104 anos de Paulo Freire: educação como ato de liberdade


Neste 19 de setembro, celebramos os 104 anos do Patrono da Educação Brasileira, Paulo Freire.

Professor, escritor e pesquisador, Freire se consagrou no Brasil e no mundo afirmando a educação como uma ferramenta de transformação social e ato de liberdade. Ainda hoje se mantém como o brasileiro com mais títulos de Doutor Honoris Causa. Ao todo, são 41 instituições de ensino que lhe concederam a honraria. 

Natural de Fortaleza (PE), Freire nasceu em uma família de classe média e desde sempre se sensibilizou com as mazelas vividas ao seu redor. Movido pelo amor à vida e pela crítica às desigualdades produzidas pelo capitalismo, Paulo Freire escreveu obras importantes que repensam a relação entre quem ensina e quem aprende. Para ele, as(os) educandas(os) não deveriam ser vistos como receptores passivos de informação, mas como pessoas ativas no processo de aprendizagem. Ele criticava o modelo tradicional de educação, onde o conhecimento é simplesmente “depositado” nas(as) alunas(os), e defendia uma troca entre educadoras(es) e estudantes, valorizando a experiência de ambos. Assim, a educação se tornaria uma ferramenta de desenvolvimento da consciência crítica. 

Suas obras se tornaram referência internacional em educação. A experiência mais destacada é a de Angicos, no Rio Grande do Norte, quando, em 1963, cerca de 300 trabalhadoras(es) foram alfabetizadas(os) em 40 horas de estudos.  Naquele ano, a taxa de analfabetismo no Brasil era maior do que 40%. Pelo êxito após esse experimento, o então ministro da Educação, Darcy Ribeiro, recomendou a Paulo Freire que concebesse o futuro Programa Nacional de Alfabetização. Uma das metas era alfabetizar 1,8 milhão de pessoas, no primeiro ano, com o “Sistema Paulo Freire”. Com o golpe civil-militar de 1964, Freire foi preso e o Plano Nacional de Alfabetização foi extinto. 

Experiência em Angicos (RN), quando 300 trabalhadoras(es) foram alfabetizadas(os) em 30 horas. Fonte: Acervo do Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire.

Contudo, o educador não abandonou a luta. Seu livro mais lido, “Pedagogia do Oprimido”, foi traduzido para 25 línguas, tornando-se uma referência global na educação popular. Sua obra e vida inspiram educadoras(es) no mundo inteiro a lutar por uma educação humanizadora e transformadora, que esteja a serviço da classe trabalhadora. 

Hoje, o CPERS homenageia Paulo Freire, cuja trajetória nos inspira e fortalece nosso compromisso com a luta em defesa da educação pública. Seu legado seguirá vivo na memória de todas(os) que ousam transformar a realidade que nos desafia. Como ele mesmo afirmou: “o educador se eterniza em cada ser que educa”. Seguiremos firmes, porque educar é também transformar!

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