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Precisamos falar sobre o suicídio de educadores(as) no Rio Grande do Sul

A professora Suzana* desistiu de esperar.

Na noite desta terça-feira (2) perdemos mais uma colega para a depressão, doença que a levou ao suicídio.

Não é a primeira e não será a última educadora gaúcha a tirar a própria vida diante do desalento, do descaso e da falta de perspectivas. É o segundo suicídio registrado em 2018 somente na cidade de Suzana.

São dezenas em todo o Rio Grande do Sul.

Em mensagens recebidas por uma dirigente regional, Suzana relatou:

“Sofri muito neste governo e ainda não acabou. (…) Doenças são tratadas com insensatez. Quem trabalha precisa comer, vestir a si e seus filhos, pagar as contas que por coincidência ele aumentou, água, luz, fone, aluguel.”
“Estas pessoas (…) deviam saber que tudo o que me magoa, maltrata, humilhação, me leva a pensamentos destrutivos. E consequentemente ao suicídio”

Aos 51, Suzana tinha muitos planos. Mas sua doença não encontrou o amparo e compreensão necessários por parte dos agentes públicos.

Há anos o CPERS denuncia o sofrimento psíquico que assola a nossa categoria, adoecida pelo descaso, o empobrecimento e o ambiente de trabalho cada vez mais hostil e persecutório. Não queremos fazer da dor uma bandeira política. Mas a indiferença mata. Precisamos, em defesa da vida dos nossos professores(as) e funcionários(as) de escola, falar sobre o que está acontecendo.

O tratamento profundamente desumano destinado a Suzana é apenas um exemplo das muitas faces do desrespeito. A educação pública e as nossas vidas estão sob ataque. Trabalhamos há 34 meses com o salário parcelado, atrasado e sem reajuste ou reposição da inflação desde novembro de 2014. Ninguém trabalha o mês inteiro apenas por amor. Assim como Suzana e outros milhões de trabalhadores(as) brasileiros(as), nós também temos famílias, contas, obrigações, expectativas e sonhos. Não somos meros números na folha de pagamento do Estado. As decisões políticas têm consequências reais em vidas reais.

Até quando este massacre vai continuar? Quantos colegas mais perderemos?

Nós não podemos mais esperar.

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*O nome real de Suzana, bem como seu município, foram preservados em respeito à sua memória, familiares e amigos. Se você conhece alguém que manifesta pensamentos suicidas, oriente para buscar ajuda profissional e informe-se sobre o Centro de Valorização da Vida, que oferece um número gratuito (188) para prestar apoio emocional e de prevenção ao suicídio.

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