Respeito, garantia de trabalho e concurso público já: contratados mostram que a luta vale a pena em ato na capital


“Faço faxina uma vez por semana e vendo lingerie. Se não fizer isso, fica impossível pagar as contas. Além de não receber o salário até agora, vivemos inseguros ”, relatou a merendeira Rosane Pereira da Rosa, de Ijuí. A situação vivida por ela é a mesma de centenas de educadores(as) contratados, que hoje estiveram na Praça da Matriz, em ato estadual organizado pelo CPERS, para exigir a não demissão dos atuais profissionais até que sejam substituídos por nomeados, a realização imediata de concurso público e reajuste salarial.

A mobilização foi marcada para pressionar governo e deputados(as) pela aprovação da emenda parlamentar de autoria da Comissão de Educação. O texto acrescenta ao PL 392 – enviada por Eduardo Leite à Assembleia – a garantia de que não haverá demissões de contratados e que o concurso público, proposto pelo governo a partir de 2020, seja realizado ainda neste ano.

Pressionado, secretário assume compromisso de não demitir contratados(as)

A pressão levou o secretário de educação, Faisal Karam, a divulgar um vídeo ainda pela manhã garantindo que não haverá rompimento de nenhum contrato emergencial no final deste ano. De acordo com ele, cerca de 19 mil contratados(as) terão seus vínculos renovados.

“Nós vamos nos manter muito atentos e seguir pressionando. Não vamos deixar que esqueçam que a nossa pauta também é por salário em dia. O governo tem que vir para a mesa discutir esta questão conosco, pois a categoria não suporta mais”, afirmou Helenir.

No início da tarde, a reunião de líderes da Assembleia Legislativa decidiu que o PL 392 não entraria na pauta votações da casa hoje. Mesmo assim, os educadores(as) foram para as galerias expor cartazes e reivindicar a aprovação da emenda. Na próxima terça-feira (10), a categoria deve voltar a se mobilizar na praça para acompanhar a possível votação.

“Na próxima terça-feira estaremos aqui novamente fazendo a devida pressão. Continuaremos a nossa mobilização até que a emenda seja aprovada”, garantiu Helenir.

“Precisamos ter a garantia de que o ano letivo de 2020 inicie com o quadro completo de professores e funcionários de escola. Estamos em setembro e ainda faltam educadores em inúmeras escolas”, observou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Pela manhã, divididos em 14 grupos, os educadores(as) visitaram os 55 gabinetes dos deputados(as) para pedir apoio à aprovação da emenda. Todos(as) receberam documento explicando a necessidade da aprovação.

Estudantes levam apoio aos(as) educadores(as)

Para prestar solidariedade aos seus professores(as), os estudantes da escola Leopoldo Menem, de Fortaleza dos Valos, enfrentaram cinco horas de estrada para participar do ato na capital. “Esta é a primeira vez que viemos a Porto Alegre. Fizemos questão de vir aqui mostrar que defendemos nossos professores. Em nossa escola, 70% dos educadores são contratados. Eles são como nossa família, não poderíamos deixar de vir mostrar o quanto são importantes para nós”, explicou a aluno do 2º ano do Ensino Médio, Jamile Brizola dos Santos.

Portando cartazes em apoio aos(as) educadores, alunos do Colégio Estadual Coronel Afonso Emílio Massot, de Porto Alegre, também foram prestar solidariedade. “Estamos aqui para apoiá-los porque somos muito gratos por tudo que eles nos ensinam e proporcionam. Estamos aqui pelo nosso futuro e pelos deles. Só conseguiremos dias melhores através da educação”, disse a estudante Mariane.

 

 

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