Em Gramado, EEEM Boaventura Ramos Pacheco convive com falta de servidores, obra inacabada e incerteza na direção escolar


Na última sexta-feira (1), estudantes da Escola Estadual de Ensino Médio Boaventura Ramos Pacheco, em Gramado, cidade que abrange o 32º Núcleo do CPERS, realizaram uma manifestação em apoio à professora Marivani Andrade, que tem administrado sozinha a instituição nos últimos nove meses. Desde o final do ano passado, a diretora e o vice-diretor legal da escola foram afastados de seus cargos e estão passando por um processo de sindicância. 

Sem profissionais de suporte e sem o Círculo de Pais e Mestres (CPM), Marivani assumiu temporariamente a administração da Boaventura Ramos Pacheco, já que a educadora era a vice-diretora do local no turno da manhã. Inicialmente, a professora ficaria de 60 a 120 dias no cargo, mas acabou mantendo-se na diretoria por muito mais tempo por conta da lentidão do processo administrativo movido contra os servidores denunciados.

Sobrecarregada e recebendo salário incompatível com sua atuação, Marivani comunicou à 4ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) que ficaria no comando da instituição até o dia 31 de agosto, mas os alunos(as) se organizaram coletivamente pela sua permanência.

“Houve uma mobilização dos alunos para que ela fique na escola, para que a CRE nomeie ela como diretora ou para que haja uma eleição na qual ela possa montar uma equipe estruturada”, explica Alessandra Marcon, professora da EEEM Boaventura Ramos Pacheco. 

A falta de direção dificulta o funcionamento da escola em todas as suas instâncias. Há verbas que só podem ser utilizadas com a existência de um CPM, que é formado a partir da organização diretiva.

Além disso, a instituição tem enfrentado problemas com o déficit de servidores(as) para atender os quase 500 alunos(as) matriculados e tem convivido com uma grande obra de revitalização que ainda não foi finalizada. Diante de dívidas deixadas pela gestão anterior, a comunidade escolar também não tem conseguido adquirir produtos para a manutenção do espaço, tendo que realizar campanhas para a arrecadação de papel higiênico e material de limpeza. 

Em reunião nesta terça-feira (5), a 4ª CRE afirmou que o processo administrativo contra os antigos gestores da escola está em poder da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e que a sindicância será concluída nos próximos dias. “Deixei bem claro que aceito ficar à frente da escola com equipe e recebendo gratificação de diretor”, destacou Marivani. No atual cenário de incerteza, a diretora e o vice-diretor investigados recebem a gratificação mesmo estando afastados de seus cargos.

Para o 1º vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, é preciso que a administração da EEEM Boaventura Ramos Pacheco seja garantida e investida de acordo com a legalidade, a fim de garantir seu pleno funcionamento. 

“A instituição não pode mais sofrer nenhum prejuízo de ordem administrativa, financeira e pedagógica, conforme reivindica a própria comunidade escolar”, destacou.

O Sindicato reafirma que é urgente o acabamento da obra iniciada na escola e o suprimento do pessoal necessário para atender sala de aula e demais setores. Quanto à sindicância, é necessário que a 4ª CRE chegue à conclusão o mais rápido possível, já que o prazo foi extrapolado.

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