CPERS realiza Aula Cidadã e denuncia o descaso com a educação pública


29/02/2016 - PORTO ALEGRE, Professores ligados ao CPERS realizam caminhada no centro da Capital em dia de paralisação contra as políticas do governo Sartori. Ato terminou em frente ao Palácio Piratini com aula pública. Foto: Guilherme Santos/Sul21
Foto: Guilherme Santos Sul21
Milhares de educadores, alunos, pais e a comunidade escolar participaram, nesta segunda-feira, 29, do Dia Nacional em Defesa da Educação Pública. O ato aconteceu em vários Estados do país, chamado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE. Em Porto Alegre o CPERS/Sindicato reuniu milhares de educadores para a Aula Cidadã em frente ao Palácio Piratini, realizada após caminhada pelas ruas centrais da capital. Educadores dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Paraná e Pernambuco reuniram-se para testemunhar o descaso e o desmonte da educação pública do Sul ao norte de nosso país.
Representando o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo – Apeoesp, a professora Francisca da Rocha Seixas relatou a luta dos educadores e alunos contra o autoritarismo do governador Geraldo Alckmin. “Foi necessário uma grande mobilização, onde a participação dos alunos e a comunidade escolar foi decisiva para barrarmos as ofensivas do governo. Nossa luta resultou na queda do secretário de Educação, além de impedimos a enturmação e o fechamento de escolas. O autoritarismo desses governos precisa ser enfrentado com muita resistência. Aqui no Rio Grande do Sul, ao que parece, o governo pretende impor o que o nosso governo tentou fazer. Lutem unidos e resistam. Contem conosco”, afirmou.
A professora e representante da CNTE, Marta Vaneli, em protesto ao desrespeito do governo Sartori com a educação, os educadores e os demais servidores públicos, ficou de costas para o Palácio do Piratini, ao fazer seu relato. “Um governo que não garante o direito dos servidores e cidadãos não merece o nosso respeito. Fico de costas para este governo. Hoje, estamos aqui com representantes de todo o país para denunciar o descaso com a educação pública. Somente juntos, unidos dentro e fora das escolas, vamos conseguir vencer aos ataques e ameaças”, afirmou.
A presidente da CUT de Minas Gerais e coordenadora-geral do Sind-UTE, Beatriz Cerqueira, ressaltou que o Brasil está passando por um momento de total desrespeito com a educação e tentativas incessantes de privatização das escolas públicas. “Nós, professores e funcionários de escola, estamos sofrendo de norte a sul. Nesse momento é fundamental nos unirmos, é incrível como um país como o nosso está perdendo investimentos como o Pré-sal, entregando recursos que são nossos”, constatou.

Luta, responsabilidade e unidade pela escola pública
A funcionária de escola representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná – AAP, Nádia Brixner, lembrou da forte repressão utilizada pelo governador Beto Richa contra os educadores em 2015. A violência utilizada contra a categoria foi noticiada em todo o país, tamanha a brutalidade. Nádia destacou que o enfrentamento ao governo só possível através da forte mobilização dos educadores, que conseguiram a adesão de 98% das escolas e o apoio da comunidade escolar. “Precisamos estar todos juntos embaixo desse guarda-sol que é o CPERS. Precisamos continuar lutando pela escola pública de qualidade, que é um direto de todos nós”, observou.
Na ocasião, presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, agradeceu o apoio e a participação dos pais na mobilização. “As mensagens de apoio foram muitas e ver famílias caminhando junto conosco nos prova que estamos no caminho certo”, disse.
Helenir declarou que a paralisação de hoje foi significativa e que a categoria precisa continuar unida e mobilizada para decidir os novos rumos do Magistério gaúcho. “Como em toda aula, deixo aqui um tema de casa para todos: construir a greve chamada pela CNTE nos dias 15,16 e 17 de março e mobilizar a categoria para a nossa Assembleia Geral, dia 18 de março, quando decidiremos juntos se vamos ter uma greve por tempo indeterminado. É fundamental também orientar, informar e mobilizar os pais, os alunos e toda a comunidade escolar, alertando sobre as razões da nossa luta”, afirmou.

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