Escolas do campo pressionam por condições adequadas de trabalho junto à Seduc


Nesta quinta-feira (08), o CPERS, juntamente com comunidades escolares, denunciou uma série de desafios enfrentados pelas escolas do campo na região de São Gabriel e Santana do Livramento, municípios fronteiriços do Rio Grande do Sul, para o início do ano letivo. A denúncia ocorreu em audiência com a secretária de Educação, Raquel Teixeira, e sua equipe técnica.

Escassez do transporte escolar, problemas na carga horária das educadoras(es), multisseriação e fechamento de turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), turmas de primeiro ano não homologadas, deficiências na orientação curricular para o campo, carência de profissionais para o turno integral, além de recursos financeiros insuficientes foram alguns dos temas debatidos.

“Como alguém que está diretamente envolvido no dia a dia da escola, acredito na importância de ouvir tanto os estudantes quanto os educadores. Estar presente no chão da escola nos permite entender de forma mais profunda os desafios e necessidades enfrentados por todos os envolvidos na comunidade educacional. Precisamos construir soluções mais eficazes e adequadas para garantir uma educação de qualidade para todos”, ressaltou a tesoureira-geral, Rosane Zan.

Confira, abaixo, alguns dos temas debatidos

> Transporte escolar

A dificuldade de garantir um transporte escolar adequado nas escolas rurais pautou o debate. As distâncias entre as comunidades e as instituições de ensino, muitas vezes, são consideráveis, tornando essencial o acesso a um transporte confiável e seguro para os(as) estudantes. Essa dificuldade pode impactar diretamente na frequência das alunas(os) e, consequentemente, seu desempenho em sala de aula. Pela carência de transporte escolar, há relatos de crianças que são obrigadas a se deslocarem a pé para a escola.

“Quando falamos sobre a distância entre as escolas e a falta de transporte, surge uma questão crucial: como as crianças podem se deslocar a pé para uma escola mais distante? Se realmente prezamos por uma educação de qualidade, precisamos considerar as condições em que essas crianças estão sendo obrigadas a percorrer longas distâncias a pé. Além disso, há também o aspecto financeiro, já que muitas famílias podem enfrentar dificuldades para arcar com os custos de transporte público”, ressaltou o vice-diretor do 23º Núcleo do CPERS, Thiago Torbes.

> Carga horária das educadoras(es) para o turno integral

Em meio a um cenário de mudanças significativas na educação estadual, a imposição de jornadas integrais de trabalho de 40 horas semanais para os professores e professoras tem sido motivo de preocupação.

“É inadmissível a exigência de os professores dedicarem-se integralmente em jornadas de 40 horas semanais. Essa mudança impacta diretamente o funcionamento da nossa escola, desmantelando a coesão do nosso grupo docente. É lamentável ver colegas deixando a instituição. Nossa escola sempre foi uma referência no ensino em tempo integral, mas agora, com a imposição de que as turmas integrais comecem às 8h, surgem preocupações e descontentamento entre os responsáveis, que expressaram sua insatisfação com esse horário matutino precoce”, asseverou o professor Robert Costa, da EEEF Vitellio Gazapina, de Santana do Livramento;

> Fechamento de EJA

O fechamento de turmas de EJA pode privar muitos adultos da oportunidade de obter a educação básica necessária para avançar em suas carreiras, melhorar sua qualidade de vida e participar plenamente da sociedade. A diretora Giane Dorneles Monteiro, da EEEB Dr. Celestino Lopes Cavalheiro, de São Gabriel, relatou que foi surpreendida com o fechamento das turmas de EJA neste ano, deixando estudantes em uma situação delicada.

“Nossa escola é central, mas o sistema não abriu espaço para a continuidade do ensino. A situação é preocupante, pois muitos desses jovens dependem exclusivamente da EJA para concluir a educação. Possuímos um abaixo-assinado que evidencia o desejo desses alunos em continuar estudando, mas sem acesso ao ensino, eles ficam em uma situação desfavorável”, explicou.

“Gostaria de expressar nossa preocupação com o possível fechamento da EJA. Para muitos de nós, não é viável buscar outras escolas devido à distância. Eu, por exemplo, moro longe, a cerca de 4 km de distância da escola, e até agora contávamos com caronas providenciadas pelos micro-ônibus da prefeitura, nos quais o motorista gentilmente nos ajudava. Há pessoas que caminham até a escola, que já está longe o suficiente, isso mostra o quanto estamos dispostos a estudar, mesmo com todas as dificuldades. Se fechar a EJA, cortam nosso direito de sonhar”, desabafou a aluna da EJA da EEEB Dr. Celestino Lopes Cavalheiro, Maria Inês Ramos Corrêa.

Sobre esta e demais pautas apresentadas, a secretária Raquel Teixeira se comprometeu em buscar soluções junto à sua equipe técnica em diálogo com as comunidades escolares.

“Comprometo-me em buscar soluções para os problemas apresentados para que atendam às necessidades das escolas do campo”, frisou a secretária.

A audiência, solicitada pela deputada Sofia Cavedon (PT), também contou com a presença de representantes da EEEF Coxilha de Santo Inácio, EEEM Antônio Conselheiro, de Santana do Livramento, além da diretora do CPERS, Juçara Borges, e integrante da direção do 23º Núcleo, Monica Raquel Clipes Cordeiro, entre outros.

Confira, abaixo, as escolas da região que enfrentam problemas:

EEEF Vitelio Gazapina
EEEM Dr Hector Acosta
EEEM Cyrino Luiz de Azevedo
EEEM Prof. Chaves
EEEM Júlio de Castilhos
IEEduc. Dr. Carlos Vidal de Oliveira
EEEM Antônio Conselheiro
EEEF Rivadávia Correia
EEEF Celina Vares Albornoz
EEEF Olavo Bilac
EEEF Dr. Elbio
EEEF Independência
EEEF Prof. Pedro Comas
EEEF Coxilha de Santo Ignácio
EEEF Cláudio Moreira
EEEF Rodolfo Acosta
EEEF Nossa Senhora do Rosário
EEEF Emilia Prates
EEEF Padre ngelo Bartelle
EEEB Dr. Celestino Lopes Cavalheiro
EEEF Ataliba Rodrigues das Chagas

Notícias relacionadas