A nomeação da professora Sandra Lemos como nova reitora interina da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), realizada diretamente pelo governador Eduardo Leite (PSDB) e sem passar pela aprovação do Conselho Universitário da Uergs (Consun), vem gerando polêmica e descontentamento dentro da instituição.
A falta de consulta ao Consun, órgão representativo da universidade, levanta questões sobre a autonomia universitária e os processos democráticos de escolha dos dirigentes acadêmicos. A decisão do governo estadual tem sido criticada por setores da comunidade acadêmica, que defendem a importância da participação e do debate interno na definição dos rumos da instituição.
Essa intriga coloca em destaque não apenas as questões específicas da Uergs, mas também ressalta um debate mais amplo sobre os limites e a importância da autonomia das universidades públicas e o papel dos órgãos colegiados na tomada de decisões administrativas e acadêmicas.

Destituído em 2 de abril, o professor Fernando Guaragna, ex-reitor da Universidade, aponta risco de perda de autonomia da instituição e questiona o governo estadual por ter nomeado nova reitora sem discussão com a comunidade acadêmica
Ao lembrar que sua escolha como reitor interino se deu pelo fato de, à época, ser o decano do Conselho Universitário da Uergs (Consun), diante do impasse que se arrasta desde 2022 sobre as eleições internas da instituição para a reitoria, Guaragna registra que o que pode parecer “uma transição normal, absolutamente formal, foi basicamente uma intervenção”.
Primeiro reitor eleito da Uergs, com mandato de 2010 a 2014, Guaragna deixa claro que não tem nada pessoal contra a professora Sandra. Questiona, no entanto, quais foram os objetivos e critérios adotados pelo governo estadual para a nomeação.
Segundo o ex-reitor, em nenhum momento o Consun chegou a ser ouvido sobre a questão. Nem mesmo a nova reitora integrava ainda o conselho da universidade. Com a nomeação ocorrida via Diário Oficial na semana passada, a nova reitora, professora Sandra Lemos, assume também o cargo de presidente do Consun, que também pertencia a Guaragna até ser destituído.
Na Uergs, quem preside o conselho universitário é o reitor da instituição. Na ausência deste, o vice reitor e na ausência do vice-reitor, cargo não ocupado desde 2022, o decano.
Ex-reitor aponta precedente perigoso
Para Guaragna, nem mesmo o fato dele ter ultrapassado o período de doze meses como Reitor Pro Tempore, conforme estabelecido no Decreto Estadual 43.240/04 que aprovou o Estatuto da Uergs, poderia ter servido como justificativa para um processo sem ouvir a comunidade acadêmica.
Ele lembra que, desde a criação da Uergs, houve uma série de gestões Pro Tempore que ultrapassaram o período de 12 meses.
“O que me incomoda mais é que isto causa o agravamento da divisão interna. A universidade já estava dividida por causa do processo eleitoral e, cada vez mais, esse nosso enfraquecimento facilita esse tipo de ação. A gente não sabe onde é que a gente vai parar”, lamenta Guaragna ao enfatizar: “É um precedente perigosíssimo para que a universidade perca sua autonomia”.
Extra Classe tentou contatos telefônicos e enviou e-mail para a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do governo do Rio Grande do Sul, pasta que abriga a Uergs. Até o momento do fechamento desta matéria não houve retorno, mas o espaço segue aberto para manifestação.
*Com informações do Extra Classe




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