Conselho Estadual de Direitos Humanos debate evasão e falta de educadores nas escolas estaduais


O CPERS participou, nesta quinta-feira (14), da reunião ordinária da Comissão Temática Temporária sobre Educação em Direitos Humanos (CTEDH), do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (CEDH-RS).

O encontro, realizado de forma híbrida, online e presencial na Sala Adão Pretto da Assembleia Legislativa, debateu sobre a evasão escolar e a falta de professoras(es) nas escolas estaduais.

Durante a reunião, os conselheiros cobraram explicações de representantes da Seduc devido à falta de profissionais da educação nas escolas estaduais, mesmo cinco meses após o início do ano letivo.

A conselheira Cristiaine Johann iniciou o encontro destacando os diversos relatos que a Comissão vem recebendo sobre as dificuldades nas escolas estaduais e a necessidade de uma urgente solução.

“A evasão do ensino médio no Rio Grande do Sul é o dobro da taxa nacional e mesmo na metade do ano letivo, alunos da rede estadual ainda convivem com a falta de professores, isso é inadmissível”, ressaltou Cristiane.

A diretora do departamento de Recursos Humanos da Seduc, Cleusa Flesch, informou que medidas estão sendo tomadas, como a ampliação de carga horária, convocação de nomeados e contratações temporárias.

“Há carência de professores em alguns componentes curriculares, principalmente matemática e português. Contratamos 4 mi professores no início do ano e em breve lançaremos o edital de concurso público para o magistério”, expôs Cleusa. 

O vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, demonstrou preocupação com os encaminhamentos apresentados pela Seduc, principalmente devido ao adiantado do ano letivo e a lentidão nos processos de contratação.

“O que vivemos hoje requer a preocupação e uma atenção especial aos direitos humanos, porque o que está em risco é o direito à educação. Enquanto CPERS Sindicato estamos apreensivos, porque nós temos um concurso em vistas de acontecer, com a oferta de irrisórias 1,5 mil vagas, que não dão conta da demanda atual e que sequer sabemos para quais áreas serão disponibilizadas as vagas, há necessidade de muito mais do que somente professores de português e matemática”, enfatizou Garcia.  

Edson também destacou que durante as caravanas e visitas às escolas das 42 regiões que o Sindicato abrange, fica evidente a urgente demanda de professores(as) e também de  funcionários(as) de escola.  “A Seduc implantou o Novo Ensino Médio sem planejamento e sem envolvimento das comunidades escolares. Uma mudança tão grande não pode ser implantada sem a garantia de atender a demanda. Faltou a discussão com a base de trabalhadores e trabalhadoras quando da implantação”.

Outro ponto destacado e que levantou muitos questionamentos e preocupação dos presentes, foi quanto a itinerância de educadores(as) para atender a demanda em diversas escolas.

“Muito me preocupa quando falam em itinerância de profissionais. Com os problemas de reposição salarial e a desvalorização dos educadores, imagina uma itinerância, quem paga esse deslocamento de uma escola para outra? Como é que cada um planeja suas atividades e suas aulas se não tem tempo para prepará-las?”, questionou o dirigente do CPERS.

Durante o encontro as representantes da secretaria ainda apresentaram diversos dados e os processos de busca atualmente realizados pela Seduc.

Para o Sindicato é inadmissível que alunos(as) voltem para casa pela falta de educadores(as) ou que as escolas não os recebam adequadamente devido à falta de profissionais. É urgente que a Seduc revise os métodos e priorize o que realmente importa, como a contratação de especialistas, supervisores e orientadores, que a maioria das escolas estaduais carece.

Ao fim do encontro, ficou estabelecido que o CTEDH cobrará que a SEDUC formalize por escrito as respostas e os dados apresentados na reunião.

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