Em audiência, representante da Seduc fala em pelo menos mais “20 dias” de aulas suspensas


A Comissão de Educação Cultura Desporto Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa do RS realizou videoconferência na manhã desta terça-feira (28). O encontro virtual com parlamentares, estudantes, representantes de entidades e da Secretaria Estadual de Educação debateu o tema “Avaliação das aulas remotas pelas entidades estudantis e esclarecimentos da SEDUC”.

Em um primeiro momento da reunião os estudantes avaliaram as aulas programadas que estão sendo oferecidas em virtude da pandemia Coronavírus (COVID 19) desde o mês de março. Logo depois, entidades e os parlamentares analisaram o período e fizeram perguntas para o representante da Seduc, Silvio Zomer, coordenador do Centro de Gestão e Inovação (Cegin) .

A presidente da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul (UEE-RS), Gerusa Pena, falou sobre a realidade da rede pública e demonstrou preocupação com a data da prova do ENEM, marcada para os dias 11 e 18 de novembro (Enem Digital) e 1º e 8 de novembro (Enem Impresso). “Estamos em um cenário onde tudo é complexo. A discussão sobre as atividades para os estudantes secundaristas é bem mais complexa do que para os estudantes universitários. É um absurdo que o Ministério da Educação queira continuar com a agenda normal do ENEM”, apontou.

“Sabemos que os estudantes de colégio particular e estadual não estão no mesmo patamar. Que não é justa a competição entre educandos de escolas privadas e públicas e agora está mais injusta ainda. Não é justo os mais vulneráveis pagarem a conta nesse momento de pandemia”, declarou Alice Gaier Viario, 1ª vice-presidente da UEE RS.

Já a presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre (UMESPA), Vitória Cabreira destacou que tem milhares de estudantes secundaristas desassistidos no RS, não só com a falta de internet e computador, mas com a falta de alimento. “Chegaram até nós relatos de estudantes que não estão comendo. E quem tem fome tem pressa. Precisamos que essas cestas que o governo falou que seriam distribuídas sejam entregues rápido em todo Estado”, afirmou.

Vitória também falou do descaso do governo com os professores. “Falta uma assistência da Seduc também para os professores. Nós sabemos que não só os estudantes, mas os professores não têm computador, uma boa internet e estão tendo que tirar do próprio bolso esse dinheiro para poder suprir essa carência. Nesse momento, mesmo com todos os descontos que vem sofrendo”, concluiu.

“Muitas pessoas não têm nem o que comer, como terão computador ou internet”, frisou Alejandro Guerrero, presidente da União da Juventude Socialista ( UJS Viamão).

A presidente do Conselho Estadual de Educação Marcia Adriana de Carvalho explicou que a entidade priorizou dar corpo ao parecer nº 001 de 18 de março de 2020 buscando alternativas na lei para as atividades complementares, atividades domiciliares ou Ensino à Distância (EAD). “Boa parte da rede estadual está oferecendo atividades domiciliares. Neste momento não temos como monitorar. Mas estamos pensando em alternativas para conseguir fiscalizar essas atividades”, destacou.

O 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, salientou que a preocupação do CPERS neste momento é com as vidas das pessoas. Mas chamou atenção para a apreensão da categoria com os descontos salariais e ataques contínuos. “Foram descontos da greve, que recuperamos e o governo não pagou, e agora a redução do difícil acesso. Em nenhum momento o governo discutiu conosco essas mudanças.”

Edson expôs que as alterações reduzem salários de 70% dos educadores e que apenas quatro instituições tem 100% do difícil acesso. “A mantedora resolveu fazer esses descontos nesse momento de pandemia, onde não podemos acumular perdas financeiras”, observou.

O 2º vice-presidente destacou no final da sua fala a importância de uma audiência com o governo para debater diversas questões como os descontos salariais e também a preparação das voltas às aulas.

A deputada Sofia Cavedon destacou o excelente trabalho que os professores e equipes diretivas estão fazendo mesmo com todas limitações e constatou que o que fica explicito com a situação atual é o descaso e falta de investimentos na educação pública. “O que se desnuda é o desinvestimento na escola pública. O que aparece é o empobrecimento da educação pública, não só dos professores como dos estudantes da rede pública”, afirmou.

Suspensão das aulas

O representante da Seduc, Silvio Zomer explicou que a diretriz primária da secretaria nesse momento de pandemia é a preservação das vidas. E ressaltou que a suspensão das aulas presenciais por mais alguns dias é inevitável. “Estamos trabalhando com pelo menos mais 20 dias de suspensão das aulas em maio. Temos feito um planejamento dia-a-dia para ver o que vai acontecer. ”

Tecnologia para as aulas

Silvio declarou que a Secretaria está com tratativas com TVE, Google e com telefonias para oferecer aulas online. “São parcerias que estão se encaminhando. ”

Cestas básicas

O representante da Seduc prometeu que até a próxima terça-feira (5) todas as escolas terão recebidos as cestas básicas, que serão distribuídas para as famílias de estudantes mais vulneráveis.

“No primeiro momento houve a distribuição das merendas que haviam nas escolas. Agora já temos um pedido para mais cestas para o mês de maio. Mas ainda não temos liberado valores para aquisição destas cestas”, explicou.

Atividades domiciliares serão contadas como dias letivos  

“Sabemos que nem todos alunos tem acesso à internet, as aulas programadas são atividades domiciliares por meios de canais digitais. As aulas programadas serão consideradas dias letivos. Caso os estudantes precisarem de aulas de reforço isso será avaliado e feito”, concluiu Silvio.

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