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Na defesa dos direitos, Congresso Extraordinário da CUT debate Financeirização, Automoção e Futuro do Trabalho

Depois da aprovação do regimento interno, os painelistas da primeira mesa do segundo dia da 15ª Plenária Nacional/ Congresso Extraordinário e Exclusivo da CUT, nesta terça-feira (29), trouxeram para o debate os temas “Financeirização, Automoção e o Futuro do Trabalho”, que estão mudando as relações de trabalho no Brasil e no mundo, gerando trabalhos precários, desemprego e até extinção de algumas categorias no futuro do trabalho.

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Momento da aprovação do regimento do 15º Congresso Extraordinário e Exclusivo da CUT/ Foto: Dino Santos

“Com a aprovação da Reforma Trabalhista, a terceirizaçao e as transformações do mundo, com as novas tecnologias, a CUT precisa discutir e traçar estratégias para continuar lutando pelos direitos da classe trabalhadora”, explicou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre.
A financeirização [a possibilidade da acumulação da riqueza abstrata, desvencilhada dos incômodos da produção material – o famoso rentismo] é um fenômeno mundial, segundo o diplomata brasileiro e ex-ministro da Defesa, Celso Amorim. “Muitos empresários ganham muito mais dinheiro com o mercado financeiro do que com a produtividade do trabalho”, salientou.
Este modelo de comprar papel e não investir em produção vem acompanhado da desindustrialização e desnacionalização, privatizando as empresas estatais, diminuindo postos de trabalho, destruindo o Estado e aumentando a desigualdade, segundo o diplomata.
Amorim ainda destacou que nem na ditadura houve, “com rapidez despudorada”, uma violenta destruição dos direitos do trabalho e do Estado. “A soberania está sendo ameaçada e sabemos que a liberdade é indissociável. Não há desenvolvimento nacional sem o forte apoio do Estado e não há igualdade sem democracia”, destacou.
O professor Ladislau Dawbor reafirmou que o dinheiro está indo para mercado financeiro paralisa a economia. Além dos mais de 14 milhões de desempregados no país, segundo Ladislau, 61 milhões de adultos estão enforcados com o pagamento dos juros do que já compraram. “Os empresários não irão investir em produção se não tiver pra quem vender”, completou.

Mesa "Financeirização, Automoção e o Futuro do Trabalho", da esquerda pra direita: professor Ladislau Dawbor, diplomata brasileiro e ex-ministro da defesa, Celso Amorim e secretário Geral da CUT, Sérgio Nobre. e professor Lucas Tasquetto

Mesa “Financeirização, Automoção e o Futuro do Trabalho”, da esquerda pra direita: o professor Ladislau Dawbor, o diplomata brasileiro e ex-ministro da defesa, Celso Amorim, o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre. e o professor Lucas Tasquetto

Ladislau também ressaltou os milhões em impostos que são “investidos” em bancos, ao invés de desenvolver estrutura e políticas sociais, cortando o salário indireto, como creche, saúde e educação universal e gratuitos, entre outras.
O professor afirmou ainda que os desafios são grandes com as novas tecnologias, mas também vê oportunidades. “No Quênia, pequenos agricultores conseguem fazer contatos direitos com quem vai comprar seus produtos via celular, tirando o intermediador do processo”, contou. Ele acredita que a produção baseada no conhecimento está em alta. “Qualquer agricultor hoje tá usando análise de sol, hídrica, entre outros, e mais da metade do valor dos produtos não é trabalho físico, é conhecimento”, frisou.
O professor Lucas Tasquetto disse que os riscos das novas tecnologias e a automoção esbarram na substituição de empregos permanentes. Segundo ele, no contexto norte-americano, 47% da mão de obra total se caracteriza com alto risco de ser automatizados em uma década ou duas e podem ser extintos. “A proporção do risco dos empregos, quando traz para os países em desenvolvimento, chega a 70%”, contou.
Tasquetto destacou que os futuros postos de trabalho precisarão de menos pessoas, mas com conhecimento técnico e que a “uberização” da economia pode degradar a relação do trabalho, diminuindo salários e reduzindo as chances de negociação com os sindicatos.
“Os trabalhadores e as trabalhadoras terão que assumir todos os riscos do trabalho individual e com a lapidação dos direitos trabalhistas isto se aprofunda”, explicou. Para o professor, “os sindicatos precisam se atentar ao assunto e cobrar do Estado políticas que moldem a governança da internet para garantir segurança dos trabalhadores neste novo mundo do trabalho, que não há mais volta”.
O evento, que possui 651 delegados e delegadas credenciados, continua nesta quarta-feira (30) com a definição de estratégias e plano de lutas. e vai até quinta-feira (31),

 

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