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Educadores participam de debate com Maria da Penha sobre violência contra mulheres

11/03/2016 PORTO ALEGRE/RS/BRASIL: Mulheres Gaúchas dialogando com Maria da Penha Foto: Caco Argemi/CPERS
11/03/2016 PORTO ALEGRE/RS/BRASIL: Mulheres Gaúchas dialogando com Maria da Penha Foto: Caco Argemi/CPERS

Nesta sexta-feira, dia 11, representantes da Direção Central do CPERS e dos Núcleos do Sindicato participaram do seminário Mulheres Gaúchas Dialogando com Maria da Penha, que abordou a violência contra as mulheres. O evento, que contou com o apoio do CPERS para sua realização, marca os 10 anos da Lei Maria da Penha e faz parte do 8 de Março Unificado, iniciativa que reúne 72 entidades que realizam uma série de ações em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, foi lançada a cartilha “Mulheres, Direitos e Rede de Atendimento”, da Comissão Especial dos Direitos da Mulher da Assembleia.
O evento ocorreu no Auditório do Foro Central de Porto Alegre e foi organizado pela Procuradoria Especial da Mulher do Rio Grande do Sul, da Assembleia Legislativa, presidida pela deputada Stela Farias.
Diante de um auditório completamente lotado, Maria da Penha recebeu a medalha de Mérito Farroupilha, considerada a maior honraria do parlamento gaúcho. Sob o olhar atento da plateia, afirmou que a Lei 11.340/2006, que leva o seu nome, não tem como objetivo a punição dos homens. “Esta Lei visa fundamentalmente proteger a mulher dos homens agressores que não sabem amar e respeitar a mãe dos seus filhos. Mas não basta a Lei apenas existir, é preciso tirá-la do papel e criar as medidas protetivas necessárias, assim como aperfeiçoar e atendimento jurídico-social as mulheres vítimas de violência”, destacou.

Mapa da violência

O Brasil ocupa o 5º lugar no mapa mundial da violência contra a mulher. São 13 mulheres mortas por dia, pelo único fato de serem mulheres, 33,2% das vítimas foram mortas pelo parceiro ou ex-parceiro. Os feminicídios de mulheres negras aumentaram 54,2% de 2003 a 2013.
Diante desses assustadores índices, a diretora do Departamento de Gênero e Diversidade do CPERS, Iris de Carvalho, ressalta a importância de iniciativas como a realizada hoje com a presença de Maria da Penha. “Esses índices são muito significativos, mostram o tamanho do nosso desafio para implementar políticas públicas mais efetivas, além de uma profunda mudança cultural. Tenho certeza de que hoje muitas mulheres ao ouvirem a história da Maria identificaram o que vivem em seu dia a dia”, observou.

Maria da Penha: da dor à luta em defesa de outras vítimas da violência doméstica

Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica e bioquímica, foi vítima de um relacionamento abusivo, sofreu diversas agressões e duas tentativas de homicídio. Na última, seu então companheiro, atirou em suas costas enquanto ela dormia, o que a deixou paraplégica. Maria lutou por sua vida, conseguiu sobreviver e colocar seu agressor na cadeia.
O caso da agressão que sofreu ganhou repercussão e, apesar da morosidade da Justiça, resultou na principal ferramenta jurídica de defesa das mulheres vítimas de violência. A Lei Maria da Penha é a 3ª Lei de proteção às mulheres mais importante no mundo.
Ter seu nome vinculado à lei não a faz esmorecer. Ela costuma dizer que é preciso haver mais políticas públicas de combate à violência contra a mulher, mais investimentos em delegacias da mulher, centros de referências da mulher, casas-abrigo e juizados especiais. Foram necessários quase 20 anos para que o ex-marido fosse condenado pelo crime que cometeu. Ele ficou preso dez anos e hoje está livre. Da sua dor veio a sede de justiça por outras tantas mulheres que sofriam violência doméstica, e foi onde surgiu a Lei Maria da Penha, em 2006.

11/03/2016 PORTO ALEGRE/RS/BRASIL: Mulheres Gaúchas dialogando com Maria da Penha Foto: Caco Argemi/CPERS
11/03/2016 PORTO ALEGRE/RS/BRASIL: Mulheres Gaúchas dialogando com Maria da Penha Foto: Caco Argemi/CPERS

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