Contra a censura e a política genocida: CPERS manifesta apoio à juíza Valdete Souto Severo


O Conselho Geral do CPERS manifesta seu apoio à juíza do trabalho Valdete Souto Severo face à tentativa de censura e intimidação determinada pelo corregedor nacional de Justiça, o ministro Humberto Martins. 

A magistrada foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o artigo “Por que é possível falar em política genocida no Brasil de 2020?”, publicado no site Democracia e Mundo do Trabalho em Debate (DMT), em atitude persecutória e digna de tempos de exceção. 

No texto, a juíza, que tem um histórico de luta pelos direitos do trabalho no Brasil, analisa a atuação desastrosa do governo Bolsonaro no combate à Covid-19 e na proteção da saúde dos brasileiros(as) – motivo de consternação no país e no mundo.

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O governo disseminou a desorientação, desdenhou as recomendações da OMS e da comunidade científica, gastou menos de 30% da verba destinada ao combate da pandemia e mandou fabricar milhões de doses de um remédio inútil e tóxico, enquanto deixa faltar insumos básicos para o funcionamento de UTIs.

A Constituição garante o direito à vida. Mas o presidente brasileiro disse e repetiu que a especialidade dele é matar. Com efeito, o Brasil tornou-se o epicentro da doença no mundo, com 2,4 milhões de infectados. É o segundo país mais impactado do planeta, com mais de 87 mil mortes desde março.

Não à toa, a política negligente de Bolsonaro foi denunciada no Tribunal Penal Internacional de Haia como um crime contra a humanidade.  A denúncia foi protocolada e liderada por uma coalizão que representa mais de um milhão de trabalhadores(as) da saúde no Brasil.

Ninguém deveria estranhar o fato de uma juíza concordar com a voz corrente de que a pandemia pode ter como resultado a concretização de um genocídio.

Que tal constatação se torne objeto de investigação judicial é inaceitável e mais um sinal inequívoco do período de ruptura democrática e institucional que o país atravessa.

 Foto de capa: Guilherme Santos/Sul21

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