#FICAEJA: Escolas de Porto Alegre realizam ato na Seduc exigindo a liberação de turmas e matrículas


Na manhã desta quarta-feira (31), as escolas Agrônomo Pedro Pereira (APP), Professor Oscar Pereira e Afonso Emílio Massot, de Porto Alegre, realizaram um ato em frente à Seduc exigindo a liberação das turmas de EJA das instituições.

Na ocasião, os representantes das escolas e do 38° Núcleo do CPERS foram recebidos por um técnico do Departamento de Infraestrutura, Jorge Aguiar, que informou que a nova secretária de Educação, Raquel Teixeira, não receberia a comitiva e marcaria uma reunião online para a próxima semana.

As escolas deixaram o local sem a confirmação da data do encontro e sem uma resposta às centenas de estudantes que aguardam ansiosamente uma decisão sobre o seu direito constitucional ao acesso à educação. 


Seduc nega matrículas a quem mais precisa 

As três instituições receberam, ainda em janeiro, orientações do coordenador da 1ª CRE, Alaor Baptista Chagas, para que efetuassem as matrículas desses alunos(as) da modalidade de forma presencial, por problemas no sistema.

Agora, com as matrículas efetuadas, as vagas foram novamente negadas. 

Após muita pressão, a Agrônomo Pedro Pereira (APP) conseguiu a liberação de sete turmas de continuidade, T8 e T9. Mas ainda conta com mais de 140 alunos que aguardam liberação das turmas de T7.

O professor da escola, Newton Colombo, ressalta que os alunos(as) estão ansiosos, visto que já realizam a pré-matrícula e agora só precisam da liberação das turmas pela Secretaria.

“Eles mandam mensagem no WhatsApp, no Face, o tempo todo perguntando quando é que vão poder levar os documentos para efetivar as matrículas, eles estão bem apreensivos querendo saber como vai ficar o futuro deles”. 

Cirlânia Souza, diretora do Colégio Emílio Massot, destaca que há uma pressão por parte do governo para que esses estudantes realizem o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), mas que os mesmos querem ter aula e não somente realizar uma prova. 

“Mesmo reconhecendo que a EJA tem um tempo mais curto, ela tem aula, tem o ensinamento, tem o conhecimento sendo trabalhado. Na nossa escola, por exemplo, todo semestre a gente realiza grandes projetos, desenvolvendo diversas áreas para que os estudantes consigam receber essa totalidade de conhecimento articulado, chamamos palestrantes. Então não é só o conteúdo formal que se trabalha, a gente trabalha o dia a dia”. 

A diretora ainda rememora, emocionada, alunos que já passaram pela EJA da escola. 

“Ano passado um morador de rua se formou na nossa escola. Volta e meia ele aparece lá querendo pegar mais material. A gente deu livros didáticos, outro dia ele pediu uma tabela periódica. Então, como tu não vais dar assistência a essas pessoas?”

E ela questiona: “É isso que mais me incomoda, a escola não passa de números para o  governo. Para eles é redução de gastos, mas nós temos muitas histórias de vida. Nenhum governo até hoje deve ter entrado numa sala de aula da EJA para conhecer a história desses estudantes. Eles não conhecem a realidade dessas pessoas, não é só uma gurizada de dezoito anos que se atrasa no ensino médio. São homens e mulheres de 30, 40, 50, até 60 anos, como é que tu vais acabar com tudo isso assim, de repente, num canetaço?”

Na Professor Oscar Pereira a situação se repete. A escola possui demanda de alunos(as) para a modalidade e também está impossibilitada de efetuar as matrículas, pois as turmas não foram liberadas. 

A professora Adriana Silva, relata que se emociona ao trabalhar com as turmas de EJA e está muito angustiada com o futuro do ensino de jovens e adultos na escola. 

“Eu trabalho com a EJA na nossa escola há quinze anos. É maravilhoso trabalhar com eles, tem uma diversidade muito grande e é muito recompensador. Outro dia até tava falando com uma aluna que me pediu vaga para o marido dela estudar. Ela se formou há pouco e queria que ele tivesse a mesma oportunidade, mas agora ele está no aguardo para saber se vai poder estudar ou não”. 

Acabar com a EJA é interromper o futuro de milhares jovens e adultos que veem nos estudos uma oportunidade. O CPERS seguirá na luta pela imediata homologação de turmas e matrículas, bem como a extensão do prazo para novas inscrições. Nenhum aluno a menos!

Saiba mais sobre o tema e confira algumas das ações do CPERS em defesa da EJA:

>> Abaixo-assinado reúne mais de 6,7 mil assinaturas contra o fim da EJA, Neeja e cursos técnicos no Rio Grande do Sul 
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>> CPERS denuncia política de cancelamento de matrículas ao Ministério Público
>> Educadores protestam na capital e no interior pelo direito à educação e contra o autoritarismo do governo Leite

>> Mapeamento de matrículas e demanda de EJAs, NEEJAs e Cursos Técnicos
>> Exclusão: governo nega matrícula a 5,3 mil jovens e adultos em EJAs, Neejas e Cursos Técnicos
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>> Artigo analisa os retrocessos da EJA no Rio Grande do Sul sob Eduardo Leite
>> CPERS denuncia diminuição da oferta de EJA à Comissão de Educação da AL
>> Seduc nega matrícula a 283 alunos da EJA da Escola Agrônomo Pedro Pereira, de Porto Alegre

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>> #FicaEJA: CPERS e Defensoria Pública do RS somam esforços pela homologação e liberação de matrículas

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