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“Ensinar a pensar começa a ser visto como um crime”, afirma Helenir em evento da FAMURS

Diante do avanço do autoritarismo, do radicalismo e da violência no país, Helenir Aguiar Schürer, presidente do CPERS, ponderou nesta sexta-feira (19) sobre as crescentes dificuldades impostas ao fazer pedagógico. “Ensinar a pensar começa a ser visto como um crime em nosso país. É impossível fazer qualquer debate por conta da cultura do ódio e da intransigência que tomaram conta da sociedade. A impressão é que as pessoas ficaram hipnotizadas. Um exército robotizado que marcha para o abismo e não olha para onde está indo”, disse.

A fala, no contexto da corrida eleitoral que tem à frente o candidato Jair Bolsonaro (PSL), foi dirigida ao público do III Fórum Estadual das Associações dos Inspetores de Ensino, Orientadores Educacionais e Supervisores Escolares do RS, realizado na FAMURS durante a manhã. Helenir participou da mesa temática “Análise do Cenário Educacional”, ao lado da professora Dra. Carmen Craidy, da Associação de Escolas Superiores de Formação de Profissionais do Ensino, Cindi Regina Sandri, da Associação dos Professores Municipais de Porto Alegre, e Nina Rosa Ventimiglia Xavier, da Associação dos Orientadores do Rio Grande do Sul.

Para Carmen Craidy, professora aposentada da Faculdade de Educação da UFRGS, que chegou a se exilar na década de 70 diante da prisão iminente pela ditadura, os retrocessos são imensos. “Há uma dissolução dos valores e instituições democráticas, um ambiente de cerceamento do debate e ao acolhimento, características essenciais da prática pedagógica e da supervisão escolar”, afirmou.

A pedagoga lembra que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), imposta sem diálogo com a sociedade, o congelamento do orçamento federal, o avanço do Escola Sem Partido e os múltiplos ataques à escola pública remetem ao popular aforismo de Darcy Ribeiro: “A crise da educação brasileira é um projeto. Temos uma sociedade elitizada, com diferenças sociais enormes e que sempre teve uma perspectiva de educação para os privilegiados, não para todos”, completou.

Rosane Zan, diretora do Departamento de Educação do CPERS, compôs a segunda mesa da manhã, com o tema “Incertezas e expectativas na educação brasileira: o impacto nas gerações futuras”. Rosane reiterou as críticas às reformas em curso, destacando a precarização trazida pela Reforma Trabalhista e as ameaças de terceirização, além da mercantilização e privatização do ensino.

“Será que são estes retrocessos que queremos para o Brasil? Não podemos nos ausentar. É preciso agir, mobilizar a comunidade escolar e voltar a reivindicar que todas as áreas sejam contempladas, incluindo a realização de concursos públicos para os especialistas que aqui estão”, disse.

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