CPERS repudia falas racistas e xenofóbicas proferidas por vereador de Caxias do Sul


Foto: Reprodução

O CPERS vem a público repudiar as falas racistas e xenofóbicas do vereador de Caxias do Sul, Sandro Fantinel (sem partido), proferidas durante tribuna da Câmara de Vereadores na última terça-feira (28).

Na ocasião, Sandro se manifestou sobre o caso de trabalho análogo à escravidão, registrado nas vinícolas de Bento Gonçalves, e pediu que os produtores da região “não contratem mais aquela gente lá de cima”, se referindo a trabalhadores vindos da Bahia, que foram encontrados em situação de trabalho extremamente precária nas vinícolas da serra gaúcha.

Foram mais de 200 trabalhadores resgatados em condições degradantes e desumanas em um alojamento durante a colheita da uva nas fábricas. Assim como muitos, eles vieram da Bahia para o Rio Grande do Sul com a promessa de salários dignos e despesas pagas pelos contratantes, o que não aconteceu.

Durante a fala, o vereador Sandro Fantinel também disse: “Os baianos, a única cultura que eles têm é viver na praia tocando tambor” e ainda sugeriu que agricultores deixassem de lado a contratação do “povo que só quer saber de carnaval e festa”.

O CPERS, através do seu Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo, repudia as falas do vereador, assim como todas as formas de racismo e aguarda que medidas sejam tomadas pelas instituições responsáveis.

Apesar da expulsão do partido Patriotas e da investigação por parte do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Civil, o Sindicato acredita que a punição precisa ser rigorosa, uma vez que é vergonhoso assistir um parlamentar, eleito pelo povo, proferir falas desse cunho em pleno ano de 2023.

Lembremos que em novembro do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) passou a considerar como crime de racismo os atos que discriminam brasileiros que vivem no Nordeste. Segundo a Lei n.º 9.459/97, serão enquadrados aqueles que possam vir a praticar, induzir ou incitar a discriminação, ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Além disso, quem comete xenofobia é passível a reclusão de um a três anos e multa.

Pessoas nordestinas sofrem diariamente com o racismo e com a xenofobia e é intolerável continuarem sendo marginalizadas e discriminadas ainda nos dias atuais. Entendemos que uma sociedade de valor, é aquela que respeita as diferenças, as honra e celebra.

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