CPERS participa de audiência para tratar da situação de descaso em escolas de Porto Alegre


Durante toda a sua campanha, o governador, Eduardo Leite (PSDB), prometeu que a educação seria prioridade em sua segunda gestão. Agora, após eleito, a realidade segue provando o oposto.

Leite, novamente, deixa grande parte da categoria sem reajuste. Mais de 50 mil educadores(as), entre professores e funcionários(as), da ativa e aposentados(as), ficaram sem nada ou pagaram o aumento com o dinheiro do próprio bolso. Não bastasse toda a desvalorização salarial, trabalhadores(as) da educação ainda precisam aguentar o descaso do governo com a falta de estrutura nas escolas.

Na tarde desta segunda-feira (17), o CPERS, representado pelo 1º vice-presidente, Alex Saratt, e pelo diretor, Leonardo Preto Echevarria, acompanhou uma audiência proposta pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, presida pela deputada estadual Sofia Cavedon (PT), realizada na 1ª CRE, para tratar sobre a situação de quatro escolas do bairro Partenon, de Porto Alegre. 

O encontro teve uma participação expressiva da comunidade e foram relatados os casos graves das quatro escolas, além de terem sido feitas queixas quanto à morosidade das obras que as instituições requisitam.

“São situações bem dramáticas, já que elas colocam o funcionamento das escolas em risco, ameaçam a saúde e a vida de profissionais e de educandos, que continuam aguardando providências do Estado.”, relata o 1º vice-presidente do CPERS, Alex Saratt.

Para ele, há recursos que estão contingenciados e que já deveriam estar disponíveis para que possam ser feitas as reformas.

O diretor do CPERS, Leonardo Pretto Echevarria, acredita que é nítido o movimento de Eduardo Leite (PSDB) e da secretária, Raquel Teixeira, de fechamento de escola como uma política para a educação do Rio Grande do Sul. “Essa escola da periferia, é mais uma daquelas que tem a sua estrutura abalada pela falta de manutenção, obrigando as escolas a terem que ser fechadas”, aponta ele.

Ao final da reunião, a Seduc se comprometeu a fazer um passeio nas escolas citadas, com previsão de acontecer nesta quinta-feira (20), para que todos possam constatar as condições em que elas se encontram e possam ser averiguadas as medidas necessárias. O CPERS continuará lutando e exigindo que o governador cumpra com sua palavra e valorize o ensino público do estado.

Confira abaixo a situação das escolas que participaram da audiência: 

Obra inacabada coloca alunos em risco

Há seis anos, a EEEM Dr. Oscar Tollens aguarda a finalização da obra do ginásio da instituição. A construção parada coloca em risco a segurança dos cerca de 950 alunos(as).

O diretor da escola, Augusto Batista, relata que além de perder metade do pátio, que é o espaço comum para os intervalos, atividades físicas, gincanas e feiras, o local é constantemente invadido e ocorrem furtos. “Além desta redução do pátio, toda vez que a obra é invadida, a direção da escola tem que movimentar recursos para fechar os acessos abertos pela construtora no muro da escola. Situação de risco, pois o pátio fica aberto para a rua”, relata.

A obra não foi finalizada por haver uma discordância entre governo e construtora, que acabou abandonando o trabalho. Agora, é necessário abrir uma nova licitação para que a reforma seja concluída e, assim, se gasta mais verba pública para refazer o que já foi construído antes, pois com o tempo, foi se deteriorando.

Cozinha interditada e crianças sem merenda

Em fevereiro deste ano, na primeira semana de aulas, o CPERS visitou a EEEF Tenente Coronel Travassos Alves e constatou os graves problemas da instituição. Nesta segunda, ao retornar ao local, o que percebe-se é que nada mudou. 

A escola aguarda a reforma do piso da cozinha que está cedendo, o que provoca vazamento de gás. Por conta disso, a cozinha está interditada e as crianças sem merenda, sendo disponibilizado apenas bolachas, suco, leite e frutas. Além disso, o prédio enfrenta, desde 2016, problema de rachadura vertical e também aguarda essa reforma.

Segundo a diretora, Sonia da Silva Alfaro Dellamora, por conta da alimentação incompleta oferecida para os alunos(as), a comunidade escolar teve que se unir e realizar a compra de cestas básicas para as crianças e suas famílias. “Nós somos unidos. Nós nos juntamos, fizemos cestas básicas antes do governo dar para aquelas crianças que estavam passando fome, foi do nosso dinheiro”, conta Sonia.

Escola aguarda reformas urgentes desde 2020 

Desde a sua entrada, é possível constatar a situação insalubre em que a EEEF Dr. Martins Costa Júnior se encontra. O prédio administrativo, que abriga sete salas de aula, está interditado desde setembro de 2020. Por esse motivo, as turmas ficam lotadas, com uma média de 35 alunos(as) em cada sala de aula.

Além disso, a cada dia que passa a estrutura da escola acumula mais rachaduras, infiltrações e mofo que toma conta do local. Os corredores e salas de aula estão às escuras devido ao risco de curto-circuito na rede elétrica. 

“Precisamos consertar telhado, laje, piso, paredes, portas, janelas e vidros, banheiros, elétrica, caixa d’água, muro. Há anos enfrentamos uma série de problemas, que se acumulam e pioram dia após dia”, desabafa a diretora da instituição, Jane Matos.

Segundo ela, o retorno da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) é sempre o mesmo. “Sempre dizem que estão fazendo projetos, tiram fotos, medem, mas nada é feito. Outra situação recorrente é uma empresa licitada simplesmente não aparecer para fazer o trabalho”, relata.

Nesta segunda (17), a escola recebeu a informação de que uma nova empresa foi licitada para realizar as obras do muro e do telhado. “Mas é tudo assim, falam e acaba ficando tudo no ar. E seguimos nessa situação insalubre. É muito triste esse descaso todo”, lamenta a diretora.

Escola corre perigo de ser extinta devido aos anos de descaso do Governo

Na última terça-feira (11), educadores(as), responsáveis e alunos(as) da EEEF Dr. José Carlos Ferreira, reuniram-se em frente à escola para cobrar explicações sobre o repentino fechamento da instituição. 

Como de praxe, sem qualquer debate com a comunidade escolar, foi informado que os cerca de 150 estudantes foram rematriculados(as) em outras escolas, enquanto a José Carlos Ferreira será extinta, pois a instituição recebeu um laudo técnico apontando perigo de desabamento.

Na quinta-feira (13), educadores(as), pais e estudantes da instituição, foram até a Seduc exigir que o governo providencie, urgentemente, a reforma necessária para que a escola siga atendendo os mais de 230 alunos(as) da instituição. Na manhã seguinte (14), a Secretaria de Obras Públicas (SOP), juntamente com a Seduc, realizaram uma nova vistoria no prédio da escola.

A previsão para a entrega do relatório avaliativo é de até 15 dias. Ele será repassado para a Seduc e, logo após, divulgado externamente.

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