O CPERS manifesta sua profunda solidariedade à comunidade escolar do Instituto São José, em Rio Branco (AC), especialmente às famílias, colegas e amigas(os) das servidoras brutalmente vitimadas pelo ato de violência que chocou e entristeceu toda a sociedade, na última terça-feira (5).
Alzenir Pereira (53) e Raquel Sales Feitosa (37), ambas funcionárias de escola no Instituto, foram assassinadas a tiros por um estudante de 13 anos. Além da imensa dor causada por essas perdas, uma aluna de 11 anos foi atingida na perna e outra funcionária, de 40 anos, sofreu um ferimento no pé. Felizmente, ambas receberam atendimento e passam bem.
Precisamos de políticas públicas que protejam nossas escolas desse tipo de violência. É necessário que a discussão sobre ataques como esse aconteça em todas as esferas da sociedade e que essa seja uma pauta permanente em qualquer debate sobre o futuro que queremos para as nossas escolas.
O fato de uma criança de apenas 13 anos ter tido acesso a uma arma de fogo também precisa estar no centro desse debate e exige uma apuração rigorosa. A situação já está sendo investigada pela Polícia Civil do Acre. A pessoa responsável por permitir o acesso do adolescente à arma foi detida, mas, até o momento, mais informações sobre o contexto das investigações não foram divulgadas.
A saúde mental das(os) educadoras(es) e de toda a comunidade escolar é profundamente abalada em momentos dramáticos como esse. Diante de situações de violência extrema, é fundamental que o poder público ofereça suporte adequado às(aos) trabalhadoras(es) atingidas(os), com programas permanentes de acolhimento e acompanhamento psicológico.
O papel da violência de gênero em ataques como esse também precisa ser debatido com profundidade. Não é coincidência que, em muitos desses casos, as vítimas sejam mulheres (professoras, funcionárias de escola ou estudantes). O aumento alarmante dos casos de feminicídio e de violência contra as mulheres no país revela um cenário que também atravessa os espaços escolares. Nesse contexto, é urgente que o Estado atue de forma concreta no combate à disseminação de conteúdos misóginos e discursos de ódio que banalizam a violência e alimentam a radicalização de comportamentos cada vez mais extremos.
As escolas brasileiras precisam ser um espaço de ensino, de diálogo, de segurança, de amparo e de crescimento, e não um lugar onde o medo da violência seja constante. Precisamos avançar nesse debate, precisamos agir com urgência para impedir que outras tragédias como essa se deem sob os nossos narizes.
O CPERS reafirma que enfrentar a violência nas escolas exige políticas públicas permanentes, investimento em prevenção, fortalecimento das redes de proteção e um debate profundo sobre os impactos da cultura do ódio, do machismo e da intolerância na sociedade. É urgente agir para proteger estudantes e trabalhadoras(es) da educação e garantir que a escola siga sendo um território de vida, respeito e esperança.




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