Cortar bolsas do CNPq é condenar a nação ao subdesenvolvimento e ao obscurantismo


O CPERS Sindicato, através do seu Conselho Geral, vem a público manifestar total repúdio à política de cortes orçamentários imposta pelo governo Bolsonaro ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que coloca em risco décadas de investimento em pesquisa e inovação no Brasil.

A situação dramática do principal órgão federal de fomento à produção científica coloca em dúvida o pagamento de bolsas já a partir de setembro. Vale notar que muitos dos profissionais que recebem as bolsas, da iniciação à pós-graduação, não têm outra fonte de remuneração. Há casos em que os auxílios representam a única forma de acesso de jovens ao Ensino Superior, bem como o sustento de suas famílias.

As universidades públicas respondem pela quase totalidade da pesquisa brasileira e por mais de 80% dos cursos de mestrado e doutorado do país. O impacto positivo da pesquisa científica nos diversos campos da atividade econômica e das políticas públicas é evidenciado por inúmeros casos de sucesso, como na saúde pública (a exemplo da prevenção e controle do Zika), no enorme crescimento na produção de grãos, em inúmeras inovações que melhoram a qualidade de vida dos brasileiros e na descoberta e exploração do Pré-sal.

Sem Ciência e Inovação não há futuro nem soberania, conforme demonstram de forma inequívoca as experiências internacionais. Além de impedir a formação de novas gerações de cientistas, a descontinuidade do financiamento desestabiliza pesquisas em andamento, efetivamente jogando no lixo recursos investidos durante décadas na produção acadêmica e científica.

O CPERS é um Sindicato de educadores(as), que trabalham diariamente para transformar em realidade o sonho de milhares de jovens da escola pública: acessar o Ensino Superior, produzir conhecimento e renda, trabalhar e construir as condições para uma vida melhor. Fechar esta porta para a emancipação econômica e social é condenar a nação ao subdesenvolvimento e ao obscurantismo.

Defendemos, de forma intransigente, a manutenção e ampliação dos investimentos públicos nas universidades, bolsas e órgãos de fomento. A ciência e a pesquisa são patrimônios nacionais e parte inseparável da solução para a crise em que o país se encontra.

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