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Deputados são bombardeados com mensagens para votar a favor de privatizações

Fernanda Canofre
Luís Eduardo Gomes

Desde a noite de segunda-feira (29), dia em que passou a valer a convocação extraordinária do governo para votação do Regime de Recuperação Fiscal, celulares de deputados têm sido bombardeados com mensagens pedindo que votem a favor da retirada de plebiscito para privatização das estatais. A medida é uma das contrapartidas para que o Rio Grande do Sul possa aderir ao acordo com a União.
A mesma mensagem foi enviada por diferentes números de celular. Nela, o remetente pede ao parlamentar da vez: “Quero seu apoio para votar a favor da desestatização da CEEE, Sulgás e CRM. Precisamos que segurança, saúde e educação sejam prioridades do nosso Estado, os demais problemas podem ser supridos pela iniciativa privada”. A mensagem segue ainda: “Quero minha família segura e não ser dono (a) de empresa de carvão!”.

Mensagem enviada a deputados | Foto: Reprodução

Sul21 entrou em contato com alguns dos números que enviaram mensagens. Números com DDD do Rio Grande do Sul e um deles com DDD de Minas Gerais davam mensagem de “desligado ou fora da área de cobertura”. Três pessoas que atenderam a ligação confirmaram o envio das mensagens, porém, quando questionadas sobre a origem do texto – que se repete em todas as elas – desligaram.
A deputada Juliana Brizola (PDT) conta que recebeu mais de 100 mensagens. “O que achei mais estranho é que a mensagem era padrão, que foram mais de 100 e que muitos números não eram do Rio Grande do Sul. Como o texto aparece replicado, na minha opinião, alguém contratou uma empresa para fazer”.
Ronaldo Santini (PTB) também confirmou o recebimento de mensagens. “Tem mensagens dos dois lados, tem mensagem pedindo para votar favorável e tem mensagem pedindo para votar contrário. É natural, faz parte do processo”, diz. Os textos também se repetem, segundo ele.
O deputado disse que já decidiu votar a favor do Regime de Recuperação Fiscal, mas ainda não fechou opinião sobre como irá votar nas propostas de emenda parlamentar.
“No mínimo nos pegou de surpresa, porque dos deputados com quem eu conversei, ninguém recebeu esse convite. Ninguém foi instado a votar por promessa, por sinalização. Conversei com a presidente da Federasul aqui, ela repudiou a informação. Acho que foi uma colocação infeliz de algum empresário, de forma isolada”
Entre os partidos da oposição, apenas o deputado Pedro Ruas (PSOL) disse ter recebido mensagens. Parlamentares do PT e do PCdoB não receberam nada.

Troca-troca

Grupos empresariais e entidades representativas do setor também estão se articulando para pressionar deputados a votarem junto com o governo. A Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul) lançou uma nota, em que cita seu presidente, Gilberto Petry: “Chegamos a um ponto de não retorno, como se diz em náutica. O navio está em rota de colisão.” Ele diz ainda que “se não forem tomadas medidas imediatas o próximo governador poderá enfrentar questões insolúveis, com danos irreversíveis a toda sociedade rio-grandense”.
A colunista do jornal Zero Hora Rosane de Oliveira diz que empresários estariam prometendo doações a campanhas para o Executivo e para o Legislativo para quem votar a favor do Regime e da privatização. Como financiamento empresarial é proibido, eles estariam dispostos a fazer doações como pessoas físicas.
O deputado Santini disse que a notícia pegou seu partido “de surpresa”. “Dos deputados com quem eu conversei, ninguém recebeu esse convite. Ninguém foi instado a votar por promessa, por sinalização. Conversei com a presidente da Federasul aqui, ela repudiou a informação. Acho que foi uma colocação infeliz de algum empresário, de forma isolada”.
Um grupo de deputados do PT, PCdoB, PSOL, além de Juliana Brizola e Enio Bacci do PDT, está trabalhando em uma representação ao Ministério Público Estadual para que o caso seja apurado.
“Há uma insinuação grave nessa matéria, no sentido de promessa ou ameaça. Quem votar terá dinheiro, quem não votar, não terá. Isso, efetivamente, nos coloca como um Parlamento que pode ser constrangido por dinheiro. Cabe à presidência identificar quem é esse movimento”, diz o deputado petista Tarcísio Zimmerman.

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