O grupo RBS tem veiculado uma peça audiovisual intitulada “Entenda porque o Governo do RS não paga o piso nacional dos professores”. Esta peça causou indignação em toda a categoria.
O vídeo tem um tom institucional, está distante do bom jornalismo que busca preservar o contraditório. O conteúdo afirma que o não cumprimento da Lei do Piso Nacional não foi escolha dos governantes e responsabiliza o plano de carreira, os aposentados, chamados de “parados” segundo o spot, e algumas vantagens como o difícil acesso, para concluir com o número mágico de R$ 4.400,00 como média salarial da categoria.
A indignação que tomou conta dos trabalhadores em educação se justifica. Se a média salarial fosse o valor apresentado pela RBS, o que não é, ainda assim ele seria apenas igual ao auxílio-moradia da magistratura.
O emprego da lógica da inevitabilidade é a mesma que tenta “justificar” a privatização com a venda de patrimônio público, volta dos pedágios, as concessões combinado com a retirada de direitos. Nada na política é inevitável. O não cumprimento da Lei do Piso é resultado de escolhas. Quando se escolheu abrir mão de R$ 13 bilhões anuais em renúncia fiscal se optou pela margem de lucro dos empresários em detrimento dos serviços públicos.
É possível cumprir a Lei do Piso Nacional e preservar o plano de carreira, para isso é preciso acabar com a renúncia fiscal, regulamentar o envio dos recursos dos royalties do petróleo e garantir o investimento dos 10% do PIB na educação. É preciso fazer estas escolhas, é preciso fazer escolhas diferentes das que foram feitas.
O jornalismo gaúcho deve restabelecer a verdade, exigência de uma sociedade democrática e desejo dos trabalhadores em educação.
Diretor do CPERS/Sindicato Cássio Ricardo Ritter.




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