rio Grande do Sul.

“Estamos bem apreensivas quanto à votação desse projeto absurdo do governo. O ideal seria que o governo retirasse. Gostaríamos de estar na sala de aula e não tendo que protestar por algo que é nosso direito. Todo trabalhador tem direito de receber seu salário e décimo terceiro em dia”, relatou a professora da escola Àlvaro Moreira, Elvira Swarowski.

         

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