Dados do Censo Escolar comprovam o descaso de Eduardo Leite com a educação pública


Na última segunda-feira (31), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) divulgou informações do Censo Escolar 2021, expondo a realidade das escolas no período da pandemia.

Os dados do Rio Grande do Sul confirmam o que o CPERS já alerta desde o início do governo Eduardo Leite (PSDB): há um projeto em curso de desmonte das escolas públicas gaúchas, iniciado com o governo Sartori (MDB), e perpetrado pela atual gestão – que quer entregar a educação pública para a iniciativa privada.

O Dieese analisou os dados do Inep e alguns pontos acendem um alerta sobre o futuro das escolas estaduais no estado.

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Número de matrículas e escolas segue em decaída na rede estadual 

Assim como em 2020, o número de matrículas na rede estadual de ensino registrou queda em 2021. Foram cerca de 43 mil matrículas a menos, o que representa queda de 5,4%. A média no Rio Grande do Sul ficou bem acima da nacional, que fechou em 1,2%.

Outro dado preocupante é quanto a diminuição do número de instituições, que vem caindo anualmente. Em 2021, foram registradas 2.386 escolas estaduais, quando em 2020 eram 2.410, ou seja, uma redução de 24 (-1%). De 2016 a 2021, verifica-se o fechamento de 171 escolas da rede no RS.

Consequentemente, com a queda do número de escolas, caiu também o número de turmas. Em 2020, eram quase 37 mil; já 2021, fechou em cerca de 36 mil, variação de 1,7%.  De 2016 a 2021, o número de turmas reduziu em 16,9%, são cerca de 7 mil turmas a menos. 

O fechamento de turmas, muitas vezes associado a enturmações e multisseriações, reduz a capacidade de atendimento da rede, desagrega vínculos e desestimula estudantes, contribuindo para a evasão escolar.

Ao fragilizar a oferta, o Estado prenuncia cortes maiores, levando ao encerramento de turnos inteiros e ao fechamento de escolas.

Desvalorização causa redução no número de professores da rede

O ano passado registrou uma queda de quase 1.400 professores estaduais, 3,4% menos na comparação com 2020. De 2016 a 2021, já são quase 11 mil docentes a menos em regência de classe na rede, o que representa uma redução de 22,4%. 

A queda drástica é consequência também dos mais de sete anos sem reposição salarial e da diminuição do poder de compra da categoria, reduzido em mais de 50%. 

Dados acendem alerta sobre futuro da EJA no RS

Dentre os pontos analisados pelo Dieese, um dos mais preocupantes está na diminuição das matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Em 2019, o Rio Grande do Sul contava com mais de 71 mil matrículas e, em 2020, caíram para cerca de 42 mil, uma queda de 40,9%. Em 2021, o número de matrículas foi de aproximadamente 31 mil, ou seja, em relação a 2020, mais uma queda de 25,6%. De 2019 a 2021, são -56% (-40 mil matrículas). 

Vale destacar que em 2021 milhares de jovens e adultos padeceram com a espera na homologação de suas matrículas na EJA. A liberação das mesmas só foi realizada após muita pressão do Sindicato e das instituições de ensino. 

Para o CPERS, o sucateamento das escolas estaduais – comprovado pela Caravana do CPERS – aliado a política de enxugamento de matrículas e escolas, evidencia a intenção do governo: precarizar para abrir mercado ao ensino privado, priorizando interesses do empresariado, e não da comunidade.

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