História – Introdução

O Cpers-Sindicato conquistou respeito junto à sociedade, tornando-se referência para os movimentos sindicais gaúcho e nacional. Desde seu nascimento mostrou-se firme em seu propósito: educação pública de qualidade, dignidade profissional e defesa intransigente da democracia. O ponto de partida data de 21 de abril de 1945, quando um aguerrido grupo de professores, constituído basicamente por mulheres, fundava o Centro dos Professores Primários Estaduais, lançando as bases para a criação do Cpers e, posteriormente, o Cpers-Sindicato.

Em 1966, a entidade passou a chamar-se Centro dos Professores Primários do Estado do Rio Grande do Sul e em 1973, o nome foi alterado para Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul, quando unificou os professores primários com os professores do ensino médio. Em 1989, agregou ao Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul o Sindicato dos trabalhadores em Educação. Os funcionários de escola foram incluídos na entidade em 1990 e, por fim, o Congresso Estadual foi instituído em 1994.

Na história do Cpers, observa-se que o sindicato sempre travou um duro embate com os governos estaduais que desvalorizaram a educação pública. Prova disso foram as nove greves desencadeadas pela categoria para garantir conquistas asseguradas em leis e acordos salariais desrespeitados. O magistério demonstrou importante apoio para o retorno da democracia, sendo a primeira categoria do estado e a segunda do Brasil a entrar em greve após o golpe militar de 1964. O que estava em jogo em 1979 não era apenas o aumento salarial e a luta pela dignidade profissional mas, sobretudo, o empenho pelo fim da ditadura e a defesa da anistia. Esse movimento surgiu como resposta ao não atendimento de um compromisso do governo, situação repetida nas greves de 1980, 1982, 1985, 1987, 1988, 1989, 1990 e 1991. A categoria obtinha conquistas, mas estas acabavam sendo esquecidas pelos governantes do estado. Foi assim com os 2,5 salários mínimos, foi assim com o QPE e foi assim com as eleições para diretores de escolas.

Contrariando as culturas brasileira e gaúcha, nas quais predomina o machismo, a maioria dos presidentes da entidade é formada por mulheres – dos 22 presidentes, apenas quatro são homens. A análise não desconsidera o fato de o magistério, em décadas passadas, ser quase que “naturalmente” aceito para ser exercido por mulheres; as famílias, inclusive, incentivavam suas filhas a cursar o Normal. Posteriormente, nos anos sessenta, as mulheres rebelaram-se e vêm, ano a ano, ampliando seus espaços na sociedade, ocupando cadeiras nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal, Senado, no Executivo, no Judiciário e liderando sindicatos e empresas, mas mesmo assim ainda são minoria nos cargos dirigentes.

A professora Thereza Noronha é um dos exemplos da luta das mulheres numa entidade de classe. Thereza faleceu no dia 25 de novembro de 1983 em um acidente de carro quando dirigia-se a Santa Catarina para participar de um encontro de educação. Ela presidiu o Cpers por duas gestções, de 1966 a 1968 e de 1970 a 1972: entre 1964 e 1966 ocupou o cargo de vice-presidente da entidade. Foi fundadora e primeira presidente do Clube do Professor Gaúcho. Entre 1972 e 1978 presidiu a Confederação dos Professores do Brasil (hoje CNTE).

O trinômio organização, representatividade e participação tem sido o sustentáculo do Cpers-Sindicato. A estrutura da entidade é capaz de contrapor-se ao poder, ao autoritarismo e arbítrio dos governos estaduais. Seus 15 diretores coordenam as atividades dos 42 núcleos, sendo dois na capital e 40 no interior. As instâncias de deliberações, assegurando a participação de todos os associados, iniciam nas escolas, passam pelos Conselhos Regionais, Assembleias Municipais e Regionais, Conselho Geral até alcançar a Assembleia Geral, instância máxima. A última reforma estatutária instituiu o Congresso Estadual, convocado a cada dois anos com o propósito de definir as políticas educacionais e sindicais voltadas para a escola pública e sociedade como um todo. A sustentação financeira é garantida pela contribuição dos associados; o valor é definido e aprovado em Assembleia Geral. Os dirigentes do Cpers-Sindicato são eleitos pela categoria a cada três anos.

Os funcionários do Cpers-Sindicato têm sido, no decorrer destes 50 anos, a espinha dorsal da entidade e merecem a homenagem dos trabalhadores em educação. Para responder às necessidades da categoria, o sindicato conta hoje com 125 funcionários que, nos momentos mais delicados, redobraram seu empenho para melhor atender a classe. Eles aprenderam, com os educadores, a importância da cidadania e constituíram, em 1987, a Associação dos Funcionários do Cpers-Sindicato, responsável por discutir com a diretoria melhores condições profissionais e salariais. EM todas as escalas, cada um cumpre suas atribuições para o bom funcionamento do Centro.

O mundo mudou, passando a exigir das entidades de classe uma nova postura. O avanço tecnológico aponta para novas relações profissionais, sociais e sindicais, as distâncias foram reduzidas pelas redes de computação, o planeta está interligado. E, sem abdicar de suas funções precípuas, ligadas à defesa da categoria, o Cpers-Sindicato tem ampliado sua atuação, pois parte da premissa de que os grandes problemas da sociedade não se limitam à educação, embora ela seja uma forma privilegiada de promoção social e humana. O Cpers-Sindicato compromete-se com a construção do Sindicato-cidadão, um sindicato propositivo, capaz de intervir no projeto político da sociedade.

O projeto educacional, indissociável do projeto de sociedade, visa universalizar o ensino de qualidade, garantir o acesso às produções científica e cultural da humanidade e a construção solidária do saber e da vivência democráticas.

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