9ª CRE constrange educadores e tenta proibir acesso do CPERS às escolas de Cruz Alta


Em decisão autoritária, antidemocrática e carente de qualquer base legal, a 9ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) orientou direções escolares a impedirem o acesso de dirigentes do CPERS às escolas de Cruz Alta e região nesta terça-feira (25).

Arvorada em uma interpretação equivocada ou mal-intencionada de decisão judicial do TRE, a 9ª CRE enviou ofício às direções escolares na tentativa de privar a entidade de dialogar com professores e funcionários, extrapolando suas competências para fins de censura e perseguição política.

Apesar da orientação, a maior parte das direções soube exercer sua autoridade e autonomia na gestão do espaço escolar, abrindo as portas para a Caravana do CPERS. Deparando-se com a situação, o coordenador Gustavo Jung Bilibio chegou ao extremo de constranger pessoalmente educadores no chão da escola, reforçando a proibição. Em atitude machista e misógina, também protagonizou uma discussão com uma dirigente estadual do CPERS na porta de uma das instituições.

Salientamos que a decisão judicial utilizada como justificativa para o arbítrio nada diz sobre a presença do CPERS no ambiente escolar, calcada no exercício legítimo da defesa dos interesses da categoria e do trabalho sindical de base. O despacho, acatado dentro do prazo legal, apenas proíbe a distribuição de dois materiais impressos específicos. Não há, portanto, justificativa para a tentativa de censura, ainda mais grave por partir de um agente público, representante do Estado.

Mas a caravana passa. Com 73 anos de história, o CPERS jamais se curvou diante de qualquer tentativa de intimidação ou silenciamento, mesmo durante a ditadura militar. Há quase três meses na estrada, totalizando mais de mil escolas visitadas e quase 20 mil quilômetros percorridos, a iniciativa cumpre papel fundamental na discussão dos rumos da escola pública e da situação funcional da categoria – que amarga 33 meses de salários atrasados e quatro anos sem reajuste ou reposição da inflação -, além de aproximar o Sindicato dos seus mais de 80 mil associados em todo o Rio Grande do Sul.

Seguimos na estrada em defesa da escola pública e contra o desmonte do Estado. Não calarão a nossa voz.

Veja aqui a nota: Não calarão a nossa voz: a caravana continua!

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