Aulas presenciais: pesquisa dos Estados Unidos aponta que professores e funcionários correm maior risco de infecção


O PolicyLab, centro de estudos do Hospital Infantil da Filadélfia, um dos maiores institutos de pesquisa pediátrica dos Estados Unidos, lançou em outubro um guia epidemiológico com evidências e orientações para a retomada das aulas presenciais no país. 

No documento, a instituição destaca, entre outros pontos, que professores(as) e funcionários(as) de escolas correm maior risco de infecção sintomática e grave. E ainda alertam, mesmo que as crianças tenham menor chance de contrair Covid, esse risco não é zero.

Confira a íntegra do documento (em inglês) aqui. 

O estudo também pede cautela no momento da decisão da retomada ou não das aulas presenciais, visto que, mesmo aderindo às estratégias de mitigação recomendadas, como o uso de máscara, o distanciamento social, higiene e o rastreamento de contato, “enquanto houver transmissão comunitária de SARS-CoV-2, não há estratégias que possam eliminar totalmente o risco de transmissão nas escolas”

A recomendação é que para maximizar a segurança e o aprendizado pessoal, a transmissão local deve ser a mais baixa possível. 

Componentes fundamentais para um plano de segurança escolar

O guia elenca uma séria de recomendações para refletir os desafios que as escolas enfrentarão após a reabertura. 

Como prioridade, está a importância de trabalhar com os departamentos de saúde locais, já que os países que tiveram sucesso na retomada das aulas presenciais, geralmente têm relações estreitas com as autoridades de saúde pública locais, para um efetivo rastreamento rápido entre alunos e professores infectados.

Destacamos também, que o documento orienta que sejam fornecidas instruções claras para as famílias mitigarem a transmissão fora da escola. 

Ainda consta a necessidade da presença de equipes adequadas de serviços de saúde no ambiente escolar para uma vigilância abrangente e contínua dos sintomas de alunos e funcionários. Essa vigilância deve incluir verificações diárias de sintoma, com exames no local ou em casa, para a implementação de políticas de quarentena e licenças.

A recomendação é que se algum membro da equipe diretiva ou aluno apresentar sintomas seja feito o afastamento por no mínimo 10 dias (mesmo sem a realização de teste). 

Questões-chave para a tomada de decisão

Para o PolicyLab a tomada de decisão sobre o retorno das aulas presenciais ou não é desafiadora e precisa ser feita com cautela.

Por isso, ao fim do guia eles apresentam uma lista de perguntas-chave para refletir sobre a capacidade da escola, junto aos parceiros de saúde pública locais, para remediar quaisquer problemas identificados e avaliar a capacidade de retorno ou não. Traduzimos essas questões abaixo:

1) Sua escola teve dificuldade de implementar e manter todos os aspectos do plano de segurança escolar?

2) Qual é a eficácia de sua colaboração com a saúde pública local quando um aluno ou professor testa positivo para o COVID?

3) Com que rapidez a transmissão da doença e a positividade dos casos estão acelerando em sua região?

4) Há evidências de transmissão em sala de aula dentro de sua escola?

5) Houve evidência de aumento da transmissão vinculada na sua escola ou em outras escolas na sua região, apesar da conformidade com as medidas de segurança?

Imagem destaque: Amanda Perobelli | REUTERS

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