Nesta sexta-feira (12) e sábado (13), a sede do CPERS, em Porto Alegre, foi palco de um evento marcante dedicado à valorização e ao reconhecimento das contribuições da luta antirracista na educação e na sociedade.
O evento, promovido pelo Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do Sindicato, fez parte das celebrações do Julho das Pretas e foi uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela, comemorados no dia 25 deste mês.

Conduzido por Edson Garcia, 2º vice-presidente do CPERS e coordenador do Coletivo, o Encontro reuniu representantes da Direção Central (tesoureira Rosane Zan e diretoras Vera Lessês, Sonia Solange, Juçara Borges e Sandra Regio), professoras(es) e funcionárias(os) de escola, ativas(os) e aposentadas(os) dos 42 núcleos, além de ativistas.

Todas(os) estavam unidas(os) por um objetivo comum: celebrar e reforçar a importância da luta pelos direitos e pelo reconhecimento das pessoas pretas.
“Estamos aqui no CPERS Sindicato, em mais um Julho das Pretas, realizando um encontro do nosso Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo. Estamos, mais uma vez, denunciando essa chaga que é o racismo e destacando o dia 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela”, destacou Edson.

“Nossa categoria é majoritariamente feminina, com funcionários de escola que são imprescindíveis, entre eles, a maioria são mulheres pretas. Isso é muito significativo para nós em termos de políticas e avanços. As questões sociais não estão separadas da luta sindical e da luta por melhores salários e condições de trabalho, pois tudo isso se traduz em valorização”, completou.
Dinâmica e leituras inspiradoras marcam primeiro dia do Encontro
No primeiro dia do evento, realizado na sexta (12), Edson conduziu uma dinâmica especial. Ele distribuiu folhas de papel, cada uma contendo o nome de lideranças pretas com papel relevante na educação ou na academia. Os participantes que receberam essas folhas se levantaram, foram até o centro da sala e, com voz firme, compartilharam sobre a pessoa citada antes de depositar a folha no centro, homenageando figuras importantes, educando e inspirando os presentes sobre as contribuições valiosas dessas personalidades.
As presentes foram convidadas(os) a trazer livros de autores pretos. Cada participante escolheu uma passagem para ler e, em seguida, forneceu contexto sobre a autora ou autor. As leituras foram diversas e enriquecedoras, abordando temas que variaram desde a resistência e a luta por direitos até a celebração da cultura e da identidade preta, trazendo à tona a rica produção literária das pessoas pretas e promovendo um espaço de aprendizado e reflexão.

Também foi realizado o lançamento dos Encontros Periódicos Afro-Filosóficos e instalação do Coral do Coletivo, conduzido pela percussionista e professora de música Alexsandra do Amaral.

Painel sobre Letramento Racial mostra a realidade do racismo no Brasil e fortalece a luta coletiva
No segundo dia do evento, foi dado prosseguimento às atividades de formação do Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo.
Na manhã de sábado (12), Isis Garcia, bancária e secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS, realizou um painel sobre Letramento Racial. Na ocasião, ela abordou a complexidade do racismo e as formas como ele é sistematicamente enraizado na sociedade.

Isis destacou que os conceitos são amplos e possuem várias vertentes dentro do Letramento Racial. Enfatizou também que a sociedade foi moldada para se adequar a um modelo único, eurocêntrico, abrangente e masculino.
“O racismo e o capitalismo são irmãos gêmeos, sustentando e reforçando um ao outro. Para combater as desigualdades, precisamos de uma abordagem crítica e integrada que desafie ambos os sistemas”, asseverou.
Essa perspectiva aponta para uma interligação entre os sistemas econômicos e a perpetuação das desigualdades raciais, ressaltando a necessidade de uma abordagem crítica e integrada para combater ambos.

Em seus dois dias de realização, o Encontro proporcionou uma reflexão profunda sobre as estruturas sociais e econômicas que sustentam o racismo, incentivando as participantes a questionar e desafiar esses sistemas, além de compartilharem seus relatos como vozes ativas dentro do Coletivo e do Sindicato.
Além disso, a atividade reforçou a importância de ações contínuas para o reconhecimento e valorização das pessoas pretas na sociedade, especialmente na educação.
O CPERS, por meio do Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo, continuará promovendo eventos como este, visando manter viva a luta por igualdade, respeito e justiça racial para todas e todos.







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