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Ninguém solta a mão do(a) educador(a): nota sobre a agressão à diretora da EEEF Vera Cruz

A agressão por parte de uma mãe à diretora da EEEF Vera Cruz, em Porto Alegre, ocorrida nesta terça-feira (6), é mais uma manifestação da epidemia de violência que vem transformando o ofício de educar em uma profissão de risco. É o terceiro caso em 13 dias na capital gaúcha, mas a hostilidade que se concretiza pela via física é apenas o elo mais visível de uma longa cadeia de descaso.

O desrespeito, assim como sua contraparte, é pedagógico. Começa por um governo que atrasa salários por 35 meses e tortura educadores(as) com a conivência do sistema judiciário, que nada faz para punir a ilegalidade, e por representantes eleitos Brasil afora que têm o pânico moral como plataforma política, incentivando a perseguição e o denuncismo em sala de aula.

Passa também pelo posicionamento de setores da imprensa, que diante da barbárie, escolhem dar voz aos agressores, alimentando uma disputa de versões sensacionalista e descabida. Ao transformar vítimas em algozes e tomar conhecimento da escola pública somente quando o pior ocorre, conduzem a opinião pública a enxergar a sala de aula como um ambiente hostil, e seus profissionais, como inimigos

É uma narrativa com início, meio e fim, que desemboca na comunidade escolar e leva pais e estudantes a reproduzirem o desrespeito e a violência à sua maneira; física, verbalmente ou apenas lavando as mãos diante da brutalidade sistêmica contra professores(as) e funcionários(as).

Pela manhã, o CPERS visitou os(as) trabalhadores(as) da EEEF Vera Cruz para prestar solidariedade e auxílio jurídico. Na escola, referência de qualidade para a comunidade da região, encontramos profissionais apaixonados pelo ofício mas tomados de perplexidade e medo, acuados pela repercussão e pela sensação de isolamento.

Vivemos um impasse de primeira ordem. É a escola pública que forma a imensa maioria da população para viver, sonhar e construir, literalmente, o futuro do país. Ou a sociedade une forças e forma um front civilizatório em defesa da escola pública, ou retrocederemos muito rapidamente à barbárie. Não há nação no mundo que tenha chegado a patamares elevados de desenvolvimento social e econômico sem investimentos pesados em educação e sem valorizar seus trabalhadores(as).

Ninguém solta a mão do(a) educador(a). Quando nós cairmos, caem todos(as).

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