AGOSTO LILÁS: O patriarcado mata. A luta das mulheres transforma.


No início deste ano, o Rio Grande do Sul acompanhou, aterrorizado, notícias semanais sobre feminicídios. Nos primeiros três meses de 2026, o estado já havia registrado 20 casos — uma onda que alertava para a necessidade imediata de fortalecer os serviços de proteção e acolhimento às mulheres, assim como de ampliar o debate sobre a violência de gênero.

À época, em meio às notícias, o governo do RS anunciou medidas que buscavam combater a violência, incluindo a compra de tornozeleiras eletrônicas e a ampliação dos horários de atendimento das delegacias. Na prática, as medidas se mostraram insuficientes: atualmente, os casos já duplicaram, contabilizando 40 mortes. O Rio Grande do Sul liderou os feminicídios na Região Sul do Brasil entre 2021 e 2025, concentrando 38,8% das mortes no período, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A distribuição regional desses casos aponta para um problema histórico. Metade dos feminicídios no Brasil acontece em municípios pequenos, com até 100 mil habitantes, e uma das principais causas pode estar na baixa oferta de serviços especializados de proteção às mulheres. O Rio Grande do Sul é retrato desse descaso: para as 497 cidades gaúchas, existem apenas 21 Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs) espalhadas pelo estado, e nem todas funcionam 24 horas por dia. Em média, apenas 4% dos municípios contam com esse serviço.

Essa realidade assombra a rotina de milhões de mulheres. Enquanto o Rio Grande do Sul lidera o ranking de feminicídios na região Sul, o governo estadual segue tratando o problema de forma insuficiente, sem garantir uma rede de proteção capaz de atender às necessidades das mulheres em todo o território gaúcho. Faltam serviços especializados, delegacias, campanhas permanentes de prevenção e políticas públicas efetivas de proteção e acolhimento. 

Combater a violência de gênero exige mais do que medidas pontuais: exige enfrentar as estruturas de uma sociedade patriarcal que naturaliza a violência, reproduz desigualdades e coloca diariamente a vida das mulheres em risco. Por isso, a luta contra o feminicídio é também uma luta contra o machismo e o patriarcado, que precisa ser travada em todos os espaços da sociedade.

Neste Agosto Lilás, o Departamento de Mulheres do CPERS reafirma sua luta permanente contra o sistema patriarcal que nos violenta e nos mata todos os dias. Em uma categoria composta majoritariamente por mulheres, seguimos mobilizadas pela proteção e pela vida de todas as mulheres. 

Seguiremos em luta para que nossas alunas cresçam livres do medo, para que nossas colegas possam viver e trabalhar com segurança e para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência. A educação também é uma ferramenta de transformação e resistência. É na escola e na sociedade que construímos, coletivamente, a luta por um futuro em que todas as mulheres possam viver plenamente, livres da violência e das amarras do patriarcado.

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