CPERS participa de Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras da Educação da IEAL


A cidade de Salvador (BA) sedia, nesta terça (3) e quarta-feira (4), o Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras da Educação, da Internacional da Educação para a América Latina (Ieal), realizado no Hotel Fiesta. O evento reúne lideranças sindicais, educadoras(es) e representantes governamentais de diversos países para debater igualdade de gênero, combate à violência e fortalecimento da atuação das mulheres nos sindicatos e na educação pública.

O CPERS está presente no evento, representado pelas diretoras do Departamento de Mulheres do Sindicato: Joara Dutra (coordenadora do Departamento), Sandra Santos e Mari Andréa Oliveira. 

Na abertura do encontro, a presidente da CNTE, Fátima Silva, ressaltou que as mulheres da educação estão presentes nas principais lutas sociais do continente. “Somos mulheres da América Latina. Somos educadoras. Fazemos da nossa profissão a luta na defesa da educação pública em todo o continente. Estamos presentes nas lutas por autonomia, soberania e democracia.”

Em tom firme, ela reforçou o compromisso com a paz e a autodeterminação dos povos. “Nós mulheres somos pela paz. Não existe guerra santa, não existe guerra justa. Reafirmamos nosso compromisso com a soberania do nosso continente e com o bem-estar do nosso povo.”

Para a presidenta da CNTE, o encontro fortalece a unidade das trabalhadoras da educação na América Latina. “Somos mulheres de luta, de todas as razões e das justas causas dos nossos países. Seguiremos comprometidas com a defesa constante da soberania, da democracia e da educação pública.”

Representando a Costa Rica, Gilda Montero abriu as falas destacando a força coletiva das mulheres da educação na América Latina. “Somos mulheres diversas, jovens, adultas, indígenas, rurais, urbanas, mulheres LGBT e mais. Somos cuidadoras, trabalhadoras incansáveis que sustentam o mundo”, afirmou. Ela ressaltou ainda que a mobilização é um ato de amor pela profissão e pelas comunidades, reforçando que a luta por condições dignas de trabalho e por orçamento adequado à educação está diretamente ligada à defesa dos direitos de meninas, meninos e jovens.

A secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Neusa Cadore, destacou que não há democracia plena sem a presença efetiva das mulheres nos espaços de decisão. Ao lado da secretária estadual de Educação da Bahia, Rowenna Brito, reafirmou o compromisso do governo baiano com a educação pública, a equidade de gênero e o fortalecimento das políticas para as mulheres.

“Cada vez que uma professora incentiva uma menina a ser cientista, dirigente ou presidenta, estamos mexendo com a estrutura da sociedade”, afirmou Neusa. 

Com o tema voltado à ampliação da presença e da voz das mulheres nos sindicatos e nos espaços de poder, o Encontro Regional reafirmou o compromisso da Internacional da Educação América Latina com a construção de uma educação emancipadora, democrática e feminista.

O papel da educação e das trabalhadoras diante do avanço do autoritarismo

A Conferência de Políticas Públicas como Expressão Democrática integrou a programação do Encontro e reuniu lideranças sindicais, parlamentares e gestoras públicas para debater os desafios da democracia no contexto latino-americano.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, abriu a atividade destacando a importância da articulação internacional das trabalhadoras da educação. “Essa articulação é muito importante para que a gente consiga superar os desafios que estão sempre colocados na nossa agenda”, afirmou. 

A ministra contextualizou o cenário global de instabilidade democrática e seus reflexos na região. “Nós vivemos um momento de instabilidade política produzida, uma disputa de sentido sobre o que é democracia, sobre o lugar que os direitos humanos ocupam”, declarou. Segundo ela, dados internacionais mostram que “mais da metade da população mundial vive sob algum grau de erosão democrática”, o que exige vigilância e mobilização permanente.

A ministra também abordou a importância da escola como espaço de proteção e garantia de direitos. Ao criticar propostas como o homeschooling, reforçou a defesa da educação pública estruturada. “Escolarização se faz na escola, com professores, com carreira, com concurso público. Quando a gente dissolve a política pública, nós estamos corroendo a democracia”, disse.

Outro ponto central da fala foi a necessidade de enfrentar a violência e a misoginia nas redes sociais. “Existe hoje uma cultura de ódio que é rentável no ambiente digital. Por isso, a nossa defesa da regulação das plataformas”, afirmou. Para Macaé, a disputa democrática se dá também nas redes: “Esse campo de disputa simbólica é repleto de concretude. A violência que começa no ambiente digital muitas vezes se transforma em violência física no nosso dia a dia”.

Ela também mencionou a violência política de gênero, especialmente contra parlamentares e lideranças femininas. “Quando analisamos os perfis das nossas vereadoras e deputadas, vemos ataques sistemáticos. Isso não é opinião, é violência política”, pontuou.

A Conferência, coordenada por Fátima Silva, presidenta da CNTE, também também contou com a presença da deputada federal Alice Portugal; a secretária das Mulheres do Estado da Bahia, Neusa Cadore; a assessora Solange Fiuza, representando a ministra Márcia Lopes; a deputada federal Ivoneide Caetano; e a secretária de Educação da Bahia, Rowena Brito.

Informações: CNTE
Fotos: Geovana Albuquerque/CNTE 

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