Contra a repressão: Repúdio à ação violenta do governo Leite a famílias desabrigadas pelas enchentes


O CPERS manifesta seu mais profundo repúdio diante da brutal ação de despejo realizada neste domingo (16), que resultou na remoção forçada de cerca de 100 famílias de um prédio abandonado pelo Estado, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre.

É inaceitável que a prioridade do governador Eduardo Leite (PSDB), em um domingo chuvoso e frio, tenha sido agir com truculência contra aqueles que lutam por moradia e que estão desesperados por serem esquecidos pelo governo do Rio Grande do Sul.

Mais triste ainda é constatar que policiais tenham usado violência desmedida, recorrendo a spray de pimenta e colocando em risco a vida de crianças e adultos.

Infelizmente, as educadoras(es) conhecem bem esse tipo de truculência, uma marca de Eduardo Leite (PSDB).

Esse tipo de conduta do governo é uma grave violação dos direitos humanos e da segurança das pessoas, especialmente considerando que muitos dos pais e crianças que ocuparam o prédio haviam perdido suas casas nas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul.

A ocupação, liderada pelo Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e batizada em homenagem à estudante de Arquitetura e Urbanismo Sarah Domingues, assassinada em janeiro enquanto realizava seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre as enchentes na Ilha das Flores, é uma manifestação legítima de busca por moradia digna e justiça social.

O edifício, que anteriormente abrigava a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) e parte da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), estava desocupado há mais de 10 anos.

Segundo o balanço mais recente da Defesa Civil gaúcha, atualizado na tarde de sexta-feira (14), 10.793 pessoas estão desabrigadas, com suas moradias destruídas, e 422.753 estão temporariamente desalojadas devido às chuvas.

Manifestamos nossa total solidariedade ao MLB e repudiamos veementemente a ação truculenta da Tropa de Choque da Brigada Militar e do governo Eduardo Leite (PSDB), que em vez de proteger e amparar seus cidadãos e cidadãs, opta por violência e repressão contra os mais vulneráveis.

Exigimos uma resposta imediata e concreta das autoridades competentes para que medidas de apoio e assistência sejam disponibilizadas a essas famílias, garantindo-lhes o direito fundamental à moradia digna. Nossa luta é por um Rio Grande do Sul mais justo e humano, onde a dignidade e os direitos de todos os gaúchos e gaúchas sejam respeitados.

Fotos de capa: Deriva Jornalismo

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